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Compre ao som dos canhões e venda ao som dos violinos


  • Olhar Econômico
  • 10 de Julho de 2024 | 08h04
 Foto: Arte/NF Notícias
Foto: Arte/NF Notícias

Cunhada em 1810 e atribuída ao financista londrino Nathan Rothschild, o título deste artigo sugere que o início de uma guerra é um bom momento para investir no mercado de ações. Quanto pior o mercado, melhores são as oportunidades de lucro. Trata-se do “contrarian investment”.

Outra frase de efeito conhecida é atribuída ao maior investidor de todos os tempos, Warren Buffett: “Seja medroso enquanto os outros estão gananciosos, e gananciosos quando os outros estão medrosos”.

A ideia a ser transmitida é simples na teoria: deveríamos comprar investimentos quando ninguém mais os querem e, assim, vamos pagar um preço baixo por eles. O contrário é verdadeiro: quando todo mundo está querendo determinado ativo, o seu preço estará nas alturas, e esse seria um bom momento para vendê-lo.

Ao executar a teoria acima o investidor se depara com outro problema: o fator psicológico. Os seres humanos possuem a “falha cognitiva” da necessidade de aprovação pelos outros (o chamado “social proof”), e acabam agindo pelo efeito manada, onde são levados a comprar quando todos estão comprando, e a vender quando todos estão vendendo.

Esse viés comportamental influencia a maioria dos investidores, que acaba comprando (e vendendo) nos momentos opostos ao ideal.

O bom investidor caminha na solidão. Ele executa com maestria as ideias de Nathan Rothschild e de Warren Buffett: compra nos momentos de maior medo e vende nos momentos de euforia.

Por que estou trazendo esse assunto hoje?

Porque o mercado brasileiro vem há alguns meses maltratando os preços dos ativos e o medo e a incerteza dos outros podem, justamente, criar boas oportunidades.

Apesar da recuperação neste início de julho, a bolsa de valores ainda está negativa no ano. E o real já se desvalorizou mais de 10%, saindo de 4,85 para 5,42!

Enquanto o mercado de ações norte americano está nas alturas, o nosso nos decepciona dia após dia. O motivo? Você já sabe: as contas públicas e a (i)responsabilidade fiscal do governo voltou ao radar dos investidores.

As incertezas de agora não são novas; o Brasil há muito tempo convive com o problema fiscal. Observe o gráfico abaixo, que mostra a Necessidade de Financiamento do Setor Público (NFSP):

Fonte: Tesouro Nacional

Quando o gráfico acima encontra-se abaixo de zero, significa que o governo está poupando recursos; quando está acima, significa que ele está gastando mais do que arrecadando. O governo Lula 3 está criando um déficit (em termos nominais) maior do que os tempos da Dilma e, por enquanto, não há no radar do mercado algo que mude essa trajetória.

Mas, Paulo, comprar ativos agora, não seria arriscado? E, se o Brasil não der um jeito no problema acima?

Essa é uma pergunta que quase todo o investidor brasileiro faz para si mesmo, diariamente. A resposta, infelizmente, não tenho. O futuro a Deus pertence...

Alguns, como eu, acreditam que o Brasil é um país mediano (de medíocre) e que apostar no retorno a média é sempre um bom negócio por aqui. Outros acreditam que agora será diferente e o Brasil vai “descambar” de vez.

Para você não perder as boas oportunidades e aprender a conviver com a dúvida acima há uma saída!

Diversifique ao ponto que a solução do déficit fiscal seja irrelevante para você! Isso inclui comprar bons pós-fixados, prefixados, IPCA+, ações, FIIs e ativos internacionais, sempre respeitando o seu perfil de investidor.

Agora é uma boa hora de nos servirmos, com o que o mercado está nos oferecendo. Compremos aos sons dos canhões, enquanto os outros aguardam a calmaria dos violinos!

Por Paulo Nascimento Filho, empresário, assessor de investimentos pela Ancord, influenciador e criador de conteúdo sobre finanças e educação financeira.

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