CAMARA CAMPOS - ABRIL

A caneta que moraliza e o grito de quem perdeu a mamata


  • Opinião NF
  • 30 de Abril de 2026 | 08h50
 Foto: Divulgação - Montagem/NF Notícias
Foto: Divulgação - Montagem/NF Notícias

O Rio de Janeiro respira, há décadas, um ar pesado de escândalos que parecem não ter fim. Mas, nos últimos dias, o Palácio Guanabara ganhou um novo ritmo. O governador interino, desembargador Ricardo Couto, assumiu o comando com uma missão que muitos consideravam impossível, fechar a torneira. E ele está fazendo isso com uma firmeza que o Rio não via há tempos.

Enquanto Cláudio Castro mantinha a máquina pública inchada e se tornava refém da ALERJ — cedendo cargos e orçamentos para garantir apoio político — o cenário agora mudou. Castro governava para os deputados; Ricardo está governando para o Estado.

O fim dos "fantasmas"

A marca dessa gestão interina tem sido a austeridade. Em um curto espaço de tempo, já foram centenas de exonerações. O foco? Eliminar cargos fantasmas e estruturas que serviam apenas como cabide de emprego para apadrinhados políticos. Essa limpeza administrativa é o que o Regime de Recuperação Fiscal exige, mas que a política tradicional sempre ignorou.

Essa postura técnica e austera tirou o sono de muita gente. Ontem, quarta-feira (29), o clima pesou na ALERJ. O presidente da Casa, Douglas Ruas, subiu à tribuna para proferir duras críticas ao governador interino. O incômodo é nítido: com a proximidade das eleições, os deputados perderam o controle da máquina estadual que alimentava suas bases. Sem o "apoio" do estado em suas áreas de domínio, a fúria tomou conta do legislativo.

A herança da lama

Não podemos esquecer como chegamos até aqui. O estado está falido e vive as consequências de uma irresponsabilidade administrativa que vem de anos. O afastamento de Cláudio Castro e do ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, foi o capítulo final de uma era de promiscuidade entre os poderes. Mesmo afastados, os bastidores fervem. Há uma movimentação desesperada para manter indicados e garantir que a "lama" continue correndo por baixo do tapete.

A esperança da continuidade

Confesso que as medidas do desembargador Ricardo trazem um alento. É a Justiça ocupando o Executivo para estancar uma sangria que parecia eterna. O governador interino não tem compromissos eleitorais, e é exatamente por isso que ele consegue fazer o que precisa ser feito, cortar na carne.

Espero, como cidadão, que ele permaneça firme no cargo até o final do ano. O Rio de Janeiro não precisa de mais acordos de cavalheiros nos corredores da Alerj; precisa de ordem, limpeza e respeito com o dinheiro público. A torneira fechou, e o choro de quem vive encostado nela é o melhor sinal de que o caminho, finalmente, é o certo.

Seja o Primeiro a Comentar

Comentar

Campos Obrigatórios. *