Muita gente deve ter ficado confusa com a alta do Ibovespa em janeiro. No mês, o Copom anunciou aumento na taxa Selic, o que costuma ser notícia ruim para ações. Mesmo assim, praticamente todas os papéis do índice subiram.
Com a Selic acima dos 13% ao ano novamente, os amantes da renda fixa voltarão a receber rendimentos do Tesouro Selic acima de 1% ao mês, “sem risco” – usei aspas porque o Tesouro Selic é uma dívida do governo, que como você já sabe tem enfrentado problemas fiscais.
Seja como for, a alta dos juros deveria ser um problema para a renda variável, que fica menos apetitosa diante dos elevados rendimentos mensais da Selic. Por isso, quando os juros sobem, a tendência é vermos uma migração de ações para títulos de renda fixa.
Mas não foi isso o que aconteceu em janeiro. Na verdade, as ações subiram, e para mim isso foi um sinal importante de que você deveria ter ações de empresas brasileiras neste momento, mesmo com a Selic subindo.
Boa parte do preço de uma ação ou de um índice está relacionado a premissas que ainda nem aconteceram. Ou seja, o valuation historicamente baixo das ações neste momento também é justificado por perspectivas futuras, mas neste caso extremamente negativas.
Há uma série de riscos que “podem acontecer” que muitos investidores já estão assumindo como “quase certos”. Por exemplo: inflação descontrolada, dólar acima dos R$ 7, Selic acima de 16%, Banco Central irresponsável, governo dobrando a aposta nos gastos; para citar apenas algumas.
São premissas que até podem acontecer, mas que não parecem tão certas quanto o mercado precifica. Por outro lado, tanto pessimismo abre espaço para movimentos positivos, mesmo quando a notícia não é tão boa.
Explico: apesar da alta da Selic em janeiro, também tivemos um comunicado sério e diligente da nova equipe do Copom, um Caged que apontou para redução de empregos e possível alívio para a inflação, bem como discursos bem mais amigáveis do presidente Lula com relação ao aumento de juros pelo Banco Central e aos reajustes de preços de combustíveis pela Petrobras.
Além disso, na última semana vimos o efeito DeepSeek no mercado, que reduziu um pouco do frenesi com as teses de inteligência artificial e fez parte do dinheiro que tinha ido parar em companhias de tecnologia voltar para mercados emergentes como o Brasil.
Por sinal, o fluxo de capital estrangeiro na bolsa brasileira virou de US$ 6 bilhões negativos para quase US$ 7,5 bilhões positivos. Esse inclusive tem sido um dos motivos que tem feito a bolsa subir e o dólar cair, mostrando que o investidor estrangeiro faz preço por aqui.
Geralmente quando o fluxo vira costuma ser rápido, não dando tempo de fazer muita coisa, por isso a importância de se manter posicionado de acordo com seu perfil de risco e com todas as proteções associadas.
A alta de +4,86% do Ibovespa em janeiro não significa que o Brasil se tornou um lugar melhor para investir no início de 2025 – na verdade, se novas medidas não forem tomadas pelo Governo, tudo indica que Selic, PIB e inflação ainda vão piorar ao longo do ano.
No entanto, os múltiplos atuais já precificam uma deterioração tão relevante pela frente que um cenário menos pior que o esperado já seria suficiente para fazer as ações reagirem.
Ter uma boa parte da carteira em renda fixa aproveitando a Selic elevada faz todo o sentido. Mas eu não deixo de ter algumas ações boas e baratas na carteira, especialmente se forem boas pagadoras de dividendos.
Aliás, a Carteira Recomendada de Dividendos do BTG Pactual fechou em alta de +5,9% em janeiro, e já foi disponibilizada a lista de ações de empresas recomendadas para o mês de fevereiro.
Se quiser ter acesso gratuito a essa e muitas outras carteiras de investimentos, só entrar em contato por aqui.
Por Paulo Nascimento Filho, empresário, assessor de investimentos pela Ancord, influenciador e criador de conteúdo sobre finanças e educação financeira.
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