Ontem, 15 de janeiro, foi o dia de Santo Amaro. Fincada na Planície Goytacá pelos monges beneditinos do Mosteiro próximo, a devoção ao santo se funde e fundamenta a história da nossa terra. Gerações foram batizadas lá, outros tantos tiveram milagres em suas vidas testemunhados em objetos de cera, fotografias e cartas que seguiram por anos fixadas as paredes da chamada salinha dos milagres. Eu mesmo, até meus 16 anos ainda localizava um quadrinho com uma foto de mim bebê, posta lá por minha mãe, em testemunho pela cura de uma hérnia.
A cavalhada, uma das poucas do país que ainda existe, reflete a paixão do campista pelos cavalos revestida pelo manto da fé. Instrumento de evangelização antes de ser manifestação cultural, a representação das lutas das cruzadas tem seus atores cheios de orgulho transmitindo a missão aos filhos e netos ao longo dos séculos.
O caminho de Santo Amaro é penitência, pedido de graças divinas e prova de fé antes de se tornar atividade esportiva, cultural e turística. Cada vez recebendo mais adeptos, por diversas razões, segue ao longo dos séculos sem que se saiba como começou, mas com a certeza de que leva ao altar.
Santo Amaro é terra de reencontro, com os amigos, com os parentes que já moram distantes, com o sagrado... e pela força que se construiu ao longo dos anos, de política. A missa das 11 horas celebrada pelo bispo da diocese segue recebendo políticos de diferentes partidos, antagonistas, aliados...todos marcam presença na festa do santo milagreiro.
Que Santo Amaro interceda por nossa gente e pela conversão dos corações de todos os que a ele recorrem.
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