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Atafona: Contenção tem projeto e custo ultrapassa R$ 100 milhões

Desde a década de 1970, o mar já destruiu 200 construções


  • Cidades
  • 21 de Junho de 2017 | 13h31 | Por: comercial
 Fotos: Divulgação / Paulo Pinheiro
Fotos: Divulgação / Paulo Pinheiro

A obra para a contenção do mar de Atafona, em São João da Barra, é possível e foi orçada entre R$ 140 a R$ 180 milhões. O projeto considerado complexo pela prefeitura, aumentaria a faixa de areia em até 100 metros.

Há três anos, a equipe de engenharia do Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH) elaborou o projeto que recuperaria quatro quilômetros de praia no sentido Atafona – Grussaí.

O assunto voltou a ser destaque na região depois que o mar avançou 10 metros e destruiu um bar. O grupo SOS Atafona, que busca recursos para a solução do litoral, reúnem documentos que comprovam a necessidade da intervenção.

Essa imagem do projeto revela como acontece a variação da condição da praia em cada trecho. A linha vermelha está na região mais instável e com maior erosão. A linha amarela indica uma estabilidade dinâmica e a verde mostra a região recente de progradação, onde há ampliação da praia.

Já do lado direito, a linha amarela representa a tendência que o alinhamento da praia tem de alcançar para se tornar estável em relação à ação das ondas.

O avanço do mar, desde a década de 1970, tomou aproximadamente 15 quadras e destruiu 200 construções. Toda essa área é equivalente a quase 800.000 metros quadrados.

O geógrafo, Eduardo Bulhões, explicou que uma das soluções seria a obra de um quebra-mar, como aconteceu na cidade de Conceição da Barra, no estado do Espírito Santo.

“Existem de fato soluções de engenharia costeira para estabilizar o processo de erosão costeira/avanço do mar. Não conheço os detalhes técnicos do projeto do INPH. No entanto eu acredito que as obras de defesa do litoral que devem ser dimensionadas para conter a erosão em Atafona devem considerar uma estrutura que proteja o litoral da ação das ondas (quebra-mar destacado) e que interrompam o fluxo das areias que saem de Atafona em direção ao sul (molhe/espigão perpendiculares à costa). Há ainda talvez a necessidade de intervenções como a recuperação artificial de praias (ou engordamento de praia) que consiste em trazer areias de outra localidade para preencher o pontal arenoso de Atafona com sedimentos. No entanto, por se tratar de um litoral exposto a influência da dinâmica fluvial e da dinâmica marinha tratam-se de obras complexas e muito caras o que demandariam recursos vultuosos e acompanhamento periódico para a obtenção de sucesso.”

Ele explicou ainda que apenas duas causas determinam a erosão costeira: Dinâmica Fluvial e Dinâmica Marinha. “Na Dinâmica Fluvial, as alterações no volume de água e sedimentos (areias) que chega até a foz varia e aparentemente vêm diminuindo nas últimas décadas. Essa dinâmica é importante pois é o volume de areias que chega até o litoral o responsável por abastecer Atafona com areias e manter a foz estável. Na Dinâmica Marinha, as ondas vindas de todas as direções, seja em condições de tempo bom com ondas de Leste e Nordeste, seja em condições de tempestade com ondas de Sul e Sudeste concentram a sua energia na ponta sul da foz, na localidade de Atafona”, destacou Eduardo.

A prefeitura de São João da Barra informou que devido ao elevado custo financeiro para execução do projeto, o Governo Municipal através da Sr.ª Prefeita Carla Machado, realizou a entrega do referido documento, no dia 05 de junho de 2017, ao Deputado Rodrigo Maia, Presidente da Câmara dos Deputados, na busca de alocação de recursos no orçamento da União junto aos Ministérios da Integração Nacional e das Cidades para essa grandiosa obra de contenção do mar.

Os recursos financeiros são imprescindíveis para a implantação do Projeto, mas teremos que possuir também a Licença Ambiental do Órgão Competente, INEA – Instituto Estadual do Ambiente, mediante a elaboração do EIA – Estudo de Impacto Ambiental e de seu RIMA – Relatório de Impacto Ambiental, documentos esses que serão analisados para viabilidade ambiental das obras de dragagem e aterro hidráulico para a proteção e restauração da praia de Atafona, pelo referido Órgão licenciador.

A Dragagem no segmento do Rio Paraíba do Sul, no local popularmente conhecido como "São João", especificamente na "Ilha do Cardoso" é uma das ações de intervenção do processo erosivo, que tem como objetivo ampliar a vazão do Rio Paraíba do Sul e amenizar os problemas causados por seu assoreamento, principalmente a diminuição hídrica, no qual o Rio Paraíba vem perdendo força, principalmente na sua foz, e automaticamente o mar vem avançando de forma desenfreada sobre suas águas, causando destruição de algumas áreas pelo processo erosivo e gerando grande instabilidade socioeconômica e ambiental na região.

 A Dragagem do Rio Paraíba do Sul, no trecho acima citado, é uma ação necessária em paralelo com o Anteprojeto do INPH, sendo ações tratadas separadamente, incluindo o Licenciamento Ambiental.

 A Prefeitura, representada pela Secretaria de Meio Ambiente, lançou um abaixo-assinado, que ficará disponível no site http://www.sjb.rj.gov.br e em um estande durante os festejos de São João Batista. A meta é atingir, pelo menos, 20 mil assinaturas para que o documento seja enviado aos Ministérios das Cidades, da Integração Nacional, Câmara dos Deputados, Senado Federal, Governo do Estado e Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Com a iniciativa, o poder público municipal e a sociedade esperam sensibilizar as autoridades competentes para uma análise emergencial e que medidas sejam tomadas para solucionar de forma definitiva a situação, se estendendo à praia do Açu, onde o avanço também vem acontecendo de forma recorrente.

Assim ficou a obra em Conceição da Barra, no Espírito Santo:

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