O vereador Marquinho do Transporte abriu a caixa de Pandora ao quebrar o silêncio no púlpito. O parlamentar revelou como as engrenagens do poder agem nos bastidores para sufocar projetos pessoais que não rezam a cartilha do núcleo duro do governo.
O veto partidário
Marquinho afirmou que estava prestes a se filiar ao PDT, mas recebeu uma ligação direta de Wladimir Garotinho proibindo a escolha, o que o forçou a migrar para outra sigla.
A perseguição
Após o episódio, o vereador relatou ter virado alvo de boicote interno, com o ex-prefeito minando sua pré-candidatura nos bastidores. A gota d'água foi uma reunião em que o governo condicionou a permanência de aliados à fidelidade irrestrita aos nomes escolhidos pela cúpula. Como Marquinho não cedeu, todo o seu grupo político foi exonerado.
Pressão, ameaças e a escolha dos "favoritos"
Fontes ligadas ao governo municipal apontam que o direcionamento da máquina pública para apoiar exclusivamente os deputados Bruno Dauaire e Thiago Virgílio não foi uma decisão pacífica. A inclusão definitiva e a ampliação do apoio a Virgílio teriam sido fruto de uma discussão tensa, em tom de fortes ameaças e pressão direta contra Wladimir.
Essa centralização em apenas dois nomes visa garantir a eleição de ambos, blindando o grupo contra o desgaste político que o ex-prefeito enfrenta na cidade, motivado por promessas de campanha e acordos políticos não cumpridos.
"O traidor é você"
Se o discurso de Marquinho expôs a mecânica das negociações, o vereador Leon Gomes partiu para o ataque frontal. Pré-candidato a deputado federal, Leon não poupou adjetivos e chamou Wladimir Garotinho diretamente de “traidor”, relembrando o período em que a oposição era maioria na Casa e ele "segurou o rojão" na Mesa Diretora para blindar o governo.
"O grupo muitas das vezes tem que falar bênção, mas não vou passar a mão onde não houve gratidão comigo. Foi gente na porta da minha casa ameaçar a minha esposa enquanto eu estava aqui na sessão. O mal que Wladimir está tentando contra mim vai se converter em bem", desabafou Leon.
O racha demonstra que a fidelidade cega exigida pelo grupo esbarrou no limite da dignidade pessoal e familiar dos parlamentares.
Quem será o próximo a desembarcar?
Com as estruturas governistas abaladas, todos os olhos se voltam agora para o vereador Kassiano Tavares, o mais votado do município na última eleição. Kassiano vive um incômodo nítido: seu prestígio popular não é reconhecido pelo grupo de Wladimir e as promessas feitas a ele seguem adomercidas.
Nos bastidores, o parlamentar já confidenciou a interlocutores o desejo de disputar uma vaga na Alerj. Kassiano tem mantido conversas com o prefeito Frederico Paes na tentativa de viabilizar um apoio — um cenário politicamente improvável, diante do atual cenário. A pergunta que ecoa nos corredores da Câmara é: Kassiano vai recuar para se adequar aos interesses do governo ou seguirá o caminho de Marquinho e Leon, desembarcando de vez da base?
O papel de Frederico Paes e Fred Rangel
Enquanto o ex-prefeito Wladimir Garotinho centraliza as tensões, outras figuras governistas tentam apagar o incêndio antes que o estrago seja irreversível.
O prefeito Frederico Paes tem se desdobrado em reuniões e conversas de bastidores, buscando construir pontes e trazer de volta lideranças e apoiadores que se afastaram devido à insatisfação crônica com a condução política de Wladimir.
Já o presidente do Legislativo Campista, Fred Rangel, tem sido a linha de equilíbrio nesse cenário caótico. Reconhecido por sua habilidade política e perfil conciliador, Rangel atua como um verdadeiro artesão do diálogo, tentando manter o respeito mútuo e a governabilidade dentro do parlamento, independentemente da quantidade de fogo na brasa.
A política de Campos dos Goytacazes mostra, mais uma vez, que acordos costurados sem reciprocidade tendem a desmoronar na primeira curva eleitoral. O preço da falta de gratidão começou a ser cobrado na tribuna. Resta saber quem sobreviverá a essa ebulição.
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