Hoje o papo é reto e toca na ferida de muita gente na planície goitacá. Na sessão de ontem (13/05) da Câmara Municipal, o vereador Anderson de Matos trouxe à tona um tema que não pode ser varrido para debaixo do tapete: a via crucis dos pacientes com câncer na cidade Campos dos Goytacazes.
A realidade é dura. Enquanto políticos discutem números e verbas, tem gente morrendo sem nem saber o que tem. O diagnóstico, que deveria ser o primeiro passo da esperança, virou um artigo de luxo. A demora nos exames iniciais é a grande vilã. É uma ineficiência que tira a dignidade e a vida. Muitas famílias sofrem em silêncio a angústia de ver um familiar definhando na fila de espera, enquanto o poder público – seja Município ou Estado – fica naquele jogo de “empurra”, um jogando a responsabilidade no colo do outro.
Saúde não é mercadoria e muito menos palanque eleitoral. Usar a dor do próximo para fazer politicagem ou desviar recursos é a maior perversidade que um ser humano pode cometer. É preciso ter responsabilidade com a coisa pública.
Falo isso com a propriedade de quem sentiu na pele. Em junho do ano passado, meu pai foi diagnosticado com leucemia. O médico foi claro: cada minuto contava. Mas, naquela época, Campos vivia o ápice de um impasse político vergonhoso entre o governo Wladimir e o grupo de Bacellar. Os repasses da saúde viraram reféns de uma briga de poder. Vimos o caos se instalar para piorar o que já funcionava mal.
Diante desse cenário, não tivemos escolha: fomos obrigados a judicializar para garantir o básico. Não foi por privilégio, mas porque o sistema comum simplesmente parou de responder a todos. Graças a Deus, tudo deu certo e meu pai segue em tratamento no Rio de Janeiro. Mas meu coração aperta ao pensar em quantos não tiveram a mesma oportunidade. Quantos faleceram antes de um retorno ou quando a doença já estava avançada demais por culpa da lentidão da máquina pública?
A corrupção e a incompetência administrativa são as verdadeiras assassinas. Quando o dinheiro que deveria ir para o hospital se perde, o resultado é o luto de famílias inteiras. É preciso ter amor ao próximo.
Esperamos que o governador em exercício, desembargador Ricardo Couto, mantenha essa gestão de austeridade. Sabemos que anos de gestões corruptas sangraram os cofres do Rio e a resposta não é imediata, mas o povo precisa de um começo honesto. A urgência da saúde não pode esperar o tempo das conveniências políticas.
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