Na semana em que completa um ano de seu segundo mandato, Donald Trump será um dos protagonistas da 56ª edição do Fórum Econômico Mundial, em Davos. O encontro reúne cerca de 3 mil participantes de mais de 130 países — entre chefes de Estado, autoridades e líderes empresariais — e terá hoje, o discurso de Trump como um dos pontos altos da programação.
A expectativa é que ele dê ênfase à crise do custo de vida nos Estados Unidos, tema que tende a ganhar ainda mais relevância à medida que o país se aproxima das eleições de meio de mandato no fim deste ano.
Ainda assim, o pano de fundo que parece dominar a conversa global neste momento é a crise envolvendo a Groenlândia e o desgaste crescente nas relações entre Washington e parte da Europa.
As ameaças de Trump de impor tarifas a alguns países europeus elevaram de forma relevante a tensão geopolítica, pressionaram as bolsas, fortaleceram ativos de proteção — como o ouro — e enfraqueceram o dólar.
Pelo desenho apresentado, a tarifa começaria em 10% a partir de fevereiro, com possibilidade de subir para 25% em junho caso não haja um entendimento vinculado à questão da Groenlândia.
Em resposta, a União Europeia passou a estruturar um pacote de retaliação que pode chegar a 93 bilhões de Euros em tarifas sobre produtos norte-americanos e avalia, além disso, o uso de instrumentos adicionais de pressão comercial.
Até aqui, os mercados vinham atravessando o segundo mandato de Trump com relativa resiliência, apesar da volatilidade e incontável quantidade de ruídos, mas a combinação de risco geopolítico crescente e preços de ativos mais “esticados” testa ainda mais a disposição dos investidores.
O debate europeu não se restringe às tarifas: também há discussões sobre contramedidas financeiras, incluindo a hipótese — ainda preliminar — de reduzir participações em ativos norte-americanos.
Vale lembrar que a Europa é hoje a maior credora dos Estados Unidos, com cerca de US$ 8 trilhões aplicados em títulos e ações norte-americanas — o que torna qualquer discussão sobre redução dessas posições um vetor sensível para os mercados.
Nesse contexto, o chanceler alemão Friedrich Merz sinalizou que a Alemanha está menos disposta do que a França a acionar a mais dura contramedida comercial da União Europeia em resposta às recentes ameaças tarifárias de Trump, mas deixou claro que apoiaria sua implementação caso se torne inevitável.
A França, por sua vez, pretende convocar uma reunião dos ministros das Finanças do G7 para discutir possíveis respostas coordenadas.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, vem tentando se posicionar como uma ponte entre os dois lados. Para ela, parte da divisão transatlântica decorre mais de ruídos de comunicação do que de divergências insuperáveis. Tanto Meloni quanto Merz pretendem usar o Fórum de Davos como espaço para retomar o diálogo e evitar uma escalada.
A presença de Donald Trump no evento, portanto, tende a influenciar fortemente o tom das discussões ao levar para Davos sua agenda centrada em comércio, tarifas e uma visão de interesse nacional — em contraste com a tradição do Fórum de buscar consensos e estimular a cooperação multilateral.
Ao mesmo tempo, os líderes globais discutirão como preservar algum grau de coordenação em um mundo cada vez mais fragmentado, marcado por disputas geopolíticas, tensões comerciais e mudanças rápidas na ordem internacional.
Esse ambiente torna o diálogo mais difícil, mas também mais necessário. Se o primeiro ano do segundo mandato de Trump ensinou algo, foi que teremos pela frente mais episódios de volatilidade como esses ao longo dos próximos três anos.
É uma janela em que o dólar tende a enfrentar mais pressão, enquanto metais, especialmente o ouro, devem se beneficiar. O ponto central, porém, é que Trump é mais um sintoma do que a causa de um mundo novo em formação, mais conflituoso, menos previsível e estruturalmente diferente daquele que conhecíamos.
Por Paulo Nascimento Filho, empresário, assessor de investimentos pela Ancord, influenciador e criador de conteúdo sobre economia, finanças e educação financeira.
