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Teremos o tradicional rali de fim de ano na bolsa?


  • Olhar Econômico
  • 25 de Outubro de 2023 | 07h10
 Foto: Reprodução
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O último trimestre de 2023 iniciou com uma lição sobre a importância das taxas de juros nos Estados Unidos, considerada como o preço mais importante do cenário financeiro global.

Essa percepção não se restringe somente às taxas de curto prazo, influenciadas pelas decisões do Federal Reserve em suas reuniões de política monetária, mas também se estende às taxas de longo prazo – dadas pelo mercado - que vêm aumentando desde agosto.

Destaco aqui a taxa de juros de 10 anos, que atingiu a marca de 5%, um nível que não era visto desde 2007, resultando na valorização do dólar, além de maior pressão sobre os ativos de risco.

Desta forma, o tão esperado "rali de fim de ano", um fenômeno historicamente observado no Brasil ficaria prejudicado?

O movimento possui um sólido respaldo histórico desde 1999, quando o sistema de metas de inflação foi adotado no país, marcando uma fase de modernização importante do nosso mercado financeiro.

No período compreendido entre 1999 e 2022, esse “rali” ocorreu em 16 dos 24 anos analisados.

Durante esses últimos três meses do ano, a média de retorno do principal índice de ações do Brasil foi de 9,41%.

Vale ressaltar que dezembro se destacou como o melhor mês, apresentando uma média de retorno de quase 4%.

Portanto, a tradição histórica demonstra a possibilidade de um desempenho sólido durante o último trimestre do ano, apesar das atuais condições adversas do mercado.

Além disso, quando observamos um período mais recente, abrangendo os últimos cinco anos, notamos que retornos positivos ocorreram em 60% das vezes, com uma média de crescimento de 8,21%.

Durante o último ciclo de flexibilização da política monetária, que ocorreu de 2016 a 2019, excluindo a queda registrada em 2021, o retorno médio nos últimos três meses do ano foi de 6,77%, com todos os anos apresentando ganhos. Notavelmente, dezembro emergiu como o mês mais propício, exibindo uma média de retorno de quase 4%.

É possível visualizar esse movimento nos últimos 22 anos por meio do gráfico abaixo. Isso reforça a consistência histórica desse fenômeno e demonstra a tendência de um desempenho sólido no último trimestre do ano, mesmo considerando as circunstâncias de mercado atuais.

Fonte: Equity Clock.

Destaco também o desempenho do índice de Small Caps, que nos últimos cinco anos registrou uma média de retorno positivo de 9,05% durante o último trimestre.

Durante o último ciclo de flexibilização (2016-2019), os resultados foram ainda mais impressionantes, com uma média de alta de 10,48%. Nesse período, o ganho máximo para o índice de Small Caps da B3 atingiu 21% no último trimestre.

Contudo, lamentavelmente, até o momento, não vimos a materialização desse padrão em outubro, faltando apenas alguns dias para o término deste primeiro mês do último trimestre.

Isso pode ser atribuído, em grande parte, ao fator que mencionei no início deste texto: o acentuado aumento das taxas de juros nos Estados Unidos.

Esse movimento foi influenciado pela percepção de deterioração fiscal nos EUA e pela falta de demanda por títulos do Tesouro. O Federal Reserve não atua mais como um grande comprador, mas sim como vendedor.

Outros atores globais, como China, Arábia Saudita, Japão e até mesmo o Brasil, também deixaram de adquirir títulos.

No entanto, os juros norte-americanos mais elevados atualmente, mesmo que devam superar os níveis insustentáveis a longo prazo observados após a crise de 2008, não devem permanecer nesses patamares para sempre. Pelo menos não nos níveis atuais.

Não teremos os juros quase zerados novamente, mas também não viveremos com a situação de agora.

Os próximos dias serão cruciais nesse contexto, pois teremos dados importantes, como o PIB dos Estados Unidos, amanhã, e o índice PCE, a métrica de inflação preferida pelo Federal Reserve, na sexta-feira.

Embora estejamos tratando dos resultados do terceiro trimestre, que foram notavelmente fortes, é possível que esse período represente o pico deste ciclo de crescimento nos Estados Unidos.

Se esse for o caso, poderíamos começar a observar sinais mais evidentes de normalização e consequentemente desaceleração já a partir de outubro, com isso se desenvolvendo em novembro e dezembro.

Esse cenário abriria caminho para taxas de juros mais baixas, aliviando a pressão sobre os ativos de risco. Estaria aí a oportunidade para que o tão mencionado "rali de final de ano", se torne uma realidade. A ver.

Por Paulo Nascimento Filho, empresário, assessor de investimentos pela Ancord, influenciador e criador de conteúdo sobre finanças e educação financeira.

 

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