09 de Novembro de 2017 | 12h10

“Fomos taxados como macacos, como macumbeiros” denuncia estudante no evento do IFF

Diante da situação, o retorno para o Maranhão foi adiantado para esta quinta-feira


“A gente ficou muito decepcionado com o que aconteceu porque a gente chegou aqui com uma expectativa totalmente diferente, mas aí a gente foi alvo de preconceito, foi alvo de racismo. Para o Brasil poder evoluir, sair dessa sociedade medíocre, as pessoas primeiramente tinham que ter respeito”, lamentou a estudante Ludimile Vitória Silva Lopes, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMA), no Nordeste do país.

Um grupo de alunos esteve no IFF de Campos para apresentar a aula de tambor de Criola e o projeto de dança Afrodance, dentro do III Encontro Nacional de Núcleo e Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (NEABI).

Depois de três dias de viagem eles encontraram uma realidade completamente diferente, como contou Ludimile.

“A gente saiu do Maranhão com toda a responsabilidade de vir pra cá e apresentar os nossos trabalhos, chegar aqui e ser bem recebidos. Quando a gente chegou ao campus, nós fomos bem recebidos pelo pessoal que administra, mas não por parte dos alunos. Fomos taxados como macacos, como macumbeiros, começaram a dizer que o campus agora estava ameaçado porque estava cheio de maranhense. A gente no começo relevou, mas até que aconteceu uma situação ontem quando a gente chegou para jantar. A portaria era livre, mas logo colocaram pra pegar os nomes de quem estava chegando e na hora que a gente entrou e foi no balcão pra pegar nossa sopa, disseram que só tinha pão e aí a gente olhou para trás e os alunos estavam todos rindo de nós”, lamentou.

A estudante explicou como foi o posicionamento da direção do instituto. “Nossos orientadores foram à direção. Inclusive, eu achei o diretor muito bem receptivo e muito bem educado. Ele atendeu a todos nós e ficou muito abalado com o que aconteceu, ele se emocionou, pediu desculpas por todo campus”, revelou.

Diante da situação, o retorno deles foi adiantado para esta quinta-feira (09/11), às 22h. Entramos em contato com a assessoria da instituição para saber quais providências serão tomadas e aguardamos retorno.

Atualização - 17h50: 

NOTA OFICIAL

"O Instituto Federal Fluminense vem a público manifestar repúdio aos possíveis atos
discriminatórios praticados contra estudantes e educadores do Instituto Federal do
Maranhão, que estão alojados no Campus Campos Centro, para participação no Terceiro
Encontro Nacional de Núcleos de Estudos Afrobrasileiros e Indígenas e grupos
correlatos da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica. Tais atitudes não representam a comunidade de estudantes e servidores do IFFluminense. Não admitimos o desrespeito e a não-valorização da riqueza da diversidade dentro da instituição, e atitudes como as ocorridas maculam a reputação e a história de uma terra sofrida como Campos dos Goytacazes, marcada pela escravidão, pela pobreza, pela injustiça, mas também marcada por histórias de lutas e de brava gente. Somos expressamente contra qualquer ato de violência. E reafirmamos que o IFFluminense é um espaço de transformação de vidas, uma instituição de oportunidades e onde todos são bem-vindos. O que aconteceu se coloca como um grande desafio para todos nós, de levar consciência e educação para nossos estudantes e servidores, mostrando que temos muito a caminhar enquanto sociedade. Jefferson Manhães de Azevedo, Reitor do IFFluminense."

 

 

VÍDEO:

 

Fonte: Redação

26 COMENTÁRIOS


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Inacio

15/11/2017 | 20h15
Fico pensando no tipo de profissional que sairá desse IFF. Triste, muito triste. Sou aluno de Licenciatura em Matemática no CEUNES-UFES e aprendemos que respeito vem de berço.

José Carlos Do Canto

15/11/2017 | 17h25
No Brasil, sempre houve racismo. Quem são as elites em sua ampla maioria? São descendentes com genetica escravocrata ou de formação racista. O poder, em todas as instâncias, convivem bem com o racismo; com a homofobia e o feminicidio. Isso é casual? Quem está por "cima da carne seca", é so observarmos seus perfis. Agora, o mais triste, o mais doloroso, é quando mestiços, em que a maioria são excluidos pelo poder, sem terem consciência, fazem o jogo e se comportam iguais ao explorador. Esses estudantes cheio de ofensas bizarras, na escravidão, seriam, cheio de baba no canto da boca e olhos cheios de sangue, prazerosamente capitães do mato. Alguém fe pô-los em seus devidos lugares

Silvia Maria

14/11/2017 | 21h07
Lamentável!!!

