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Vale a pena investir em ETF irlandês?


  • Olhar Econômico
  • 27 de Agosto de 2025 | 07h44
 Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Os UCITS, mais conhecidos como ETFs irlandeses, têm ganhado espaço entre investidores sofisticados que buscam eficiência tributária e diversificação internacional. Embora semelhantes aos ETFs americanos, esses fundos listados apresentam características próprias que podem fazer diferença no planejamento financeiro de longo prazo.

Entender as particularidades desses produtos é essencial para avaliar se eles têm lugar na sua carteira. Afinal, o que são os ETFs irlandeses?

Os ETFs, Exchange Traded Funds, são fundos de investimento que reúnem recursos de vários investidores e aplicam em uma carteira de ativos (como ações, títulos de renda fixa, commodities ou moedas), geralmente acompanhando o desempenho de um índice de referência.

Os ETFs irlandeses são fundos listados que seguem índices de referência, assim como os ETFs americanos, mas com uma peculiaridade: a maioria está domiciliada na Irlanda, responsável por cerca de 70% da emissão global desse tipo de fundo na União Europeia. Outra parcela relevante está no Luxemburgo.

O apelido “ETF irlandês” vem justamente desse protagonismo da Irlanda como sede desses veículos de investimento.

Entre eles, a primeira diferença importante está na forma de lidar com dividendos.

ETFs americanos: em geral distribuem dividendos diretamente ao investidor, embora existam versões que os reinvestem automaticamente.

ETFs irlandeses: costumam reinvestir os dividendos dentro do próprio fundo, o que pode gerar maior ganho patrimonial ao longo do tempo, já que os rendimentos ficam acumulando sobre a base de capital.

Além disso, há um impacto tributário relevante:

Dividendos pagos por empresas americanas sofrem retenção de 30% na fonte.

Nos ETFs irlandeses, devido a um acordo bilateral entre EUA e Irlanda, essa alíquota cai para 15%, aumentando a eficiência do investimento.

Outro ponto é a questão da transmissão de riqueza. Quem possui ETFs americanos e deseja transferi-los por herança está sujeito ao chamado estate tax, que pode chegar a 40% do valor. Já os ETFs irlandeses não estão expostos a essa tributação, o que os torna mais atraentes em planejamentos sucessórios.

Hoje, investidores brasileiros conseguem acessar ETFs irlandeses principalmente pela corretora Avenue, que oferece menos de 50 opções — um número pequeno se comparado ao universo de mais de 2 mil ETFs disponíveis na Europa. Apesar disso, já é possível encontrar alternativas para as principais classes de ativos, como fundos que replicam o S&P 500.

Vale lembrar que esses ETFs são listados em bolsas europeias, como a de Londres, o que altera o horário de negociação em relação ao mercado americano.

Outro fator a ser considerado é a taxa de administração, que tende a ser um pouco maior do que a dos ETFs americanos. Ainda assim, a diferença no longo prazo costuma ser inferior a 0,5% ao ano em 20 anos de investimento — custo pequeno quando comparado à vantagem tributária.

Para investidores que já acessam ativos no exterior, os ETFs irlandeses se destacam por sua eficiência fiscal, especialmente para quem busca:

Reduzir a carga tributária sobre dividendos;

Planejar a sucessão patrimonial sem a incidência do estate tax americano;

Reinvestir dividendos automaticamente para potencializar o efeito dos juros compostos.

Por outro lado, é importante considerar:

Menor variedade disponível no Brasil (ainda em expansão);

Custos de administração um pouco mais altos;

Liquidez e horário de negociação diferentes dos ETFs americanos.

Os ETFs irlandeses (UCITS) vêm ganhando espaço entre investidores brasileiros que já deram o passo de abrir conta em corretoras internacionais. Embora não substituam totalmente os ETFs americanos, podem ser uma alternativa mais inteligente para quem pensa no longo prazo e deseja otimizar o planejamento tributário.

Antes de decidir é fundamental conversar com um assessor de investimentos e avaliar qual produto faz mais sentido dentro da sua estratégia de investimentos e objetivos de patrimônio.

Por Paulo Nascimento Filho, empresário, assessor de investimentos pela Ancord, influenciador e criador de conteúdo sobre finanças e educação financeira.

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