09 de Novembro de 2017 | 17h27

Vídeo: Reitor do IFF chora e pede desculpas por atos racistas em Campos contra estudantes maranhenses

"Fomos taxados como macacos, como macumbeiros", diz estudante do Maranhão


Após a enorme repercussão negativa provocada por atos racistas no Campus do IFF, em Campos, o Reitor do Instituto Federal Fluminense, Jefferson Manhães, gravou na tarde desta quinta-feira (09) um vídeo em que aparece extremamente constrangido com a violência psicológica sofrida por estudantes do Maranhão, que estão no município e participam, a convite do IFF, do III Encontro Nacional de Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (Enneabi).

No vídeo (Veja no fim da matéria), o Reitor do IFF chora e se desculpa em nome da instituição.

"Quero inicialmente dirigir essas palavras aos nossos queridos estudantes do Instituto Federal do Maranhão. Quero pedir desculpas (pausa para choro). Desculpas porque o que aconteceu não representa a comunidade de estudantes e de servidores do Instituto Federal Fluminense....A nossa comunidade está bradando em sons bem altos que não admitimos o desrespeito e a não valorização da riqueza, da diversidade, da possibilidade de crescimento conjunto e de mãos dadas", diz trecho do depoimento de Jefferson Manhães.

Nesta quinta-feira (09), estudantes fizeram um bonito protesto pelos corredores do IFF Campus Centro, contra o racismo, a xenofobia e qualquer tipo de preconceito. Ao invés de palavras de raiva, de revolta, os estudantes do Maranhão usaram a força dos tambores, da diversidade cultural. 

O protesto acontece durante o III Encontro Nacional de Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (Enneabi). Uma delegação de cerca de 50 alunos do IF do Maranhão, que levou três dias de viagem na estrada para chegar à Campos, relatou na manhã desta quinta (09), ter sido vítima de diversas palavras preconceituosas como "macacos, macumbeiros".

"Fomos taxados como macacos, como macumbeiros, começaram a dizer que o campus agora estava ameaçado porque estava cheio de maranhense", disse a estudante Ludimile Vitória Silva Lopes, do Instituto Federal (IF) do Maranhão, no Nordeste do país.

A matéria completa sobre a manifestação você confere clicando AQUI.

NOTA OFICIAL

"O Instituto Federal Fluminense vem a público manifestar repúdio aos possíveis atos
discriminatórios praticados contra estudantes e educadores do Instituto Federal do
Maranhão, que estão alojados no Campus Campos Centro, para participação no Terceiro
Encontro Nacional de Núcleos de Estudos Afrobrasileiros e Indígenas e grupos
correlatos da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica. Tais atitudes não representam a comunidade de estudantes e servidores do IFFluminense. Não admitimos o desrespeito e a não-valorização da riqueza da diversidade dentro da instituição, e atitudes como as ocorridas maculam a reputação e a história de uma terra sofrida como Campos dos Goytacazes, marcada pela escravidão, pela pobreza, pela injustiça, mas também marcada por histórias de lutas e de brava gente. Somos expressamente contra qualquer ato de violência. E reafirmamos que o IFFluminense é um espaço de transformação de vidas, uma instituição de oportunidades e onde todos são bem-vindos. O que aconteceu se coloca como um grande desafio para todos nós, de levar consciência e educação para nossos estudantes e servidores, mostrando que temos muito a caminhar enquanto sociedade. Jefferson Manhães de Azevedo, Reitor do IFFluminense."

VEJA O VÍDEO COM O PRONUNCIAMENTO DO REITOR DO IFF:

VÍDEO COM A MANIFESTAÇÃO NO IFF:


 

17 COMENTÁRIOS


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Paulo

15/11/2017 | 15h44
Só fazem isso por ter certeza da impunidade. Num país onde políticos, artistas, empresários e outros, agem, gritam, escrevem com racismo e preconceito o tempo todo e nada lhes acontece, dá esses ignorantes a certeza da impunidade.

Luciene Zied Pinheiro

15/11/2017 | 15h09
Que vergonha esses alunos fizeram toda uma instituição de ensino passar. Brilhante o discurso do Reitor, mas acho que se houver tolerância à intolerância não haverá aprendizado. Essse comportamento deve ser repudiado e deve ter consequências séria, punição a servidores e alunos que se comportaram dessa forma. Se houver uma primeira exclusão dos que praticaram esses atos, todos pensarão que respeito ao outro está em primeiro lugar. O que está havendo no Brasil é muito sério para se deixar passar sem punição para seus autores.

Nazaré

15/11/2017 | 10h51
Bela fala do reitor, brilhante fala desses estudantes! Realmente, dignidade é algo que nunca podemos perder de vista. Lamentável que lixos humanos frequentes espaços de formação bancados pela sociedade. Não concordo que sejam meros ignorantes esses violadores da lei. Não concordo. Que são ignorantes, já mostram quando afirmam não saber onde fica um estado do Brasil, certo? (estou sendo cínica). Esses agressores precisam, devem ser penalizados e a primeira coisa que IF de Campos precisa fazer é expulsa-los dessa Instituição de ensino! Inaceitável tal conduta em uma Instituição Federal de formação de cidadãos!. Parabens maranhenses!