| 14 | Por que investidores estão olhando para o consórcio como alternativa ao crédito caro |
| 7 | Venezuela e a Doutrina Monroe 2026 |
| 10 | Balão de ensaio do clã Bolsonaro fura o mercado |
| 3 | Como pagar menos Imposto de Renda usando a Previdência Privada? |
| 19 | Ouro ou dólar: qual rendeu mais nos últimos anos? |
| 12 | Imparável Ibovespa |
| 5 | Política monetária não cede, e fiscal não ajuda |
| 24 | Conta internacional: o que é e como ter a sua |
| 17 | Alto patrimônio x alta renda: existe diferença? |
| 10 | CPF dos imóveis: o que é, qual será o impacto? |
| 3 | Ouro registra novo recorde |
| 27 | Vale a pena investir em ETF irlandês? |
| 20 | Petrobras (PETR4) cai mais de 18% no ano - oportunidade ou armadilha? |
| 13 | Gestão de patrimônio: o que você precisa saber para fazer corretamente? |
| 28 | Seguimos apesar de Brasília |
| 21 | Os caminhos de 2026 |
| 14 | Janela de oportunidade com as pequenas empresas da bolsa |
| 7 | Mudança estrutural nos mercados internacionais? Ibovespa bate S&P500 em abril |
| 30 | Brasileiro considera retorno com investimentos baixo, no entanto a poupança segue como preferência |
| 9 | Guerra comercial abre oportunidade para o Brasil |
| 2 | Não existe almoço grátis |
| 26 | O caso Carrefour e as oportunidades da bolsa |
| 19 | A nova corrida do ouro? |
| 5 | Valorização do Ibovespa mostra como ações estão baratas |
| 29 | Primeira Super Quarta do ano |
| 22 | Donald Trump retorna à Casa Branca |
| 8 | Animados para 2025? |
| 18 | Juro sozinho não será suficiente |
| 11 | Os juros subirão ainda mais? |
| 4 | A realidade se impõe |
| 27 | Aluguel sem fiador ou seguro-fiança? Conheça o TD Garantia |
| 13 | A ótica dos dividendos |
| 6 | Caminhos opostos |
| 25 | Corte de juros nos EUA é benéfico, mas não resolve tudo |
| 18 | O que esperar de mais uma Super Quarta? |
| 11 | Depois da farra sempre vem alguma ressaca |
| 4 | A ilusão da notícia |
| 28 | Perspectivas para as taxas de juros |
| 21 | Recorde no Ibovespa |
| 14 | Um novo paradigma a caminho? |
| 7 | Pânico nos mercados globais. Existe razão para tamanha histeria? |
| 31 | Agronegócio é alternativa para investidores |
| 24 | Economia brasileira com crescimento sustentável ou voo de galinha? |
| 10 | Compre ao som dos canhões e venda ao som dos violinos |
| 3 | Segunda metade do ano |
| 26 | Bolsa tem boas oportunidades para os pacientes |
| 19 | Conservadorismo necessário |
| 12 | Juros e inflação nos EUA definirão rumo dos mercados no curto prazo |
| 5 | Nosso dilema do prisioneiro |
| 29 | Como a desancoragem das expectativas atrapalha a queda dos juros no Brasil |
| 22 | Debêntures incentivadas em evidência |
| 15 | Bolsa barata basta? |
| 8 | Conservadorismo e cautela |
| 1 | O mal não falado |
| 27 | Não chegue no fim da festa |
| 20 | Super Quarta quente |
| 13 | Reserva de valor: até onde vão o ouro e o bitcoin? |
| 6 | Petrobras e seu recorde de valor de mercado |
| 28 | Petróleo: a principal commodity |
| 21 | Investimentos inteligentes: planeje sua viagem dos sonhos |
| 7 | Como vencer o medo de investir? |
| 31 | Aquela velha roupa vermelha |
| 24 | 2024 é ano de eleições. A mais importante não será no Brasil |
| 17 | Commodities em baixa |
| 10 | Ressaca pós-virada? |
| 20 | Dicas para controlar os gastos de fim de ano |
| 13 | Última Super Quarta do ano |
| 6 | Lições valiosas de Charlie Munger |
| 26 | Comprar imóvel ou investir em fundos imobiliários? |
| 19 | Em busca de um porto seguro |
| 12 | Mais pra cá do que pra lá |
| 5 | Como investir com foco no longo prazo no Brasil? |
| 15 | Como saber se uma ação está cara ou barata? |
| 8 | Investir é um teste de resiliência |
| 1 | Semana dos Bancos Centrais |
| 21 | Renda fixa segue como “queridinha” em 2023 |
| 14 | Menino ou adulto Haddad? |
| 7 | Fuja dos golpes: não se deixe levar por promessas de dinheiro fácil |
| 26 | Benefícios do planejamento sucessório: conheça mais! |
| 19 | Quais os riscos de investir em FIIs? |
| 13 | Viver de renda? Confira o passo-a-passo para chegar lá! |
| 31 | Contra o consenso |
| 24 | BTG lança plataforma cripto |
| 17 | Preparado para as propagandas eleitorais? |
| 10 | Um pouco de previsibilidade |
| 3 | Preparados para o mês de agosto? |
| 27 | A proteção ficou mais cara, mas continua essencial |
| 20 | Fundos imobiliários X Imóveis |
| 13 | Renda fixa continua atraente. Mas e a bolsa? |
| 6 | Cenário macro para 2º semestre |
| 25 | Uma boa notícia para os fundos imobiliários |
| 18 | O médico e o monstro |
| 11 | O fim da era do dinheiro de graça |
| 4 | A maré baixa mostrará quem está nadando pelado |
| 27 | Todos os caminhos levam à inflação |
| 20 | O alerta vem da China, "de novo" |
| 13 | Insurtechs? Esse seguro está diferente |
| 6 | Consórcio é mais vantajoso que outras aplicações financeiras? |
| 30 | Irmãos a obra: análise de balanços |
| 23 | Com qual frequência você muda de opinião? |
| 15 | A Super-Quarta |
| 9 | Mulheres: com toda crise, uma oportunidade |
| 2 | Investindo em tempos de guerra |
| 23 | A sorte está lançada |
| 16 | Value investing is back |
| 9 | Mudanças e algumas tensões no ar |
| 2 | A política monetária brasileira sob os holofotes |
| 26 | NF Notícias estreia coluna de economia com Paulo Nascimento Filho |
Seja o Primeiro a Comentar
Comentar