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Cenário macro para 2º semestre


  • Olhar Econômico
  • 06 de Julho de 2022 | 07h37
 Foto: Reprodução
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A primeira parte de 2022 ficou para trás — mas a percepção de risco segue deixando um gosto amargo. Inflação em alta no mundo, juros cada vez mais elevados, risco de recessão econômica global, guerra, barril de petróleo acima de US$ 100 etc.

Mas, como águas passadas não movem moinhos… o que podemos esperar daqui para frente? O que vai mexer com as suas aplicações nos próximos seis meses?

No Brasil, a inflação de dois dígitos acumulada em 12 meses pelo IPCA, encontra-se nesses patamares desde setembro do ano passado. Assim, o Banco Central vem elevando a taxa básica de juros — com mais frequência que o esperado pelos analistas de mercado no começo de 2022, é verdade. Com a Selic em campo, o controle na alta de preços começa a ser sentida: a inflação acumulada desacelerou de abril para maio.

Ao mesmo tempo, o Produto Interno Bruto (PIB) tem surpreendido para cima, o que provoca todo tipo de especulação sobre o futuro da economia brasileira. Quando é que o ciclo dos juros termina? Nesta conjectura, entra também a incerteza provocada pelas eleições presidenciais em outubro. E é com esse cenário que o investidor brasileiro se depara na segunda metade de um ano atípico — a guerra na Ucrânia e o “pós-pandemia”, já conhecidos, completam o quadro.

No ano passado, enquanto nos Estados Unidos insistia-se em dizer que a inflação era transitória, no Brasil a postura adotada foi outra. Para muitos, a memória da hiperinflação está bem vívida. E isso fez o Brasil ser um dos primeiros a iniciar a normalização da política monetária.

No mundo todo, a inflação em alta é uma combinação do choque de oferta de commodities provocado pela guerra a um excesso de demanda provocada pela reabertura após a vacinação contra a Covid-19.

Como já abordado por esta coluna, a alta de preços das commodities pode beneficiar o Brasil no médio-longo prazo. Com a Rússia sofrendo todo tipo de sanção econômica e a Ucrânia diariamente bombardeada, os países tendem a buscar fornecedores de commodities mais pacíficos. A prova de que o Brasil está numa posição beneficiada no cenário macroeconômico global é o resultado do PIB.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB cresceu 1% no primeiro trimestre de 2022 o que provocou revisões das estimativas para o crescimento do país neste ano. Grandes bancos como Goldman Sachs, Bank of America e Credit Suisse, elevaram suas projeções para o crescimento de nossa economia.

Aqui vale uma ressalva. O resultado não veio da agropecuária, que caiu 0,9%, ou da indústria, que avançou apenas 0,1%. A força da economia veio dos serviços, com alta de 1%, influenciada pela retomada da demanda.

Ao mesmo tempo, os países desenvolvidos têm se surpreendido com crescimento menor do que o esperado. Nos EUA, o PIB se contraiu 1,6% no primeiro trimestre de 2022. Mas, uma fragilidade da economia americana, poderia significar um desastre para o Brasil?

No primeiro semestre, os principais índices da bolsa americana sofreram: o Dow Jones recuou 15%, o S&P 500 16% e o Nasdaq 29,5%. Já o Ibovespa, quando medido em dólares, subiu 3,9% no mesmo período; vale destacar, no entanto, que o principal índice da bolsa doméstica acumula queda de 5,8% em reais. A bolsa brasileira está sim barata, mas ainda falta um gatilho que a faça virar e, talvez, esse evento dependa do próximo governo.

Nas pesquisas de intenção de voto, a disputa pelo Palácio do Planalto vai se desenhando entre o ex-presidente Lula e o atual Jair Bolsonaro. A classe política parece ainda não ter sido capaz de produzir um terceiro candidato competitivo até aqui. A verdade é que a poucos meses das eleições presidenciais, pouco se falou sobre os programas econômicos dos principais candidatos. A incerteza paira por não se ter clareza sobre a política fiscal do próximo ano. Lula diz que não quer o teto de gastos. Bolsonaro diz que vai continuar com o teto, mas, ao mesmo tempo, ele já o furou algumas vezes.

Nesse sentido, na semana passada, a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Combustíveis foi interpretada por analistas de mercado como o fim do teto de gastos. A PEC permite aumentar o valor do Auxílio Brasil, o vale-gás e estipula um benefício para caminhoneiros e taxistas.

O pacote de riscos para o segundo semestre já estaria refletido no câmbio? A segunda metade do ano sempre é tipicamente mais negativa para o câmbio, ainda mais num ano de eleição. A lógica seria com as commodities subindo que o câmbio se aprecia-se, não o contrário. Analistas de mercado estimam que o dólar encerre o ano cotado a R$ 5,20. Mas há a possibilidade de que os riscos mencionados até agora surpreendam para o lado positivo.

Caso haja alguma calmaria no preço da energia e das matérias-primas em geral lá fora, isso pode fazer com que a situação de inflação melhore e o Banco Central possa reduzir os juros mais cedo. Afinal, os riscos não podem ser analisados somente como algo negativo.

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