Google News HOME
PMSJB

El Niño e mudanças climáticas acendem alerta para o avanço de arboviroses

Em Campos, embora o cenário atual seja considerado controlado, a Secretaria Municipal de Saúde reforça as medidas de monitoramento


  • Geral
  • 27 de Julho de 2026 | 18h09 | Por: Lucas Arantes
 Foto: CCZ / Divulgação
Foto: CCZ / Divulgação

As mudanças climáticas provocadas pelo fenômeno El Nino podem favorecer o aumento da circulação de arboviroses, como dengue, zika e chikungunya em diversas regiões do Brasil. Diante desse cenário, o Ministério da Saúde emitiu um alerta na última quarta-feira (22) aos estados e municípios para intensificação das ações de vigilância e prevenção. De acordo com projeções desenvolvidas pelo InfoDengue/Fiocruz, o país poderá registrar cerca de 1,7 milhão de casos de dengue em 2027. Em Campos, embora o cenário atual seja considerado controlado, a Secretaria Municipal de Saúde reforça as medidas de monitoramento e orienta a população a manter os cuidados para eliminar criadouros do mosquito Aedes aegypti.

Segundo o subsecretário de Vigilância em Saúde, Rodrigo Carneiro, as alterações climáticas influenciam diretamente o comportamento das doenças transmitidas por vetores, alterando a sazonalidade dessas enfermidades.

“As zoonoses e as arboviroses sofrem forte influência das condições ambientais. Quando ocorrem eventos climáticos fora do padrão esperado para determinada época do ano, aumenta o risco do aparecimento de doenças que normalmente não seriam registradas naquele período. O El Nino pode modificar significativamente os índices de pluviosidade, além de causar temperaturas acima da média e ondas de calor frequentes, criando condições favoráveis para a proliferação do Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e Chikungunya”, explicou.

Rodrigo destacou que Campos recebeu o alerta do Ministério da Saúde, mas ressaltou que, neste momento, o município não enfrenta surto de dengue. “Campos viveu uma grande epidemia em 2024 e, por ter sido um evento recente, parte significativa da população desenvolveu proteção contra a doença. Além disso, o município realiza a vacinação contra a dengue dos adolescentes de 10 a 14 anos. Esse conjunto de fatores representa uma importante barreira de proteção para a população”, afirmou.

O subsecretário também lembrou que o último Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa) não apontou risco elevado para epidemia no município. No entanto, diante das condições climáticas previstas, a vigilância permanece intensificada.

“Apesar do cenário favorável, o alerta do Ministério da Saúde exige atenção. Pode haver aumento do número de casos e, por isso, seguimos monitorando a situação de forma permanente. Reforçamos que os adolescentes que ainda não receberam a vacina devem procurar nossos postos de vacinação para se imunizar. A vacina atualmente disponível na rede pública para essa faixa etária é a Qdenga, que é segura, eficaz e segue sendo aplicada normalmente em todo o país. É importante esclarecer que a suspensão anunciada pelo Ministério da Saúde refere-se à vacina do Instituto Butantan, que não tem relação com a Qdenga, que continua sendo recomendada para os adolescentes contemplados pela campanha”, ressaltou.

O coordenador do Programa Municipal de Controle de Vetores (PMCV), Claudemir Barcelos, destacou que o enfrentamento ao mosquito depende tanto das ações do poder público quanto da participação da população. “A eliminação dos criadouros continua sendo a principal forma de prevenção. É fundamental manter caixas d’água bem vedadas, limpar calhas, fechar ralos, evitar o acúmulo de água em recipientes e descartar corretamente materiais inservíveis. Também é muito importante que os moradores permitam a entrada dos Agentes de Combate às Endemias em suas residências para realização das inspeções e orientações”.

Claudemir explicou ainda que o município utiliza tecnologias e estratégias de monitoramento para direcionar as ações de combate ao mosquito. “O CCZ atua de acordo com as diretrizes do Ministério da Saúde utilizando ovitrampas para monitorar a população do mosquito e identificar as áreas prioritárias para intervenção. Esses dados são associados aos resultados do LIRAa, permitindo concentrar as ações nos bairros com maior necessidade. À medida que os índices diminuem em uma região, as equipes avançam para outras localidades, reduzindo o risco de proliferação do Aedes aegypti em todo o município”, concluiu.

Desde o início da vacinação contra a dengue no município, em junho de 2025, Campos já aplicou 12.662 doses do imunizante. Desse total, 2.799 correspondem à segunda dose, etapa fundamental para completar o esquema vacinal e garantir uma proteção mais adequada contra a doença. A Secretaria Municipal de Saúde reforça que os adolescentes de 10 a 14 anos que ainda não iniciaram ou não concluíram a vacinação devem procurar uma unidade de saúde para receber o imunizante.

Fonte: Secom / Campos 

Seja o Primeiro a Comentar

Comentar

Campos Obrigatórios. *