Maria Marize Duarte

14/11/2017 | 10h01
Gente. Fiquei arrasada. Chorei...Chorei...Aos estudantes que tomaram esta atitude vc nao imagina o que perdeu c/ sua falta de respeito. Vc deixou de conhecer uma história maravilhosa de luta e resistência do povo maranhense. Vc perdeu ao negar um novo conhecimento. Entao continue na ignorância e/ou modifique-se....

É Muito Triste Quando No Nosso País Ainda Encontramos Pessoas Com Essa Idéia Baixa E Mesqu

11/11/2017 | 15h33
É muito triste quando ainda encaramos no nosso país pessoas do essa idéia baixa e mia quinhão, um Brasil como o nosso cheio de uma miscigenação rica em cultura ainda existe povinho com essa visão péssima de desrespeito,humildade e sem valor educacional e cultural e social,acorda povo se quiserem aulas de amor respeito, solidariedade vêem visitar o Maranhão e principalmente a cidade de Pindaré mirim que damos é aula a você,Somos respeitado é mundialmente. Então venham pegar umas aulas que vocês vão aprender a receber e respeitar a cultura de um povo.

Fernancy

10/11/2017 | 16h57
Sinto vergonha por ver uma situação dessa acontecer em minha cidade. Até quando isso acontecerá! ?

Heleno Cruz

10/11/2017 | 16h52
Sou campista e descendente de escravos e isso não está distante, porque beira a pouco mais de um século. Nasci e vivi em Dores de Macabu, 11° distrito até completar 18 anos e sei o quanto é difícil ser negro e mais ainda para quem mantém a identidade afro descendente em Campos dos Goytacazes. Racismo, descriminação social, machismo, misogenia e homofobia, são normais, não somente em Campos, mas em toda aquela Região Norte Fluminense.

Vilma Novaes

10/11/2017 | 15h24
É constrangedor esse comportamento descriminatório adotado por parte dos alunos do IF fluminense. Não há espaço para pessoas com atitudes tão repulsivas?

Clau

10/11/2017 | 15h12
Envergonhada, mas isso não me surpreende!!! Já fui vítima de preconceito no IFF e conheço muitas pessoas que também foram, não só por alunos, mas tbm por professores. Felizmentede está mudando, não se cala mais.

Valéria Guimarães

10/11/2017 | 13h42
Gostaria de expressar minha indignação por tamanha crueldade e falta de respeito. Infelizmente sei que não será a última vez. Fiquei emocionada ao ver o relato de Eric! Sei que o preconceito está enraigado no povo brasileiro, mas quero crer que sejam a minoria! Esses alunos inconsequentes precisam ser identificados e punidos dentro dá forma dá lei. Processados por racismo. Eric, continue lutando por justiça esqueça Deus os abençoe. Sou professora da Rede Municipal de São Luís e sou carioca. Aprecio a cultura maranhense! Vocês são fascinantes e é isso que os diferencia desses preconceituosos e porque não dizer criminosos. Sim, criminosos! Pois cometeram um crime de racismo.

Audimara

10/11/2017 | 12h19
Ainda não estou acreditando que isso está acontecendo. Estou muito decepcionada.

Elisangela Nascimento Da Silva

10/11/2017 | 09h35
Que esses aluno sejam punido que aprenda ter respeito pelo próximo. Estão estudando porque é para quê...

Fernando Ribeiro

10/11/2017 | 09h30
E incrível como a mídia nacional esconde este tipo de acontecimento. Talvez porque os mesmos não estão acostumados com cultura e sim com som de fuzil. Granadas. Para este tipo de gente as vezes espera que você ofereça droga. Vcs são maior do que isso.

Anamara

10/11/2017 | 08h22
Campos nunca foi uma cidade receptiva para os que vem de fora. Não sou daqui e sei como muitos campistas são. Sou evangélica e me sinto profundamente indignada pelo papel baixo, mesquinho e preconceituoso desempenhado pela instituição. Racismo não é a primeira vez no IFF, q já tem professor acusado judicialmente por isso. Esse comportamento reflete q apenas a educação formal vai bem no IFF, já a educação moral não existe. São culpados todos os que participaram direta ou indiretamente disso, aqueles q não deram um freio nesse crime, q não se posicionaram. Não honra Nilo Peçanha, mulato, pobre que mudou a realidade educacional daqui. O busto dele deve estar encoberto uma hora dessas. VERGONHA!!!

