O grande destaque desta semana é a posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, na segunda-feira, marcando seu retorno ao poder após um intervalo de quatro anos.
Trump destacou sua intenção de assinar mais de 100 ordens executivas logo nos primeiros dias de sua presidência, em um esforço para "frear o declínio americano e inaugurar a Era de Ouro da América". Esse slogan encapsula a visão nacionalista que permeia suas promessas.
A revista Time capturou perfeitamente o espírito dessa nova fase em uma edição especial dedicada à posse.
A capa, com o título “A disrupção de Trump está de volta”, retrata o presidente varrendo papéis e objetos da Resolute Desk, na Casa Branca, simbolizando sua determinação em "limpar a casa" e reverter o status quo em Washington.
Essa imagem poderosa reflete tanto a retórica quanto a expectativa de que Trump retorne ao poder com ações rápidas e impactantes, com potencial de repercussão imediata nos mercados globais e na política internacional.

Fonte: Revista Time.
Se no primeiro mandato o impacto de suas ações já foi profundo, desta vez, com maior domínio das engrenagens do poder em Washington e uma base política mais consolidada, os efeitos prometem ser ainda mais imediatos e transformadores.
Atualmente, a economia americana ocupa uma posição de destaque no cenário global, amplamente admirada por seu desempenho robusto em diversas métricas que superam grande parte de seus pares desde a pandemia.
No entanto, como evidenciado nas eleições de novembro do ano passado, a percepção dos eleitores não reflete necessariamente esse cenário favorável.
A vitória de Trump sinaliza que, para a maioria dos americanos, o julgamento de um governo vai além dos tradicionais indicadores econômicos, como crescimento do PIB ou redução do desemprego.
Essa desconexão entre números positivos e opinião pública exige uma análise mais aprofundada para compreender os desafios do segundo mandato de Trump.
Questões estruturais, como a desigualdade de renda — que aumentou desde a pandemia e se mantém em patamares historicamente elevados —, são centrais para avaliar o impacto de suas políticas.
Assim como Biden, Trump provavelmente concentrará esforços na revitalização da manufatura, um setor outrora essencial para a economia americana, mas que hoje ocupa uma fatia reduzida do emprego total.
Nesse contexto, o movimento de repatriar operações industriais para os Estados Unidos desponta como uma estratégia para estimular o crescimento e reequilibrar o mercado de trabalho.
A ênfase em manufatura e infraestrutura traz implicações significativas para o mercado financeiro.
Setores tradicionalmente associados à economia real, como indústria e construção, devem ganhar protagonismo, criando um cenário favorável para investimentos baseados em teses de value — empresas com fundamentos sólidos e preços atrativos.
Isso contrasta com as estratégias de growth, historicamente dominadas por gigantes da tecnologia.
Isso reforça a importância de estratégias de investimento em empresas de pequeno e médio porte (small e mid caps). Esses segmentos, frequentemente subestimados, oferecem um terreno fértil para ganhos substanciais, particularmente em ciclos de revitalização econômica impulsionados por setores industriais.
Ao mesmo tempo, isso não implica um afastamento do setor tecnológico. A relação próxima de Trump com figuras-chave da tecnologia, como Elon Musk e Mark Zuckerberg, juntamente com sua afinidade com a indústria de criptomoedas, sublinha uma parceria com tendências e líderes que podem moldar mercados de maneira significativa.
Da mesma forma, a ascensão das criptomoedas, caso seja estruturada com responsabilidade, promete beneficiar tanto investidores quanto a narrativa econômica do país.
Simultaneamente, Trump também traçou um plano ambicioso de desregulamentação no setor energético, priorizando a autossuficiência energética dos EUA.
As medidas incluem a simplificação de processos de licenciamento, a revisão de regulamentações que impõem custos excessivos à produção de energia e até a utilização de poderes de emergência para aumentar a produção nacional.
Essas iniciativas têm o potencial não apenas de reduzir custos de produção, mas também de atuar como um dos poucos vetores de alívio inflacionário em sua gestão.
