A contagem regressiva para a decisão nas urnas escancarou uma tática bem conhecida na política, na hora do desespero eleitoral, a responsabilidade fiscal é jogada de lado e o cofre público vira instrumento de campanha.
A poucos dias do segundo turno da eleição, o presidente Lula abriu um verdadeiro "pacote de bondades", ao sancionar o perdão de dívidas para microempreendedores (MEIs), propor PEC de transporte público gratuito nos fins de semana e acelerar reajustes do Bolsa Família às vésperas da votação. Mas a pergunta que o cidadão de bem e o trabalhador precisam fazer é simples: por que tudo isso só agora? E quem vai pagar essa conta amanhã?
O desespero e a fatura de R$ 405 bilhões
Não se trata aqui de criticar o alívio para quem produz ou o auxílio a quem precisa. A crítica é sobre a forma, a oportunidade e o total desprezo pelo planejamento orçamentário do país.
Um levantamento aponta que o acumulado do "pacote de bondades" do governo Lula já alcança a impressionante marca de R$ 405 bilhões ainda em 2026.
O programa Prospera MEI zera débitos tributários federais da categoria com a União, em um perdão que alcança mais de R$ 12 bilhões de dívidas e gera um impacto direto nas receitas do Tesouro sem uma fonte clara de compensação permanente.
Uma Proposta de Emenda à Constituição enviada a quatro dias da eleição, propondo abocanhar cerca de 26,8% das emendas parlamentares impositivas (cerca de R$ 12 bilhões ao ano) para financiar transporte gratuito.
Anúncios e rearranjos de última hora no benefício social criam despesas obrigatórias contínuas no orçamento.
O efeito "pós-urna"
Governantes que administram pensando apenas no dia da votação deixa uma herança maldita para o dia seguinte. A própria equipe econômica do governo já precisou revisar a estimativa do déficit primário para R$ 80,9 bilhões neste ano, enquanto analistas e consultorias do Congresso alertam que os efeitos contratados por esse pacote eleitoreiro vão exigir um arrocho fiscal de ao menos R$ 53,7 bilhões até 2030 para evitar o colapso do endividamento.
Economista consultado pela coluna disse: "Não existe almoço grátis." Quando o governo perdoa dívidas sem cortar gastos na própria carne e cria novas despesas no canetaço, a conta volta invariavelmente na forma de inflação, juros altos e menos capacidade de investimento no futuro.
A falsa ilusão
A estratégia do "vale-tudo" é perigosa porque transforma o processo eleitoral em uma feira de promessas sem lastro real. Vende-se a ilusão de um Estado paternalista e generoso às vésperas de abrir a urna, escondendo do eleitor que a fatura do populismo sempre chega via imposto ou perda do poder de compra.
O cidadão brasileiro e o eleitor da nossa região precisam abrir o olho e analisar o cenário com frieza, medida tomada na correria do pleito sem estudo sério de impacto financeiro não é compromisso social; é pura manobra de sobrevivência política.
O Brasil precisa de rumo, previsibilidade e gestão responsável, e não de um leilão de cofres abertos até o próximo domingo.
Seguimos acompanhando de perto cada lance e trazendo a verdade dos bastidores da política.
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