Luiz Carlos Cruz

10/11/2017 | 01h08
lamentavel este comportamento de jovem que aparentemente teriam que ser esclarecidos . cabe agora a direção da escola apurar os fatos e punir os culpados até mesmo com expulsão da escola.

Aryadne Rangel

09/11/2017 | 21h31
Sou ex aluna do IFF e nutro pela instituição um carinho imenso pois eu sempre fui rejeitada onde eu estudei e o único lugar que me recebeu de braços abertos foi o IFF. Hoje fui agir uma documentação que estava pendente e me deparei com a manifestação e fiquei extremamente envergonhada em saber dessa atitude dos alunos. Espero do fundo do meu coração que a Instituição tome as devidas providências para penalizar os responsáveis por estes atos, racismo é crime! #racistasnaopassaram

João Carlos Sepulveda Diniz

09/11/2017 | 20h58
Infelizmente esse é o novo brasilzinho!!! Sigam com o trabalho de vocês ele é muito importante para o verdadeiro Brasil

Enilda Martins Matias

09/11/2017 | 18h21
EU ,ESTOU PROFUNDAMENTE , ENVERGONHADA DESSES ALUNOS, OU QUEM QUER Q SEJA , ESSAS PESSOAS Q TIVERAM ESSAS ATITUDES ,SEMPRE ACHEI A INSTITUIÇÃO DE MAIOR CATEGORIA EM CAMPOS , VOU REVER MEUS CONCEITOS EM RELAÇÃO A ESCOLA, E ACIMA DE TUDO NÃO DEIXAR MEUS SOBRINHOS,E,MUITO MENOS MEU FILHO ,NUMA INSTITUIÇÃO Q PRATICA TAL ATO .ESSAS PESSOAS Q FIZERAM ISSO DEVERIAM SER ACHADAS, OU DENUNCIADAS, E PUNIDAS, DEIXO AQUI MEU REPÚDIO ,VERGONHA DE TODA A MINHA FAMILIA , AMIGOS ,E TODOS Q POSSUEM ESCLARECIMENTO SOBRE AS DIFERENÇAS ENTRE PESSOAS, INDIVÍDUOS,CREDOS E ACIMA DE DIREITOS.

Rosangela Neves Gomes

09/11/2017 | 17h05
Estou envergonhada com a atitude dos alunos do Iff Campos. Tão bem conceituado, mas com um nivel cultural tão baixo! Preconceito vindo de alunos miscigenados é pior ainda.

Gilberto

09/11/2017 | 16h48
É lamentável irmãos maranhenses a todos vocês que fizeram todos os esforços para ir participar desse evento é foram surpreendidos dessa maneira tão negativa e olha que estamos falando de um instituto federal que traz na sua essência a educação mais uma vez na prática de forma mais ignorante vemos que os desafios dessa educação que temos precisa melhorar e avançar no que se refere a própria educação aqui deixo a minha indignação e ao mesmo tempo a minha solidariedade a todos e lamento pelos danos e transtornos que todos vocês passaram

Elcio Angelo Machado

09/11/2017 | 14h19
QUE VERGONHA PARA NOSSA CIDADE!!!

Vanessa

09/11/2017 | 14h15
Eu sou de campos e estou muito decepcionada com os campista que falta de respeito com o próximo aki indignada com essa atitude dessas pessoas que pensão tão pequeno essas pessoas racistas

Oamir

09/11/2017 | 13h54
Falta de respeito, não conhecem os principios constitucionais. IGUALDADE , SEM DISTINÇÃO DE COR, RAÇA, ETNIA OU RELIGIÃO

Julio

09/11/2017 | 13h50
Espero que a Direção do campus citado , realize um trabalho de conscientização no meio acadêmico , é inadmissivel e um ambiente escolar ocorrer essas praticas ofensivas, somos um só povo uma só nação. #naoaxenofobia.

Euene Ribeiro Da Silva

09/11/2017 | 12h49
Estou triste mas ao mesmo tempo feliz por que vocês não se calaram, somos um país miscigenação e precisamos nos aceitar

Cláudia

09/11/2017 | 12h48
É vergonhosa essa atitude ainda mais se tratando de uma instituição de ensino como IFF mas acredito que a cultura de nossa região não está apta para reconhecer e aceitar a diversidade de crenças e valores de outros por isso infelizmente me vejo vergonhosamente em pleno século21 vivenciando esse tipo de comportamento é lastimável . Agora a quem atribuir a formação desses indivíduos?? Fica pergunta.


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