Sonia Portugal

15/11/2017 | 00h39
Fico vendo esse absurdo, e agora pergunto, ate parece que Campos dos Goytacases e uma cidade perfeita e seus habitantes lindos? O que e isso, saibam respeitar os outros, seus ridiculos

Marilia De Dirceu Zago

14/11/2017 | 12h11
Intolerância está tomamdl o Brasil, ,muito triste e preocupante tudo o quê tem acontecido no nosso país.

Dr. Phil. Sônia T. Felipe

13/11/2017 | 11h30
Dependemos de homens dignos, de mentes abertas, capazes de não repetir o racismo, o machismo, a misoginia, o especismo e a xenofobia que tem tomado gosto nas mentes definhadas, formatadas por espíritos atrofiados. A humanidade é expansão da dignidade para todos, inclusive para todos os animais e ecossistemas naturais. Enquanto não respeitarmos tudo isso, seguiremos com a arrogância da superioridade de uns sobre os outros. O mundo só resiste ao mal por conta das atitudes dos bons. Valeu, Reitor!

Venusia Milhomem

12/11/2017 | 10h13
Triste muito triste ..., pensar na mentalidade desse pequeno grupo de jovens , que propagam o preconceito , a exclusão ... Pena , muita pena por esses jovens de mentalidade tão preconceituosa ... Preocupante , muito preocupante , que o Instituto possa fomentar um trabalho de base não só com esses alunos , que retratam o que aprenderam e assimilaram no seio familiar ... Se esse ato acontecerei num Instituto Federal , que abre portas á inclusão social , imaginem nas instituições privadas ... Quanto temos a caminhar ...

Silviene

10/11/2017 | 22h29
Parabéns, reitor pela postuta, pela cotagem e por cumprir esse compromisso com tanta integridade: um pedido de desculpas. Confio nessa instituição. O senhor não pode ser responsabilizado pela educação recebida em casa pelos seus alunos, por isso parabenizo-o pela sua responsabilidade social.

Alex

10/11/2017 | 19h22
Espero que apurem os agressores e sejam aplicadad punições exemplares pela direção do IFF Campos.

Fábio Paravidino Da Costa

10/11/2017 | 13h59
É lamentável um episódio que alunos do IFF Campos - RJ fez esta semana com os colegas do IFF do Maranhão. Ainda mais me chocou , pelo posicionamento dos alunos do IFF Campos- RJ ,pois é uma unidade de ensino que passei por ela ainda como CEFET- Campos-RJ entre os anos de 1993 à 1997.E hoje a luta e conquistas já obtidas contra qualquer tipo de preconceito e luta essa que será cada vez mais ampliada ,sem dúvida nenhuma e em pleno século XXI , a geração atual de da Instituição, age de forma vergonhosa, covarde e uma gigantesca falta de respeito e de receptividade. Mas gostaria de alerta a Direção ou a reitoria do IFF do Maranhão tem sua Reitoria ,processe através do MPF o IFF Campos -RJ ,Diretor e Reitor.Com 100% de razão e direito. Abraços!!

Geralda Miranda

10/11/2017 | 13h34
Como um ambiente escolar q deveria ser transformador ( p melhor) pode ocorrer fatos de tamanha ignorancia! Cabe ao instituto encontrar e punir todos os cabeças desta idiotice.

Luiz Antônio

10/11/2017 | 08h33
Vemos todos os dias esses atos de racismo e preconceitos, mais fechamos os olhos, pois achamos feio, não basta achamos feio, temos que combate e punir esses atos mesquinhos.

Maicon

10/11/2017 | 07h38
Esperamos que os estudantes aceitem nossos pedidos de desculpas praticados por uma minoria. Inaceitável!

Maria

09/11/2017 | 23h39
Até parece que o Rio de janeiro é fora do Brasil e que não tem negros. Ouvindo agora vídeo do aluno Eric deu vergonha desse povo da minha raça humana. Não sou maranhense mas amo morar aqui e venham conhecer seus atrasados.

Maria

09/11/2017 | 23h12
Inacreditável que pleno século ainda exista gente preconceituosa e nojenta, como pode ter raiva do nordeste se ele também pertence ao Brasil? Deixo meu repúdio pra esse pobre de espírito, choro pra mim não é arrependimento.

Juliana Silva Félix

09/11/2017 | 21h49
Sou de São João da barra,e realmente isso que fizeram com os alunos de Maranhão foi uma falta de respeito,pq o que eu aprendi dentro da escola que cada um tem as suas culturas e devemos respeitar o próximo,pq não existe cultura melhor do que a outra, então quem foi corvade de fazer os que esse aluno deve ser punido denunciado,pq se não fazer isso, isso nunca vai acabar ,e só desculpa não vai adiantar de nada,pq é muito ruim a pessoa sair de longe pra ir pra outra cidade da o seu melhor em uma apresentação ,e os alunos de campos da uff de receber esses alunos de Maranhão de braços abertos não ,trataram como se fosse uma animal ,coisas que eles não é, é seres humanos igual os branco e igual as outras culturas.

Creusa

09/11/2017 | 20h14
Estou apavorada com isso, q coisa horrível e constrangedora, os alunos saem d longe pra vir prestigiar a nossa cidade e os ignorantes fazem uma coisa dessas. A nossa cidade JÁ é mal Vista em vários lugares. ..depois desse fato lamentável então. .. Se eu fiquei dececionada com o acontecido, imagino o Reitor e os professores.


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