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Prefeitura e setor produtivo se unem para buscar retomada dos voos comerciais no Bartolomeu Lisandro

O tema foi debatido numa reunião na manhã desta terça-feira (20) na sede da Regional Norte Fluminense da Federação das Indústrias


  • Geral
  • 20 de Outubro de 2026 | 18h36 | Por: Lucas Arantes
 Foto: Gustavo Araújo / Secom Campos
Foto: Gustavo Araújo / Secom Campos

A Prefeitura de Campos vai articular a criação de uma comissão — formada por representantes do setor público e privado — para buscar a retomada dos voos comerciais no Aeroporto Bartolomeu Lisandro. O tema foi debatido numa reunião na manhã desta terça-feira (20) na sede da Regional Norte Fluminense da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Participaram representantes da Prefeitura de Campos, da Infra Operações Aeroportuárias (concessionária responsável pela administração do aeroporto), especialistas em infraestrutura e transporte e representantes da Firjan, do Porto do Açu, da Associação das Indústrias da Codin (AIC) e da Câmara de Dirigentes Lojistas de Campos (CDL-Campos).

O Bartolomeu Lisandro conta com um terminal de passageiros de 1.200 metros quadrados, que atende tanto à aviação comercial quanto às operações do setor offshore na Bacia de Campos. Sua pista, pavimentada, é a terceira maior do estado do Rio de Janeiro, com 1.544 metros de comprimento e 45 metros de largura. A concessão é administrada pela Companhia de Desenvolvimento do Município de Campos (Codemca).

Apesar dessa estrutura, o aeroporto opera sem voos comerciais regulares desde março de 2025, quando foi suspensa a rota que ligava Campos ao Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP). A operação era feita pela Azul, que atribuiu a decisão ao aumento dos custos operacionais, à necessidade de ajustes na frota e à adequação da oferta à demanda, no contexto de uma revisão de rotas em diferentes regiões do país.

O cenário regional, no entanto, apresenta novas perspectivas para a aviação comercial. Recentemente, a Latam anunciou operações ligando os aeroportos de Macaé e Cabo Frio ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, com aeronaves Embraer modelos E175 e E195.

Segundo o superintendente do aeroporto pela Infra, Samuel Ferraz, a ênfase inicial da concessão foi em segurança operacional, implantação de sinalização, revitalização da pista e saneamento de não conformidades. Ferraz garantiu que a pista do Bartolomeu Lisandro tem capacidade para suportar aeronaves do porte do Embraer 175 e 195. Também afirmou que a empresa tem feito reuniões periódicas com representantes da Latam e da Azul. “Vejo muita convergência na estrutura que oferecemos e o que as companhias aéreas esperam”. O superintendente sugeriu que também haja maior participação do setor produtivo, a exemplo do que foi feito no processo de revitalização do Aeroporto de Macaé.

O presidente da Codemca, Afrânio dos Santos Júnior, destacou que vem mantendo, em parceria com a Infra, uma agenda contínua de reuniões com as companhias aéreas e com a Petrobras, buscando alternativas para fortalecer o aeroporto e viabilizar o retorno dos voos. Ele defendeu que haja um alinhamento interno para organizar as informações e preparar os próximos passos antes de um novo encontro com as instituições envolvidas. “Para avançarmos, considero fundamental que o diálogo seja conduzido com respeito institucional e conhecimento do trabalho já realizado. Nosso compromisso é reunir esforços com o setor produtivo e buscar as condições necessárias para que Campos volte a contar com voos regulares, fortalecendo a economia do município e da região”.

O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Energia e Inovação, Felipe Knust, colocou-se à disposição para contribuir com o processo. “Queremos avançar, com a Infra cumprindo seu papel. O município tem total interesse no modal aéreo, que tem um potencial enorme para alavancar negócios em Campos”.

Conselheiro regional da Firjan e participante ativo do processo de ampliação do Aeroporto de Macaé, José Walmir Dias foi um dos participantes da reunião. Segundo ele, o movimento em Macaé teve início por volta do ano de 2010. Com mobilização de lideranças políticas e empresariais, a Empresa Nacional de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) concedeu o aeroporto à Zurich Airport, que construiu uma segunda pista — capaz de receber aeronaves de grande porte. “É importantíssimo que haja interesse das entidades empresariais de Campos e região. Não é fácil, mas a gente não pode ficar dependendo de terceiros”, disse.

Especialista de Estudos e Competitividade da Firjan, Rafael Poubel destacou que, apesar do aumento nos custos do querosene de aviação ocorrido no último ano, o tráfego aéreo no Brasil voltou a crescer. “Recentemente, tivemos um movimento da Azul e da Gol pela retomada das rotas regionais. A Azul se reestruturou e também começa a discutir a retomada de rotas. Precisamos fazer um business case (documento que apresenta e justifica uma proposta de negócio) sobre o aeroporto de Campos para levar às empresas aéreas”, observou Poubel, destacando o grande potencial de Campos para atração de passageiros devido ao avanço do setor logístico e da proximidade com o Porto do Açu.

Pela Prefeitura de Campos, participaram da reunião o presidente da Codemca, Afrânio dos Santos Júnior; o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Energia e Inovação, Felipe Knust; seu chefe de gabinete, Marcelo Arêas; o secretário municipal de Relações Institucionais, Mauro Silva; e o assessor especial de Desenvolvimento Estruturante, Geraldo Coutinho.

A Firjan foi representada por Rafael Poubel; pelos conselheiros José Walmir Dias e Leonardo Braga Dutra e pela coordenadora regional de Relacionamento, Patrícia Daldegan. Pela Infra, participaram Samuel Ferraz e o superintendente do Heliporto do Farol de São Tomé, Rosimar Tavares. Pelo Porto do Açu, participaram o gerente de Relações Institucionais, Wanderson Primo, e a analista de Relações Institucionais Fernanda Corrêa. Também estiveram presentes o presidente da AIC, Ramon Goulart; o presidente da CDL-Campos, Fábio Paes; e o especialista em inovação e comunicação Tarcísio Viana.

Fonte: Secom / Campos 

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