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Não tenha político de estimação


  • Opinião NF
  • 21 de Maio de 2026 | 07h32
 Imagem gerada por IA
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Existe uma ilusão muito confortável que tomou conta do debate público no Brasil: a crença de que, em algum lugar, existe o líder perfeito, o homem providencial com as ideias exatas que vai, finalmente, salvar a pátria. A esquerda tem os seus ídolos. A direita, infelizmente, construiu os seus. E cada lado defende o próprio político com uma lealdade cega que não tem absolutamente nada de racional.

Eu nunca escondi de ninguém a minha posição ideológica. Sou de direita, defendo os princípios da liberdade econômica, da propriedade privada e os valores que fundamentam a família. Nunca votei no PT, nem mesmo antes de toda essa polarização que hoje racha o país. Confesso que, como tantos outros, votei em Jair Bolsonaro em seu primeiro mandato e também na última eleição. Mas há uma diferença brutal entre votar em um projeto político e se tornar súdito de um homem. Eu não sou bolsonarista. Não tenho político de estimação. Meus princípios e meus valores estão acima de qualquer CPF.

Morar no estado do Rio de Janeiro é o melhor antídoto contra a idolatria política. Nós conhecemos de perto a falência institucional. Assistimos, nos últimos anos, a uma sucessão de escândalos de corrupção que levou quase todos os nossos ex-governadores para a prisão. Hoje, vemos o atual governador, Cláudio Castro, cercado por investigações, e uma Assembleia Legislativa (ALERJ) repetidamente manchada por suspeitas de corrupção envolvendo parlamentares com o crime organizado.

Diante dessa "banda podre" que destrói o nosso estado, as costuras políticas e os bastidores acabam vindo à tona. Quando observamos o envolvimento do senador Flávio Bolsonaro com figuras polêmicas como o banqueiro Vorcaro, somado a narrativas que não se sustentam e mentiras que vêm sendo ditas, fica claro que há uma quebra de confiança. O eleitorado consciente e de direita começa a perceber que os bastidores não condizem com o discurso público. É por isso que, hoje, uma parcela expressiva desse eleitorado prefere olhar para novas alternativas, como Romeu Zema ou Ronaldo Caiado, que se destacam pela gestão e pela firmeza de propósitos.

No entanto, essa mudança de percepção tem gerado embates violentos dentro da própria direita brasileira. Quando você aponta esses fatos ou manifesta preferência por gestores como Zema ou Caiado, é imediatamente atacado por extremistas cegos que defendem Flávio Bolsonaro a qualquer custo. É uma defesa fervorosa, que ignora a realidade e coloca os políticos como deuses intocáveis. Essa intolerância e esse racha interno são incrivelmente prejudiciais para o país. Ironicamente, essa divisão na direita só fortalece o PT e a esquerda, que hoje estão no poder, unidos e assistindo de camarote à nossa autodestruição por causa de fanatismo.

Toda essa agressividade está destruindo o que temos de mais sagrado: a convivência humana. Famílias estão brigadas, amizades de décadas desfeitas, ambientes de trabalho transformados em tribunais. As pessoas ficaram intolerantes. Esqueceram que a democracia exige o respeito à opinião alheia e que cada cidadão tem o direito de escolher quem achar melhor. Nenhuma figura pública vale o preço de uma amizade perdida.

O brilhante economista e pensador Thomas Sowell resumiu essa engrenagem de forma cirúrgica: "A prioridade número um do político é se eleger. A segunda, se reeleger. A terceira, qualquer que seja, está muito distante das duas primeiras". É nesse espaço distante que o cidadão tenta encaixar as suas expectativas de um mundo melhor.

Isso não é um julgamento sobre o caráter individual deste ou daquele governante, é apenas a constatação de como o jogo funciona. Políticos são seres humanos. Eles cometem erros, têm vaidades, cultivam relações de puro interesse e agem dentro dos limites que o cargo exige para que não percam o poder. Quando um político vota contra o que te prometeu, é porque alguém mais forte do que você precisou de um favor. Quando ele muda de posição, é porque o vento mudou e ele precisa dele a favor. Quando ele se cala diante de um absurdo, é porque enfrentar o problema custa mais caro do que o silêncio.

O grande erro da nossa sociedade foi construir uma visão de mundo que depende da fé cega de que "o meu político é diferente". Enquanto você gasta o seu tempo, a sua saúde mental e a sua energia defendendo o seu político de estimação na internet, as decisões reais que afetam o seu bolso e o futuro dos seus filhos estão sendo tomadas por pessoas que sequer sabem o seu nome.

Para nós, cristãos, a resposta deveria ser óbvia. Não existe salvador da pátria vindo de Brasília ou do Palácio Guanabara. O único Salvador é Jesus. O que muda a vida de um país é o trabalho, a honestidade no dia a dia, a cobrança firme sobre os governantes — sejam eles quem forem — e o respeito por quem caminha ao nosso lado. Vamos resgatar a nossa lucidez. Cobrar é o nosso dever; idolatrar é o nosso erro.

 

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