A redução do calado (profundidade) do canal de navegação do Porto de Santos – SP, tem causado transtornos para navios destinados as operações de granéis líquidos químicos.
A falta de condições para atracação gera sobre estadia, que é a multa cobrada por exceder o tempo de permanência em um porto conforme estipulado na carta-partida.
Os valores variam de US$ 20 mil a US$ 35 mil por dia (R$ 83 mil a R$ 145 mil). O prejuízo total estimado já atinge US$ 5 milhões (R$ 20,7 milhões).
Ao menos 14 navios já cancelaram a vinda ao porto, que tem fila de 15 dias. O problema ainda pode aumentar com a chegada de novas embarcações.
Somente uma agência marítima de Santos acumulou prejuízos de aproximadamente US$ 1,7 milhão (R$ 7 milhões).
O prejuízo é provocado pelo assoreamento (depósitos de sedimentos) no leito do canal, que resultou na redução do calado operacional (parte do navio que fica submersa) em berços de atracação de navios na Alemoa e na ilha Barnabé. Na Alemoa o calado do ponto de atracação foi reduzido de 10,9 m para 10,2 m e na ilha de Barnabé a diminuição foi ainda maior, de 10,2m para 9 m e a situação começa a ficar muito crítica. Dos quatros berços públicos localizados na Alemoa apenas um funciona normalmente.
Isso diminui para 3 o número de pontos para atracação das embarcações. As obras de dragagens estão suspensas desde abril, e o porto já está há 10 anos sem uma dragagem decente para as suas reais necessidades.
O Porto de Santos tinha um calado natural em torno de 13 m e dragado foi para 16m, já o Porto do Açu tem um calado natural de 16 m e dragado foi a 25m e isso torna o nosso porto o maior calado das Américas. Ainda podemos ressaltar que o fundo do canal de Santos é de argila mole (lama) e fica muito suscetível as variações de marés e o aqui no Açu o fundo é de areia o que demora mais a necessidade de dragagem.
Em 2014 o canal de penetração do porto do Açu, foi dragado para 20,5m para a exportação de minérios e assim atender a FERROPORT (não há necessidade de mais profundidade para o tipo de navios utilizados por eles), em 2016 com a chegada no petróleo no Açu se fez necessário uma nova dragagem para se chegar a 25m em 2017. Vale ressaltar que essa dragagem foi feita em tempo recorde de 10 meses entre a obra e a homologação junto a Marinha do Brasil. Hoje 25% da exportação de petróleo do Brasil é feita pela empresa AÇU PETRÓLEO através do Complexo Portuário do Açu. Tudo isso no canal de penetração do T1. Já o canal do T2 (outra obra fantástica) penetrou no território com cota zero de profundidade e hoje se encontra todo ele com 14,5m de calado. O T2 começou a ser dragado em 2011 e terminou em 2014. Nesse canal se encontra grandes empresas do ramo de petróleo à nível mundial, como : Wartsila, Technip FMC, NOV, Intermoor, Dome, Edison Chouest.
Segundo o SINDAMAR (Sindicato das Agências de Navegação Marítima de São Paulo), o melhor caminho seria fazer a contratação emergencial para serviço de dragagem e paralelamente colocar uma licitação no mercado. A situação é muito grave e o porto perde cargas para o porto de Paranaguá. A CODESP (Companhia Docas do Estado de São Paulo) foi alertada há alguns meses pelo sindicato, porém ainda não decidiu qual seria a melhor solução para o problema.
Esse problema do porto de Santos pode vir a abrir um novo mercado para o nosso porto porém o Governo Federal tem que fazer a sua parte e ajudar a concretizar a ferrovia Vitória – Rio de Janeiro (EF -118) . Ela terá 577,8 km e ligará Cariacica a Nova Iguaçu , atendendo ao porto Central e ao porto do Açu.
A falta de boas estradas e de uma ferrovia, torna hoje o maior problema de escoamento para futuras importações pelo Açu. Temos calado, temos uma retro área sem igual no Brasil e uma excelente localização no país (temos aos nossos pés RJ, ES, MG e SP) , mas precisamos de uma infraestrutura de transporte mais eficaz para nos tornar o maior Porto das Américas.
O Complexo Portuário do Açu será a salvação do Norte Fluminense e talvez do Estado do Rio daqui há alguns anos quando o petróleo realmente se acabar.
Forte Abraço, e até a próxima semana, VICTOR AQUINO.
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