Brasil atravessa um período de grande estresse.
O arcabouço fiscal não mais se sustenta. Suas normas apresentavam inconsistências desde o início e sua duração surpreendentemente curta evidenciou suas falhas.
Ao que tudo indica, o ajuste fiscal baseado no aumento de arrecadação atingiu seu limite.
Empresários se mobilizaram e o Congresso percebeu a urgência da situação.
Todos agora enfatizam a necessidade de revisar os gastos públicos.
Diante da inviabilidade do modelo atual, precisamos mudar, mesmo que sejam apenas pequenos ajustes no curto prazo.
Sem espaço para aumentar receitas, enfrentamos uma escolha crítica: ou reduzimos os gastos, ou abandonamos qualquer tentativa de ajuste fiscal.
Estamos justamente no momento de decidir qual caminho seguir.
Por isso, a crescente incerteza fiscal e a deterioração dos ativos financeiros, especialmente o real, devem elevar a cautela entre os membros do Copom na reunião de hoje.
Analistas de mercado apontam que o Banco Central (BC) corre o risco de entrar em um novo ciclo vicioso, especialmente com a predominância de indicados pelo presidente Lula no Copom até o final do ano.
Há uma preocupação no mercado financeiro sobre a possível repetição dos problemas enfrentados durante a administração de Dilma Rousseff.
Naquela época, uma série de reduções na taxa de juros “na marra” levou a expectativas inflacionárias que ultrapassaram as metas estabelecidas.
Nesse contexto, é apropriado falar em "crise" de credibilidade atualmente, e o BC não pode ser eximido de sua parcela de responsabilidade.
A unanimidade entre os membros do Comitê de Política Monetária (Copom) para manter a taxa Selic em 10,50% na reunião de quarta-feira poderia marcar um passo importante na recuperação da confiança na instituição.
Pausar o ciclo de reduções na taxa de juros agora poderia responder eficazmente ao desalinhamento das expectativas inflacionárias e às incertezas do mercado sobre o compromisso da futura administração do Banco Central com a meta de inflação.
É fundamental não interpretar mal minha posição: acredito que haverá novas reduções nas taxas de juros, mas estas devem ocorrer mais adiante, e não de imediato.
Para que essa medida seja viável, é necessário que ocorra uma redução nas taxas de juros nos Estados Unidos, o que é esperado para o segundo semestre deste ano, além de uma política fiscal mais coerente e minimamente responsável.
É válido questionar os altos níveis dos juros no Brasil. No entanto, uma redução forçada da Selic poderia, paradoxalmente, resultar em taxas ainda mais altas no futuro. Justamente o que ocorreu em nosso passado recente.
Se as expectativas de inflação estão aumentando, os agentes econômicos antecipam o crescimento dos preços futuros, alimentando a inflação presente.
A combinação de uma política fiscal excessivamente permissiva e uma política monetária que seja subserviente ou excessivamente arriscada leva à valorização do dólar.
Esse aumento afeta inicialmente os preços dos produtos importados e, posteriormente, se propaga ao restante da economia através do efeito da variação cambial.
Diante dessa situação, o Banco Central é compelido a responder, resultando eventualmente em um aumento das taxas de juros.
Recentemente, Fernando Haddad e Simone Tebet propuseram uma ampla revisão das despesas públicas, uma iniciativa que inicialmente foi recebida com otimismo, mas que rapidamente perdeu força com falas estranhas do presidente Lula e de seu partido.
Não podemos mais nos esconder: se quer corte de juros, precisa cortar gastos.
Para implementar políticas sociais eficazes, é essencial que as finanças públicas estejam organizadas.
Se nosso objetivo é alcançar taxas de juros mais baixas, é crucial garantir que o BC opere de maneira estritamente técnica e cautelosa.
Funciona paradoxalmente como um conservadorismo necessário.
Isso não apenas ajudaria a reancorar as expectativas inflacionárias, mas também permitiria uma política monetária mais flexível no futuro.
O caminho até lá, porém, apresenta desafios significativos.
Por Paulo Nascimento Filho, empresário, assessor de investimentos pela Ancord, influenciador e criador de conteúdo sobre finanças e educação financeira.
*Onde investir enquanto os juros não caem? Sendo possível que o Copom opte por manter a taxa Selic em 10,50%, o melhor a se fazer é investir em empresas sólidas e resilientes. Clique AQUI e confira gratuitamente a carteira completa recomendada pelo BTG Pactual.
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