Aliás, a posse de Donald Trump coincidiu com um momento significativo no cenário geopolítico: o início de um cessar-fogo na guerra de Gaza, após 15 meses de intensos conflitos.
Essa trégua inicial, mediada por negociações nas quais a equipe de Trump já desempenhou um papel ativo, resultou na troca de reféns entre Israel e Hamas, estabelecendo um acordo de seis semanas.
Agora, a responsabilidade pela extensão e consolidação dessa trégua recai diretamente sobre Trump, colocando suas habilidades de negociação à prova desde os primeiros dias de sua administração.
Curiosamente, a reação de Vladimir Putin à posse de Trump foi importante. O presidente russo destacou sua esperança de uma retomada rápida e positiva das relações bilaterais entre os dois países.
Putin chegou a sugerir que o retorno de Trump poderia desempenhar um papel crucial na prevenção de um conflito militar global de larga escala.
Ainda que Trump provavelmente não elimine atritos globais de maneira abrangente, sua abordagem direta e agressiva pode ser instrumental para evitar uma "guerra quente", mesmo enquanto aprofunda as tensões da atual Guerra Fria 2.0.
As relações entre Estados Unidos e China, por sua vez, ocupam o centro das atenções. A segunda maior economia do mundo enfrenta a perspectiva de tarifas ainda mais rigorosas do que as implementadas durante a primeira guerra comercial de Trump.
Dada sua forte dependência de exportações, a China se encontra em uma posição vulnerável diante de possíveis reconfigurações do comércio global.
O retorno de Trump ao poder promete intensificar as disputas econômicas, especialmente nas áreas industrial e tecnológica, pressionando ainda mais as bases do modelo econômico chinês e potencialmente remodelando a dinâmica do comércio internacional.
O secretário escolhido por Donald Trump para liderar o Departamento de Comércio, Howard Lutnick, delineou com clareza como o novo governo pretende implementar uma abordagem assertiva com tarifas.
Na visão do governo, essas tarifas funcionam como um imposto direcionado exclusivamente a bens e empresas estrangeiras.
A mensagem é simples e contundente: se as empresas não quiserem pagar as tarifas, a única alternativa será transferir suas operações para solo americano, gerando empregos bem remunerados para trabalhadores locais.
Apesar do discurso, os investidores respiraram aliviados pelo fato de Trump ainda não ter anunciado tarifas específicas sobre produtos estrangeiros logo no começo de mandato, embora o tema tenha sido mencionado em seu discurso de posse.
Por sinal, outro ponto central na agenda de Trump é o endurecimento das políticas de imigração. A promessa de reformular a abordagem dos EUA à imigração ilegal reflete não apenas a intenção de reforçar as fronteiras, mas também de influenciar o debate global sobre imigração.
A adoção de políticas migratórias mais rígidas tem o potencial de ampliar a polarização tanto internamente quanto no cenário internacional, ressoando os mesmos ecos divisivos que marcaram sua primeira gestão.
O Secretário do Tesouro, Scott Bessent, também terá um papel de destaque na concretização dessas metas, liderando esforços para alcançar uma redução no déficit fiscal.
Embora a proposta de cortes tributários expansionistas pareça contraditória, uma redução efetiva do déficit poderia aliviar prêmios de risco na curva de juros, facilitando o fluxo de capital global e beneficiando especialmente economias emergentes.
Os próximos dias e semanas serão decisivos para estabelecer o tom do novo governo, especialmente no que diz respeito às implicações econômicas e geopolíticas de suas políticas.
A "Era de Ouro para a América" de Trump promete simplificação burocrática, redução de impostos e estímulo ao crescimento econômico.
Essas políticas têm o potencial de fortalecer diretamente a competitividade global das empresas americanas, consolidando o papel dos EUA como motor do crescimento mundial.
O excepcionalismo americano, mais uma vez, será o foco central da narrativa econômica.
Por Paulo Nascimento Filho, empresário, assessor de investimentos pela Ancord, influenciador e criador de conteúdo sobre finanças e educação financeira.
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