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Como planejar a aposentadoria com investimentos de longo prazo?


  • Olhar Econômico
  • 11 de Outubro de 2023 | 07h59
 Foto: Reprodução
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A aposentadoria é uma fase da vida que requer planejamento e preparação financeira. Muitas pessoas sonham em ter uma renda suficiente para manter o padrão de vida, sem depender de benefícios sociais ou de terceiros. Para isso, é preciso investir parte da renda atual em ativos que possam gerar rendimentos no futuro.

Mas como escolher os melhores investimentos para a aposentadoria? Quais são os fatores que devem ser considerados na hora de montar uma carteira de longo prazo? Quais são as opções disponíveis no mercado e quais são as suas características, vantagens e desvantagens?

Investimentos de longo prazo são aqueles que têm um horizonte temporal superior a cinco anos. Produtos indicados para quem tem objetivos financeiros de médio e longo prazo, como a compra de um imóvel, a educação dos filhos ou a aposentadoria.

Investir em longo prazo muitas vezes significa abrir mão da liquidez, ou seja, da facilidade de resgatar o dinheiro aplicado. Em troca, espera-se obter uma rentabilidade maior do que os investimentos de curto prazo, mais conservadores e seguros.

Investir no longo prazo também significa assumir mais riscos, pois os ativos podem sofrer oscilações de preço no mercado. Por isso, é preciso ter uma boa tolerância ao risco e uma visão de longo prazo, sem se deixar influenciar pelas variações momentâneas.

Antes de escolher os investimentos para a aposentadoria, é preciso definir alguns fatores importantes, como:

Perfil de investidor, ou seja, o conjunto de características pessoais que determinam o seu comportamento em relação aos investimentos.

Objetivo financeiro, o que você pretende alcançar com os seus investimentos. É preciso ser claro, específico, mensurável, alcançável e relevante. Por exemplo: ter uma renda mensal de R$ 10 mil na aposentadoria.

Prazo. Em outras palavras, o tempo que você tem para atingir o seu objetivo financeiro. O prazo deve ser realista e compatível com o seu perfil de investidor e com os seus recursos disponíveis. Por exemplo: se aposentar daqui a 20 anos.

Capacidade de poupança, o quanto você consegue economizar e investir mensalmente. A capacidade de poupança depende da sua renda, dos seus gastos e do seu estilo de vida. Quanto maior for a sua capacidade de poupança, mais rápido você poderá atingir o seu objetivo financeiro.

Expectativa de rentabilidade, o quanto você espera ganhar com os seus investimentos. Precisa ser realista e baseada em dados históricos e projeções futuras. Quanto maior for a sua expectativa de rentabilidade, maior será o risco que você terá que assumir.

Assim, não existe uma resposta única para o título deste artigo. Cada pessoa tem um perfil de investidor diferente, um objetivo financeiro diferente, um prazo diferente e uma capacidade de poupança diferente.

Por isso, é preciso fazer uma análise individualizada e personalizada para cada caso.

Dentre as opções disponíveis no mercado, destaco algumas mais indicadas para a aposentadoria:

Previdência privada – investimento que tem como objetivo complementar a renda na aposentadoria. Funciona como uma poupança programada, na qual o investidor faz contribuições mensais ou esporádicas e acumula um patrimônio ao longo do tempo.

No momento da aposentadoria, o investidor pode resgatar o valor total ou receber uma renda mensal. A previdência privada tem algumas vantagens, como a possibilidade de escolher entre diferentes planos e fundos de investimento, a flexibilidade para alterar o valor e a periodicidade das contribuições, a portabilidade para transferir o saldo para outra instituição e o benefício fiscal para deduzir as contribuições do imposto de renda (no caso dos planos PGBL).

Títulos Públicos – tratam-se de papéis emitidos pelo governo para financiar as suas atividades. Ao comprar um título público, o investidor empresta dinheiro ao governo e recebe juros em troca. Possuem vantagens, como a segurança (o risco de calote do governo baixo), a liquidez (o investidor pode vender o título antes do vencimento), a acessibilidade (o investidor pode começar com valores baixos) e a diversidade (o investidor pode escolher entre diferentes tipos de títulos).

Ações - partes do capital social de uma empresa. Ao comprar uma ação, o investidor se torna sócio da empresa e passa a ter direito aos seus lucros e dividendos.

As ações são negociadas na bolsa de valores, onde os preços variam conforme a oferta e a demanda. Possuem algumas vantagens, como a possibilidade de obter maiores retornos no longo prazo, a participação no crescimento das empresas, a facilidade de compra e venda e a isenção de imposto de renda sobre os dividendos. As desvantagens, seriam o risco de perda do capital investido, a dependência das condições econômicas e políticas, a necessidade de acompanhamento constante do mercado e a cobrança de taxas e impostos sobre as operações.

Fundos de investimento - carteiras de ativos gerenciadas por profissionais especializados. Ao comprar uma cota de um fundo de investimento, o investidor delega ao gestor a responsabilidade de escolher os melhores ativos para compor o fundo, conforme a sua estratégia e o seu regulamento.

Os fundos de investimento têm algumas vantagens, como a diversificação dos investimentos, a gestão profissional e a transparência das informações. Também têm algumas desvantagens, como as taxas cobradas pelo gestor e pelo administrador (que podem variar entre 0% e 5% ao ano), o imposto de renda sobre os rendimentos (que pode variar entre 15% e 22,5%, conforme o prazo) e o risco de desempenho abaixo do mercado.

Essas são algumas das opções de investimento disponíveis no mercado financeiro para a aposentadoria. No entanto, lembre-se que cada caso é único e que você deve fazer uma análise cuidadosa dos seus objetivos, do seu perfil, do seu prazo e da sua capacidade de poupança antes de tomar qualquer decisão.

Além disso, é recomendável buscar orientação profissional para montar uma carteira adequada às suas necessidades e expectativas.

Sempre recomendo ser de suma importância distribuir o dinheiro entre diferentes tipos de ativos, como renda fixa, renda variável, fundos, imóveis, etc.

A diversificação reduz o risco da carteira, pois diminui a dependência de um único ativo ou de um único setor da economia. A diversificação também aumenta as chances de obter uma rentabilidade maior, pois permite aproveitar as oportunidades de cada segmento do mercado.

Outro ponto que destaco é que o perfil de investidor pode mudar ao longo da vida, conforme as circunstâncias pessoais e profissionais. Por isso, é importante fazer uma revisão periódica dos investimentos e ajustá-los conforme as mudanças.

Por Paulo Nascimento Filho, empresário, assessor de investimentos pela Ancord, influenciador e criador de conteúdo sobre finanças e educação financeira.

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