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Porque as separações amigáveis deixam muitas pessoas surpresas


  • Papo de Psicólogo
  • 03 de Novembro de 2023 | 18h16
 Foto: Reprodução
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A cada ano, os números de divórcios continuam a aumentar, e o que parece surpreender mais do que as estatísticas em si é a persistente reação de espanto diante das separações amigáveis. Mesmo com o crescimento notável da prática de casais encerrando seus relacionamentos de forma tranquila e colaborativa, como exemplificado recentemente pela cantora Sandy e seu ex marido, Lucas Lima, a sociedade ainda se vê intrigada. Por que a separação sem conflitos é motivo de tanta perplexidade?

O divórcio, uma vez envolto em estigma e tabus, tornou-se uma realidade cada vez mais comum na sociedade. A ideia de que os casamentos devem durar a vida inteira cedeu espaço à valorização do bem-estar individual. No entanto, mesmo com o crescimento das taxas de divórcio, a surpresa persiste quando casais optam por encerrar seus relacionamentos sem dramas e hostilidades.

A naturalização das separações tumultuadas, repletas de confusões, discussões acaloradas e dificuldades de uma das partes em lidar com o contexto, tornou-se uma parte intrínseca da narrativa social em torno do divórcio. Na mídia, é comum vermos casais famosos envolvidos em batalhas legais públicas, alimentando a ideia de que o divórcio deve ser sinônimo de drama e hostilidade.

A separação de Sandy e Lucas recentemente chamou a atenção, ao ilustrar essa questão. Em um comunicado conjunto, o casal destacou o profundo respeito mútuo e a maturidade com que a decisão foi tomada. Sua abordagem serena e civilizada desafia a noção tradicional de divórcio, muitas vezes associada a desentendimentos públicos e litígios.

Em uma de suas declarações Sandy diz: "Não foi uma decisão fácil, nem impulsiva, foram praticamente 24 anos de relacionamento e 15 anos de casados. Com altos e baixos, às vezes mais felizes, às vezes menos, mas sempre inteiros e dispostos a fazer o nosso melhor. E fizemos, não teve briga, mágoa, traumas… a gente conseguiu enxergar que esse era o melhor caminho e vamos deixar de ser um casal do mesmo jeito que a gente foi um com muito amor, respeito e amizade infinita.”

O aumento de separações amigáveis, exemplificado por Sandy e Lucas, reflete uma mudança na forma como a sociedade enxerga o divórcio. Ele nos recorda que, embora as separações possam ser desafiadoras, não é necessário que elas sejam sinônimo de conflitos. Mas separações amigáveis continuam a surpreender muitas pessoas, demonstrando que há um longo caminho a percorrer na mudança de percepção em relação ao divórcio e que a sociedade ainda tem muitas barreiras a enfrentar sobre a importância do respeito e da comunicação saudável, mesmo no encerramento de relacionamentos.

Quando casais escolhem encerrar seus casamentos, a terapia de casal pode ser uma ferramenta valiosa para facilitar uma separação tranquila e civilizada. Ela oferece um espaço seguro para a discussão de questões emocionais e práticas, frequentemente resultando em acordos de divórcio mais justos e na preservação de relacionamentos saudáveis, especialmente quando há filhos envolvidos.

Um grande abraço, até a próxima postagem.

 

Sérgio Alexandre Sá

Psicólogo

CRP 05/58383

Referencias

https://www.uol.com.br/splash/noticias/2023/09/25/sandy-e-lucas-lima-separaram-o-que-motivou-o-termino.htm?cmpid=copiaecola

https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/7019/1/artigo%2010.pdf

SciELO - Brasil - O perfil de casais que vivenciam divórcios consensuais e litigiosos: uma análise das demandas judiciais O perfil de casais que vivenciam divórcios consensuais e litigiosos: uma análise das demandas judiciais

 

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