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O nó de Wladimir


  • Opinião NF
  • 21 de Agosto de 2026 | 08h07
 Imagem gerada por IA
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O termômetro político na planície goitacá simplesmente estourou. Quem achava que a eleição deste ano seria tranquila nos bastidores do clã Garotinho acabou caindo do cavalo. O racha na família voltou a ser exposto na rua, com direito a ataques nas redes sociais, tumulto por espaço e dois candidatos a deputado estadual dividindo o mesmo grupo ao meio.

De um lado está o deputado estadual Bruno Dauaire, amigo pessoal e homem da absoluta confiança de Wladimir Garotinho. Do outro, Thiago Virgílio, abençoado e blindado pela matriarca Rosinha e pelo ex-governador Anthony Garotinho. O resultado disso? Um clima de pura tensão que ultrapassou o teto da Lapa e foi parar nas ruas.

O gesto de rebeldia do passado

Para entender o tamanho da crise atual, a gente precisa voltar no tempo. Esse desconforto familiar em torno do nome de Bruno Dauaire não é novidade; vem desde 2014. Naquela época, Wladimir tinha o desejo claro de disputar uma vaga na Alerj, mas encontrou a porta fechada pelo próprio pai, que não concordava com a ideia.

Em um ato que muitos nos bastidores chamaram de pura rebeldia política, Wladimir decidiu provar que também tinha musculatura própria. Ele buscou no seu círculo de amizade dos tempos de escola, o personagem de uma tradicional família política da região, Bruno Dauaire. Wladimir bancou a candidatura, colocou o bloco na rua e conseguiu eleger o amigo. A família Garotinho teve que engolir a vitória e acomodar a situação, mas o indigesto prato daquela época nunca foi digerido por completo e causa refluxo até hoje.

O incomodo de Wladimir

Desde quando se ventilavam os primeiros boatos sobre a pré-candidatura de Thiago Virgílio, Wladimir já confessava a interlocutores próximos o seu incômodo. O objetivo do prefeito era concentrar todas as forças do seu grupo na reeleição de Bruno, em quem confia de olhos fechados.

Contudo, a pressão interna falou mais alto. Com direito a recados duros e ameaças de racha nos bastidores, Wladimir foi forçado a recuar e aceitar a dupla candidatura para a Alerj. Ele teve que ceder contra a sua vontade pessoal para tentar manter a governabilidade do grupo, mas a ferida continuou aberta.

A rivalidade ficou tão acentuada que no evento do Automóvel Clube ocorreu um princípio de confusão entre militantes de Bruno e apoiadores de Virgílio. A ferida está aberta e contaminou a militância de rua.

O gol de placa e o ataque nas redes

A gota d'água para a explosão do racha aconteceu durante um ato de início de campanha no centro de Campos nesta semana. Bruno Dauaire surpreendeu os bastidores e trouxe para a sua caminhada ninguém menos que o senador Romário. Como bom vascaíno, Bruno marcou um verdadeiro gol de placa ao colocar o Baixinho no seu palanque.

A presença de Romário caiu como uma bomba na cúpula da família. Rosinha Garotinho usou suas redes sociais para disparar contra Bruno, chamando o deputado de "traidor" por colocar no município um aliado que pede votos para adversários do seu grupo. Bruno preferiu não rebater o ataque frontalmente, mas sua equipe colocou para circular imagens do deputado nas ruas pedindo votos para o próprio Garotinho, tentando estancar a sangria.

Carla Machado movimenta o tabuleiro em Campos

Enquanto a poeira subia no clã Garotinho, a deputada estadual Carla Machado não perdeu tempo e reuniu uma multidão de apoiadores para inaugurar seu comitê de campanha em Campos.

O evento serviu para alinhar a militância da região e prestou contas do mandato da parlamentar na Alerj. Carla mostrou que está com o time na rua, consolidando sua presença na planície e observando de perto a divisão dos adversários.

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