A nada mole vida de um treinador no futebol brasileiro não é fácil. O imediatismo por resultados enraizado em terras tupiniquins é fruto de uma falta de planejamento técnico da grande maioria dos clubes.
Em 2022 por exemplo, o nosso futebol não vive dias diferentes. Ainda neste começo de Brasileirão, Umberto Louzer, ex-técnico do Atlético-GO, foi mais um a ser demitido na Série A. Depois da derrota do Dragão 2 a 0 para o Atlético-MG, o clube goiano anunciou o desligamento do treinador, que foi campeão estadual pela equipe nesta temporada. Fato que também aconteceu com Pintado, que foi mandando embora do Cuiabá após eliminação para o Atlético-GO na terceira fase da Copa do Brasil, porém o mesmo também foi campeão estadual esse ano.
Citei dois exemplos de clubes considerados pequenos, clubes que não tem pretensão grandiosa nessa temporada, além de sobreviver nas competições que disputam, como é o caso do Atlético-GO que ainda segue vivo na Copa Sul-Americana, apesar de ter uma pedreira nas oitavas, que é o Olímpia, do Paraguai.
Esses são alguns exemplos de tantas demissões que já aconteceram e que ainda vão acontecer. Mas voltando ao título da reflexão dessa coluna: Zé Ricardo fez certo ao sair do Vasco? Vamos voltar um pouco no tempo. No jogo mais difícil do Campeonato Carioca, que foram as semifinais contra o Flamengo, o Vasco da Gama fez o jogo que dava pra fazer. Em 180 minutos tomou "apenas" dois gols. Digo apenas, pois naquela altura do campeonato, o Vasco não era nem um pouco confiável no setor defensivo, apesar do segundo jogo ter sido até mais parelho, com o Vasco tendo boas chances.
Pois bem, alinhado a isso chega a depressiva e curta Copa do Brasil. Sinceramente? Foi até onde dava pra ir. Se passa-se pela Juazeirense, poderia pegar o Palmeirense na outra fase. Eu acredito em milagres, até um determinado ponto.
O início do Campeonato Brasileiro da Série B foi repleto de dúvidas e pedidos de "Fora Zé" por parte da torcida. Com muitos empates, pouca criatividade e dinâmica de jogo quase que zero, os jogos foram se passando, o time ficou um pouco mais sólido defensivamente, mas o ataque ainda pouco criava/cria.
Chegamos então ao último jogo de Zé, contra o Grêmio, na quinta-feira (02). No pior dos cenários, se Diego Souza tivesse uma chance seria gol, fato que não ocorreu com o Brusque, que teve algumas oportunidades no jogo anterior e não aproveitou. Provavelmente o Grêmio tem os melhores onze titulares de toda a série b, porém a postura do Vasco em campo não permitiu que o tricolor jogasse bem em São Januário.
Méritos para o Zé Ricardo, que tirou leite de pedra de alguns jogadores, ou alguém colocava fé em boas atuações de Anderson Conceição, Quinteiro, Gabriel Dias e Edimar? Talvez os únicos com mais certeza de dar certo era o goleiro Thiago Rodrigues e o volante Yuri, que já tinham feito uma boa temporada pelo CSA.
A verdade é que o Zé Ricardo sai em um momento de ascensão do Vasco na Série B. O time é o único invicto da competição e está em 4º lugar, com 18 pontos. Ao todo, foram 25 jogos, com 12 vitórias, oito empates e cinco derrotas, até a publicação desta coluna, é claro!
Analisando todos esses fatores, frisando o imediatismo dos clubes brasileiros, sabendo da limitação técnica do Vasco, e tendo ele a devida noção que a 777 poderá pintar em breve, e com eles um novo projeto poderá se iniciar, eu tenho certeza que o Zé, em termos de carreira (estou falando da grana), tomou uma boa decisão!
A proposta do Shimizu S-Pulse, do Japão, fatalmente dará uma segurança econômica por um bom tempo. Você recusaria isso sabendo que poderia ser mandato embora da noite para o dia? Não adianta a gente querer romantizar o futebol, o "jogar ou treinar por amor" já acabou faz tempo. Na nada mole vida de um treinador que atua no Brasil, Zé Ricardo fez certíssimo!
Fontes: Goal.com e GE.com
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