O Hospital Ferreira Machado (HFM), em Campos dos Goytacazes, Norte Fluminense, registrou 32 atendimentos relacionados a acidentes com animais peçonhentos entre janeiro e agosto de 2026. Os casos envolveram principalmente escorpiões, serpentes e aranhas.
Os dados foram pedidos pelo Jornalismo do NF Notícias em meio ao monitoramento realizado pela Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) diante das mudanças nas condições climáticas previstas para os próximos meses. O acompanhamento é feito pela Coordenação de Vigilância Ambiental, que avalia o cenário no estado e pode emitir alertas às Secretarias Municipais de Saúde para reforçar as medidas de prevenção e resposta.
No HFM, os escorpiões foram responsáveis pelo maior número de atendimentos no período, com 18 registros. Na sequência aparecem as serpentes, com oito casos, e as aranhas, com seis.
A distribuição dos atendimentos ao longo dos meses foi a seguinte: cinco em janeiro, oito em fevereiro, dois em março, três em abril, dois em maio, dois em junho, quatro em julho e seis em agosto.
Fevereiro concentrou o maior número de registros, com oito atendimentos, sendo três envolvendo aranhas, três serpentes e dois escorpiões. Em agosto, os seis atendimentos registrados foram relacionados a escorpiões.
Clima pode influenciar comportamento dos animais
Segundo a SES-RJ, as condições climáticas podem alterar o comportamento dos animais peçonhentos e, consequentemente, aumentar o risco de contato com a população.
Mudanças de temperatura e nos períodos de chuva e estiagem podem interferir nos deslocamentos, na busca por alimento e na reprodução desses animais. Como dependem de fontes externas de calor para regular a temperatura corporal, eles são especialmente influenciados pelas condições do ambiente.
Chuvas intensas e enchentes também podem provocar alterações nos habitats, fazendo com que esses animais procurem locais secos, seguros e com disponibilidade de alimento, inclusive em áreas urbanas.
Cuidados ajudam a evitar acidentes
Para reduzir o risco de contato com animais peçonhentos, a orientação é manter quintais e áreas externas limpos e evitar o acúmulo de entulhos, folhas, madeira e materiais de construção.
Também é recomendado tampar ralos e caixas de gordura, além de vedar frestas em portas e paredes. É importante redobrar a atenção ao manusear roupas, calçados e materiais que ficaram armazenados ou tiveram contato com água ou lama.
Durante a limpeza ou o manuseio de materiais que possam servir de abrigo para esses animais, recomenda-se o uso de calçados fechados e luvas de raspa de couro.
O que fazer em caso de acidente
Em caso de acidente com serpentes, escorpiões ou aranhas, a orientação é procurar atendimento médico o mais breve possível.
O HFM é unidade de referência para esse tipo de atendimento. Na unidade, a equipe avalia o tipo de acidente, a lesão, os sinais e sintomas e a gravidade do quadro, além de verificar a necessidade de administração de soro antiveneno específico.
Os sinais e sintomas podem variar de acordo com o animal envolvido, a quantidade de veneno inoculada e o tempo entre o acidente e o atendimento. Os quadros podem variar desde dor e alterações locais até manifestações mais graves, incluindo choque.
Enquanto busca atendimento, a orientação é lavar o local da picada com água e sabão e evitar a aplicação de substâncias ou produtos sobre a lesão. A recomendação é procurar atendimento especializado o quanto antes.
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