Ontem, testemunhamos uma série de onze quedas consecutivas no Ibovespa. Trata-se da maior sequência desde fevereiro de 1984.
Apesar da sequência chamar atenção, ainda representa um declínio de menos de 5% e ocorre após alta de quase 20% até o final de julho.
Anteriormente, o recorde era de nove sessões consecutivas de queda, registrado em agosto de 1998.
Interessante notar que nas ocasiões anteriores, as quedas foram mais profundas do que a desvalorização acumulada neste mês. No passado a desvalorização atingiu quatro vezes mais em cada período.
Curiosamente, essa virada para um cenário mais pessimista ocorreu logo após o início do ciclo de cortes da Taxa Selic, com uma redução de 0,5%.
Esse movimento era amplamente considerado por muitos como um possível impulsionador significativo para o desempenho positivo de nossa bolsa.
Fica a dúvida: a animação com o Brasil e tendência de alta teria se esgotado?
Já adianto que acredito não ser o caso. Existe correlação entre o ciclo de redução da taxa Selic e o desempenho do Ibovespa.
Historicamente, as ações têm demonstrado uma tendência a valorizar-se durante os períodos de afrouxamento monetário. Ao analisar os seis ciclos mais recentes de flexibilização da política monetária, fica evidente que a média de aumento durante esses períodos.
É possível observar esse padrão de comportamento a seguir, com uma atenção especial voltada para as fases de 12 e 24 meses após o início do ciclo de cortes.
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Fonte: Bloomberg
Aspecto intrigante é que, de acordo com a tendência, é comum observar que o mês em que o primeiro corte da taxa Selic acontece geralmente traz consigo um desempenho menor do Ibovespa.
É compreensível que diversos fatores tenham somado nas últimas semanas, começando pela temporada de divulgação de resultados encerrada na segunda.
O mês de agosto também traz consigo a discussão orçamentária. Com a mudança de poder em direção ao Legislativo nos anos recentes, é evidente que há demandas crescentes por emendas parlamentares, em um momento de fragilidade das finanças públicas do Brasil.
Ocorre que o buraco fiscal parece estar mais embaixo. Existe uma considerável incerteza sobre como será resolvido o déficit no orçamento. Quando o próprio problema não pode ser claramente definido, torna-se mais complexo avaliar o risco e realizar estimativas precisas.
Se, por exemplo, a meta estabelecida não fosse atingida, mas houvesse um plano sólido e tangível para estabilizar a trajetória da relação de endividamento (dívida sobre PIB), não estaríamos enfrentando esses desafios.
Dessa maneira, apesar do Banco Central ter controlado a inflação, a atividade econômica ter superado as previsões e as taxas de juros tenham declinado, o cenário não é dos mais favoráveis.
Isso ocorre porque o arcabouço fiscal, que afastou a ameaça de uma crise fiscal no Brasil desde o final de março, contribuindo para um aumento na disposição ao risco, parece estar enfrentando dificuldades na Câmara.
E dado que o governo optou por realizar um ajuste fiscal com base em aumento de receitas e não no corte de despesas, isso tem gerado incertezas econômicas.
O Centrão mantém a postura de atrasar a votação do projeto na Câmara, aguardando a concretização de uma reforma ministerial que reforçaria o poder desse bloco dentro do cenário político. O presidente Lula, até o momento, não apresentou indicações claras sobre como resolver essa situação.
De maneira simultânea, a tramitação da Reforma Tributária, atualmente em discussão no Senado, também parece estar enfrentando obstáculos. E para adicionar mais complexidade, o governo lançou um Novo Plano de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) com abrangência de gastos que superam a marca de R$ 1 trilhão.
A conta parece não fechar.
Geralmente, em situações assim, os bancos são convocados para arcar com as consequências, o que justifica a recente queda do setor bancário, que tem um peso significativo no Ibovespa, além dos resultados financeiros abaixo do esperado em parte deles.
Outros dois fatores relevantes estão relacionados ao cenário internacional.
O primeiro deles diz respeito aos desafios enfrentados pelo setor de construção na China. No fim de 2022, havia uma expectativa de que o gigante asiático sairia da pandemia em uma posição mais fortalecida em comparação a outras regiões do mundo.
Entretanto, ao contrário dessa previsão, a economia chinesa encontrou dificuldades devido à contínua implementação de políticas rigorosas de "Covid-zero".
Mesmo após o relaxamento dessas medidas, a atividade econômica no país permaneceu consideravelmente abaixo das projeções durante esse período.
Atualmente, a recuperação econômica chinesa está enfrentando novos entraves, principalmente devido ao agravamento da crise no setor imobiliário.
Apesar das tentativas de Pequim de atrair mais investimento estrangeiro por meio de incentivos fiscais, essa abordagem parece não ser suficiente para enfrentar os desafios persistentes.
Esse cenário tem um impacto negativo nas commodities, especialmente na Vale, empresa que possui uma participação significativa no Ibovespa, contribuindo para prejudicar o desempenho geral do índice.
O segundo ponto deriva da política de preços da Petrobras. Após o aumento dos preços do petróleo, verificava-se uma defasagem considerável em relação aos valores internacionais, chegando a 25% para a gasolina e 28% para o diesel, conforme apontado pela Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom).
Dito e feito. Ontem mesmo ocorreu ajuste nos preços dos combustíveis pela estatal. Ajuste esse amplamente reconhecido como necessário, uma visão enfatizada pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, na semana passada, durante o lançamento do Novo PAC.
Principalmente após a correção, as ações brasileiras seguem consideradas baratas (agora, retornando aos 116 mil pontos), quando comparadas com as dos mercados desenvolvidos que, em sua maioria, estão avaliadas em patamares elevados.
Além disso, existem poucas opções viáveis entre outros mercados emergentes (com exceção do México). Por isso, a tendência de valorização parece estar preservada, mesmo que possa não ser um movimento linear e direto.
Por Paulo Nascimento Filho, empresário, assessor de investimentos pela Ancord, influenciador e criador de conteúdo sobre finanças e educação financeira.
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