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Quando o feitiço vira contra o feiticeiro


  • Opinião NF
  • 08 de Outubro de 2026 | 15h16
 Foto: Divulgação / Montagem NF
Foto: Divulgação / Montagem NF

Na política do Rio de Janeiro, a realidade costuma superar qualquer roteiro de ficção. O imbróglio jurídico envolvendo a candidatura do ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) nas eleições deste ano, reservou uma daquelas reviravoltas em que a ironia se torna a principal protagonista da história. Como diz no ditado popular, “o feitiço virou contra o feiticeiro” ou podemos usar também, que o “tiro saiu pela culatra”.

Para entender o cenário de bastidor, vamos recapitular os fatos: a coligação de Eduardo Paes (PSD) foi à Justiça Eleitoral contestar a validade da candidatura de Garotinho. O objetivo inicial era fragilizar um adversário e consolidar votos em seu berço político. No entanto, a matemática eleitoral das urnas no primeiro turno alterou drasticamente os cálculos.

Com a votação apurada, a presença ou ausência dos votos dados a Garotinho passou a definir se haveria segundo turno no Estado. Sem os votos do ex-governador na conta dos válidos, o candidato Douglas Ruas (PL) ultrapassaria o teto de 50% e liquida a fatura já na primeira etapa. Percebendo que a impugnação que ajudou a cavar estava prestes a levá-lo ao buraco, Eduardo Paes protagonizou uma mudança de postura histórica, passou a defender publicamente que os votos do seu antigo opositor fossem considerados válidos.

O ápice dessa comédia de erros ocorreu quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) formou maioria para indeferir o registro de Garotinho e anular seus votos, na manhã desta quinta-feira (08). Em resposta imediata, o próprio Eduardo Paes anunciou que vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) tentando restabelecer os votos de Garotinho para garantir a realização do segundo turno.

O quadro é tão inusitado que o próprio Garotinho ironizou a situação ao declarar publicamente o seu espanto em ver o rival transformado em seu “advogado de defesa”.

O caso expõe a volatilidade do pragmatismo político atual. Ao tentar usar o tapetão jurídico para retirar um concorrente do páreo, o grupo de Eduardo Paes acabou construindo um caminho favorável, que pode selar a vitória de Douglas Ruas no primeiro turno. A política fluminense dá, assim, mais uma aula de como as manobras judiciais pode custar caro, demonstrando que, nas urnas e nos tribunais, quem movimenta o processo nem sempre consegue controlar o alvo certo.

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