Cassado pela Câmara do Rio por quebra de decoro parlamentar, Gabriel Monteiro se provou um forte cabo eleitoral. Mesmo investigado pela polícia e réu na Justiça por importunação e assédio sexual, o ex-vereador conseguiu transferir seus eleitores para sua irmã. Para a vaga de deputada estadual da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Giselle Monteiro, irmã do ex-vereador, recebeu 95 mil votos e foi a 10ª mais votada para uma vaga no legislativo estadual.
Este será o primeiro cargo eletivo de Giselle, que é psicóloga, mas não o primeiro no setor público. Segundo o Diário Oficial, ela ocupou de outubro de 2021 a junho de 2022 um cargo em comissão de Coordenador de Vice-Presidência da Fundação de Apoio à Escola Técnica do Estado do Rio de Janeiro (Faetec). Parte de suas atribuições era trabalhar na ouvidoria do órgão.
Psicóloga, Giselle Monteiro também trabalhou como cerimonialista em casamentos, festas e eventos corporativos. Durante sua campanha à deputada utilizou a imagem do irmão cassado como principal cabo eleitoral. Tanto nas ruas — onde participou de caminhadas com o ex-vereador e seu pai, eleito deputado federal — quanto nas redes, a principal promessa é repetir um perfil "fiscalizador" que Gabriel Monteiro popularizou nas ruas.
Em diversas fotos redes, Gabriel Monteiro aparecia fazendo o tradicional gesto de apoio de uma corrida eleitoral: ao lado da irmã apontado com o dedo indicado para ela. No grupo de WhatsApp da campanha com os apoiadores, Giselle também postava vídeos com o irmão.
— Giselle Monteiro, mãe, psicóloga e irmã do Gabriel Monteiro. Juntos fiscalizaremos por vocês — dizia a deputada eleita em sua inserção no horário eleitoral gratuito de oito segundos, sendo abraçada pelo irmão.
Em sua prestação de contas à Justiça Eleitoral, Giselle informou ter quase R$ 200 mil em bens, entre um carro e aplicações financeiras. Impedido de concorrer pela Justiça Eleitoral pela lei da "ficha limpa" por ter sido cassado na Câmara, Gabriel Monteiro também conseguiu transferir votos a seu pai. Roberto Luiz Rodrigues substituiu na corrida pelo Congresso Nacional após ele renunciar.
Em 2020, ano em que Gabriel elegeu-se vereador no Rio, Roberto tentou obter o mesmo cargo na vizinha Niterói. Embora tenha usado, no pleito, o nome de "Pastor Roberto Monteiro", o substituto do ex-PM não carrega o sobrenome do youtuber, que herdou o "Monteiro" da mãe – ele se chama, na verdade, Roberto Luiz Rodrigues de Oliveira. Na ocasião, ele recebeu apenas 403 votos, menos de um terço da quantidade do eleito menos votado. Nestas eleições, no entanto, também aparecendo nas redes e na campanha ao lado do filho, conseguiu 94 mil votos para deputado federal.
Fonte: O Globo
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