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Garotinho diz que "crime e corrupção" venceram após decisão do TSE que anulou seus votos no RJ

A decisão desta quinta-feira, 8, deve encerrar a eleição do Rio de Janeiro no primeiro turno


  • Política
  • 08 de Outubro de 2026 | 16h09 | Por: Lucas Arantes
 Foto: Reprodução / Rede Social
Foto: Reprodução / Rede Social

O ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) afirmou que "o crime e a corrupção venceram" após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anular os 274.411 votos recebidos por ele no primeiro turno das eleições.

A decisão desta quinta-feira, 8, deve encerrar a eleição do Rio de Janeiro no primeiro turno, abrindo caminho para a vitória de Douglas Ruas (PL) sobre Eduardo Paes (PSD).

Segundo Garotinho, "as instituições estaduais estão apodrecidas. Parte do executivo, legislativo, judiciário, órgãos de controle, parte das polícias, grande parte das prefeituras e câmaras municipais."

"O crime organizado e a corrupção tomaram o controle das áreas estratégicas do Estado. Somente alguém com conhecimento desse quadro e coragem para mudá-lo pode evitar o agravamento dessa situação vergonhosa. Eu me preparei para ser essa pessoa. Tive a coragem de denunciar tudo e mostrar para a população o caminho a seguir. Eu tentei. Mas o crime e a corrupção venceram. Fiz minha parte, paguei e pago um alto preço por minha escolha de não ceder às tentações do poder paralelo que controla nosso estado. Sei dos riscos que corri e ainda corro. Mas nunca me chamarão de covarde", afirmou.

A princípio, Ruas e Paes disputariam o segundo turno. Ruas liderou a votação, com 4.271.199 votos (49,27% dos válidos), contra 3.706.984 de Paes (42,76%). Garotinho teve 274.411 votos (3,17%), anulados pelo TSE nesta quinta-feira.

Com a anulação, eles são excluídos da base de cálculo dos votos válidos e Ruas passa a ter aproximadamente 50,9%, o que possibilita sua eleição em primeiro turno.

Entenda a controvérsia

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) negou o registro de Garotinho em 11 de setembro, entendendo que o ex-governador ainda teria os direitos políticos suspensos por condenação por improbidade administrativa. A controvérsia gira em torno do início da contagem dos oito anos de inelegibilidade previstos na Lei da Ficha Limpa. A condenação tem origem no período em que Rosinha Matheus, mulher de Garotinho, governava o Estado e ele chefiava a Secretaria de Governo.

Garotinho recorreu da decisão e, na reta final da eleição, o caso teve decisões divergentes. Em 2 de outubro, Floriano Marques revogou uma liminar favorável a Garotinho, mantendo seus votos anulados sub júdice. No dia da votação, 4 de outubro, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, determinou que os votos continuassem a ser contabilizados até o julgamento definitivo pelo plenário.

Um dia após o primeiro turno, no entanto, o ex-governador formalizou a desistência do recurso. No pedido, disse abrir mão do processo de forma "livre, expressa, consciente e irretratável". No mesmo dia, o ministro Floriano Marques de Azevedo deu dois dias para o Ministério Público se manifestar. Em 6 de setembro, a Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) recomendou aceitar a desistência e, se ela não for homologada, rejeitar o recurso, mantendo o indeferimento da candidatura.

O Tribunal não acolheu a desistência do recurso de Garotinho, mas anulou os votos. Douglas Ruas passa a ter aproximadamente 50,9% dos votos válidos, porcentual suficiente para vencer a disputa pelo governo do Rio no primeiro turno.

Fonte: Estadão Conteúdo 

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