Caros leitores, o termômetro eleitoral na nossa região está subindo e as conversas de rua giram em torno de um único assunto: as eleições deste ano. Nomes de peso da nossa política local, como Caio Vianna e o ex-prefeito Wladimir Garotinho, estão no páreo e movimentam as peças no tabuleiro em busca do voto do eleitor do Norte Fluminense, por uma cadeira em Brasília.
Mas antes de olhar para a urna, vale a pena dar aquele passo para trás e entender o filme completo, sem paixões.
Do "acordo da paz" ao racha
Para quem não lembra ou tem a memória curta, o enredo dessa disputa atual teve capítulo forte nas últimas eleições municipais. Naquela ocasião, o grupo de Wladimir e o grupo de Caio Vianna — junto a lideranças como Garotinho e Dr. Arnaldo — selaram um acordo político de paz e uniu forças na disputa. Wladimir garantiu a reeleição e o grupo parecia ter encontrado um caminho comum.
Porém, como a política no bastidor costuma ser mais rápida ao que parece, o clima azedou meses depois. Ventilava-se nos bastidores que parte do acordo não vinha sendo cumprido. Não deu outra: Caio declarou o racha, desembarcou do governo de Wladimir. A partir daí o que era aperto de mão virou troca de farpas nas redes sociais, com ataques e críticas diretas à atual gestão municipal.
Quem é o verdadeiro adversário?
Toda essa contextualização serve para ilustrar o cenário, mas é aqui que entra a análise crua e necessária: o maior adversário político de Caio Vianna não é Wladimir Garotinho — e vice-versa.
Os verdadeiros adversários da nossa população são os candidatos “forasteiros”.
São aqueles políticos de fora que só lembram que o Norte Fluminense existe quando o calendário eleitoral se aproxima. Chegam por aqui no período de campanha, prometem mundos e fundos, pulverizam o nosso eleitorado, levam milhares de votos embora e, no dia seguinte à apuração, somem. Não têm qualquer compromisso com a saúde pública regional, com o fortalecimento do agronegócio ou com o orçamento federal para o nosso desenvolvimento.
O povo já pagou essa conta antes
A nossa região tem tamanho, densidade eleitoral e relevância econômica de sobra para eleger dois ou mais representantes em Brasília. Ter lideranças com linhas de pensamento diferentes não é um problema; pelo contrário, é algo extremamente saudável e faz parte da democracia. O debate de ideias enriquece a política.
O problema real é quando as disputas pessoais e a falta de propostas de lado a lado abrem espaço para que políticos de fora peguem carona nessa briga. Eles roubam o voto daquele eleitor que se desilude com os ataques locais e prefere anular o raciocínio. A conta dessa divisão o campista e o morador do Norte Fluminense já pagaram em pleitos anteriores, quando ficamos sem voz e sem peso nas decisões de Brasília.
Pensar coletivo
Chegou a hora de amadurecer. É momento de superar divergências, sair da lama do revanchismo de internet e focar no que realmente importa: uma política propositiva, voltada para os anseios da população.
A nossa região precisa resgatar o seu espírito bairrista no bom sentido da palavra. É preciso dar oportunidade e peso a quem é da nossa terra e vai ter que olhar nos nossos olhos no supermercado, na rua e nos eventos da cidade depois do resultado das urnas.
Recado ao eleitor
E você, campista ou morador das cidades vizinhas da nossa região: abra o olho. Não caia no conto de apoiar “forasteiros” que surgem do nada buscando apenas o seu voto. Quando o voto vai embora com quem não tem raiz aqui, quem perde a verba da saúde, o recurso da educação e as obras de infraestrutura somos todos nós.
É hora de saber votar, valorizar quem é da casa e pensar na coletividade do nosso desenvolvimento.
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