Investigações da Polícia Federal (PF) revelam que o deputado estadual Thiago Rangel (Avante) exercia controle direto sobre postos estratégicos da Secretaria Estadual de Educação (Seeduc). De acordo com os relatórios, o parlamentar também negociava a partilha de vagas na pasta com o traficante Arídio Machado da Silva Júnior, conhecido como “Júnior do Beco”. As informações foram divulgadas inicialmente pelo RJ1, da TV Globo, nesta segunda-feira (18).
Preso preventivamente há 13 dias por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Rangel é acusado de chefiar uma organização criminosa voltada para fraudes em contratos de obras, desvios de recursos públicos na área de ensino e lavagem de dinheiro — esta última realizada por meio de empresas e de uma rede de postos de combustíveis.
"Quem manda sou eu": O controle sobre a estrutura regional
Segundo informações exibidas pela TV Globo, as provas obtidas pela PF incluem áudios e mensagens extraídos do celular de Júcia Gomes de Souza Figueiredo, ex-diretora regional de Educação do Noroeste Fluminense, que também foi presa na operação. Em um dos áudios, enviado em agosto de 2024, Thiago Rangel deixa clara a sua influência política na gestão.
“Júcia, continua aí do jeito que você tem que estar. Tudo que acontecer dentro da regional eu quero saber. Eu não tenho que dar satisfação a ninguém. O deputado sou eu. A indicação é minha e quem manda sou eu”.
Naquele período, Júcia chefiava a Regional Noroeste da Seeduc, estrutura que administra 57 escolas estaduais espalhadas por 13 municípios do Norte e Noroeste Fluminense, englobando um contingente de mais de 3.200 servidores.
Na decisão que determinou a prisão do deputado, o ministro Alexandre de Moraes referendou a tese da PF, apontando que houve uma “instrumentalização” da Secretaria de Educação para beneficiar o grupo criminoso.
O monitoramento também identificou movimentações financeiras suspeitas. Em outubro de 2024, Júcia enviou a Rangel o comprovante de uma transferência bancária no valor de R$ 100 mil, realizada pela VAR Construtora.
A reportagem da TV Globo destaca ainda que, outro desdobramento do inquérito expõe a ligação entre o deputado e o traficante "Júnior do Beco", descrito pela PF como um criminoso de "alta periculosidade", com histórico de homicídios e tráfico de entorpecentes.
As evidências foram coletadas no celular de Fábio Pourbaix Azevedo, apontado como braço direito de Thiago Rangel e também detido na ação policial. As mensagens mostram que o deputado reservou vagas de "auxiliar de serviços gerais" na rede de ensino para pessoas indicadas pelo traficante.
Nas conversas, Fábio Pourbaix solicita a Rangel o contato do criminoso para alinhar quem ocuparia os postos de trabalho. O parlamentar repassa o contato salvo como “Junior Beco” e detalha que, das oito vagas que possuía disponíveis na Educação, uma deveria ser preenchida obrigatoriamente pelo indicado do traficante.
Ao g1, a defesa de Thiago Rangel reafirmou, por meio de nota, a inocência do parlamentar. Disse que as mensagens foram tiradas de contexto e que ele não faz parte de organização criminosa, nem manteve contato ilícito com membros de facção.
Também ao g1, a Secretaria Estadual de Educação informou que está realizando uma revisão administrativa de todos os procedimentos relacionados às obras de manutenção nas escolas da rede.
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