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Planejamento financeiro para médicos: por onde começar?


  • Olhar Econômico
  • 22 de Outubro de 2025 | 11h18
 Foto: NF Notícias
Foto: NF Notícias

No último dia 18 de outubro foi comemorado o Dia do Médico. E se você é um, este texto é para você! É possível se planejar para ter sucesso financeiro além da medicina? É viável organizar-se financeiramente para garantir um futuro confortável e sem aperto? Será que dá para reduzir o ritmo de trabalho mesmo antes da aposentadoria sem abrir mão do conforto?

Os médicos estudam por muitos anos, mas saem da universidade sem saber como preservar o dinheiro. Conheço muitos médicos excelentes, com um grande currículo e anos de experiência, mas que enfrentam dificuldades financeiras, tendo que trabalhar até morrer, simplesmente porque não se organizaram corretamente ao longo da carreira.

De forma geral, existem algumas regras básicas para um médico ter uma vida financeira organizada:

- Gastar menos do que se ganha.

- Preparar-se para o período da residência médica, quando receberá um salário menor.

- Investir para realizar objetivos pessoais e garantir uma boa aposentadoria.

- Visar a renda passiva e assegurar que o dinheiro “trabalhe por você” por meio de juros compostos.

- Investir em bons cursos e educação para melhorar a remuneração mensal.

- Manter bons relacionamentos com colegas e pacientes.

Ao longo da carreira, um médico enfrenta diferentes momentos que exigem reflexões e atitudes diversas. Um recém-formado, por exemplo, terá uma carga de trabalho extenuante e uma renda, possivelmente, insuficiente.

Um especialista com menos de 10 anos de carreira pode ter um trabalho excessivo para se consolidar no mercado. Nessa fase, é comum sentir a “sensação de escravidão” aos planos de saúde que remuneram mal, além de ter dificuldade para conciliar trabalho e família. Dúvidas sobre como formar patrimônio também são frequentes.

Essa é a fase mais delicada, porque decisões erradas com valores altos podem comprometer toda a sua carreira. Um financiamento imobiliário com taxas altíssimas, por exemplo, pode ser uma decisão equivocada. É preciso tomar decisões com cautela.

Neste período, geralmente, o médico tem muita energia e começa a ganhar mais, mas não pode se iludir achando que terá o mesmo impulso eternamente e que os ganhos serão sempre semelhantes. Basta conversar com médicos mais velhos para entender que isso não acontecerá.

Os especialistas que têm de 10 a 20 anos de carreira já se questionam se vão “trabalhar até morrer” ou se poderão se aposentar sem comprometer o conforto da família. Após mais de 20 anos de carreira, é comum que a situação financeira permita uma redução do ritmo de trabalho.

Entre as principais dificuldades para organizar as finanças:

- Compulsão por compras.

- Seguro de vida caro.

- Investimentos pouco rentáveis.

- Financiamentos onerosos.

- Pagar altos impostos quando se poderia restituí-los.

- Viver além das próprias posses.

O mal do século é a comparação social. As pessoas mantêm um custo de vida que acreditam merecer, e realmente merecem, mas não podem. Ouvir conselhos de pessoas que têm estilos de vida diferentes do nosso é tão insano quanto um paciente escutar um médico dar a mesma receita para sintomas diferentes. Sua história é única, suas necessidades são suas. Não é necessário se comparar com o outro.

Para se organizar financeiramente, os médicos precisam, primeiro, entender quais são suas receitas e despesas. Basicamente, é entender o quanto se ganha e o quanto se gasta.

Importante separar de três a seis meses de despesas e receitas para saber, em média, qual é sua renda e quanto você pode poupar.

Após isso, ele explica, é preciso dividir essa quantia destinada à poupança em três “caixas”: reserva de emergência, objetivos de vida e aposentadoria.

Para a reserva de emergência, é preciso poupar um valor equivalente a 10 meses dos gastos mensais básicos em um ativo de alta liquidez.

Na “caixa” de objetivos de vida, é essencial fazer um exercício de autoconhecimento e colocar no papel o que você deseja alcançar. Você quer uma casa maior para a família, uma viagem ou uma festa de casamento? A vida não é apenas poupar; você também precisa aproveitar a vida, dar uma pausa para voltar com mais energia e ganhar ainda mais dinheiro.

Quais são os objetivos padrão que encontro nos planejamentos de médicos que realizo? Em geral, são viagens, troca de carro, compra de casa, festa de casamento, intercâmbio para o filho, faculdade dos filhos.

Por fim, a “caixa” aposentadoria será destinada ao valor que garantirá sua independência financeira. Um cliente meu disse: ‘quero parar de trabalhar às sextas-feiras’. Fizemos um planejamento e ele conseguiu. Agora, ele quer parar também às segundas, porque gosta de ficar na praia e quer aproveitar essa fase da vida dele. É possível, sim, trabalhar de modo mais leve, desfrutando o que se construiu ao longo da vida.

Dessa forma, com essa estratégia, o cliente chega ao que ele chama de “número mágico”, ou seja, o valor que você precisa acumular para viver a vida que deseja. A partir daí, é possível planejar para alcançar essa meta da maneira mais eficaz e ágil possível.

Por Paulo Nascimento Filho, empresário, assessor de investimentos pela Ancord, influenciador e criador de conteúdo sobre finanças e educação financeira.

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