Prezados leitores do NF Notícias, é com satisfação que retomo minha coluna após uma pausa, e o retorno não poderia ter um tema mais urgente e debatido nas últimas semanas: a saúde em nosso município e a recente polêmica envolvendo o prefeito Wladimir Garotinho e o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar.
A denúncia do prefeito, feita através das redes sociais, acusa Bacellar de ter usado sua breve passagem como governador em exercício para publicar um decreto que, segundo Wladimir, retirou uma verba estadual crucial para a saúde de Campos. Essa verba é destinada justamente por sermos uma cidade polo de atendimento para diversos municípios vizinhos, uma responsabilidade que assumimos por não haver hospitais estaduais suficientes para suprir essa demanda regional. Assim como Macaé é referência e recebe pacientes de municípios próximos e Itaperuna para o Noroeste Fluminense, Campos cumpre um papel vital no cuidado com a saúde de uma vasta população.
O que se viu nos últimos dias foi uma enxurrada de embates entre a oposição e a base do governo, e a situação se agravou com a dificuldade do prefeito em conseguir uma agenda institucional com o governador Cláudio Castro após seu retorno ao Brasil. Nas redes sociais, percebo que muitos comentários revelam um entendimento equivocado sobre o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS). É importante lembrar que a saúde tem três esferas de responsabilidade: o Governo Federal, com seus repasses, e as obrigações do Estado e do Município. Nenhuma dessas esferas pode se eximir de suas responsabilidades, especialmente quando se trata de uma cidade polo que atende a uma demanda regional significativa.
Infelizmente, quando o assunto é política em Campos, a história parece se repetir. Tudo aqui adquire contornos diferentes, e a “politicagem”, especialmente em períodos pré-eleitorais e quando envolve agentes públicos da cidade, causa mais atrasos e problemas do que soluções. Campos, historicamente, sofre com essas disputas políticas mesquinhas, e quem sempre paga a conta é a população.
É inadmissível que a saúde, um direito fundamental e uma questão de vida ou morte, seja utilizada como moeda de troca em disputas eleitorais. Já não bastam os problemas estruturais e a corrupção que, em todo o país, ceifam milhares de vidas anualmente. Precisamos de maturidade política. A disputa pelos votos deve acontecer nas urnas, com propostas claras e debates construtivos, sem prejudicar o avanço da cidade e, principalmente, sem colocar em risco a vida da população, que é a grande pagadora de impostos.
A saúde de Campos e de toda a região merece ser tratada com seriedade e a prioridade que lhe são devidas, longe das batalhas políticas que só nos atrasam.
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