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Não existe cidade integrada sem transporte público organizado


  • Administração move o mundo
  • 04 de Maio de 2023 | 16h03
 Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Nas últimas semanas vocês acompanharam alguns vídeos meus em relação a qualidade do transporte público em São João da Barra. Ônibus superlotados, itinerários que levam 3 horas do açu ao centro da cidade, falta de acessibilidade etc. Essa matéria não é para falar mal de A ou B, mas se apresenta como mais um instrumento de reivindicação para todos aqueles que têm sofrido com a falta de planejamento e de organização do transporte em todos os âmbitos em nossa cidade.

É sempre bom lembrar que não existe almoço grátis. No livro “O mito do governo grátis”, o Paulo Rabello de Castro trata exatamente de um fenômeno político muito comum nas cidades da nossa região e, sobretudo, nos últimos governos da nossa cidade, que é o da distribuição de vantagens e ganhos sem parecer que haja custo para a administração pública, caso semelhante ao do nosso transporte público municipal gratuito. Custa sim e custa muito caro. Segundo a última nota de empenho do dia 02/01/2023, somente para os seis primeiros meses do ano (Jan a Jun) o transporte vai custar 3,3 Milhões de reais aos cofres públicos.

Ora, se custa para a prefeitura, então indiretamente estamos pagando pelo serviço através dos inúmeros impostos que pagamos nos alimentos, por ter carro, casa, moto e até na cervejinha do fim de semana. Se estamos pagando e custa tão caro, temos o direito de cobrar melhorias e mais respeito com todos os usuários.

De nada adianta fazer festa no dia do trabalhador e ignorar a situação dos trabalhadores que estão pegando ônibus superlotados nos horários de pico. Assim é o caso dos estudantes e das pessoas com deficiência que, por vezes, não conseguem utilizar ou enfrentam dificuldades no dia a dia no transporte. Para quem acha exagero, basta entrar nesse link (https://www.instagram.com/p/Cql8OsJj2LY/) e ver a indignação de uma mãe de um sanjoanense autista do 5º distrito da nossa cidade pegando o ônibus para fazer terapia. 

Após nossa reivindicação, o Secretário de Transporte Rodrigo Machado, que provavelmente será candidato a vereador novamente, veio a público se defender, mas até agora não respondeu nosso ofício. Em suas declarações, coloca a culpa da ineficiência no processo licitatório, como tem sido de costume em todas as secretarias ineficazes, e não apresentou nenhuma proposta de melhoria nem prazos para resolução do problema. 

Para não dizer que não fizeram nada, alteraram os horários e alguns itinerários, contudo SEM AVISAR A POPULAÇÃO. Além disso, a alteração só foi feita nos papéis impressos, ou seja, ao menos até o dia 28/04, tínhamos um horário nas rodoviárias e outro no site. Falta de organização e respeito com quem utiliza o transporte.

Vejam imagens dos ônibus superlotados no horário de pico cerca de um mês após nossas reivindicações:

Apresentamos os principais problemas por ofício e também algumas sugestões de como conduzir o processo, mas infelizmente o problema persiste e a gente não pode achar normal ter 110 pessoas dentro de um ônibus e se contentar com as justificativas: “é horário de pico”, “estamos aguardando a licitação”, entre outras.

Segundo a Josinete Rodrigues, moradora de Rua Nova, o ônibus Açu direto sempre passa lotado. Seu filho, o José Thalyson, pega esse ônibus todos os dias para estudar no IFF e por diversas vezes tem viajado no degrau do ônibus. Imaginem um cadeirante que precise pegar esse ônibus. Simplesmente ficaria no ponto. 

Transporte alternativo

Agora pensem comigo a enorme covardia que o Governo Carla Machado e agora o Governo Carla Caputi têm feito com os amigos e amigas do transporte alternativo na nossa cidade. Imaginem o impacto financeiro que os ônibus gratuitos causaram no orçamento dessas famílias. Mas Danilo, você é contra ter ônibus gratuito? De maneira alguma. Só que não dá para subsidiar uns e deixar outros “no ponto esperando”. 

Danilo, o que você quer dizer com isso? Já passou da hora do transporte alternativo receber subsídio e começar a rodar com itinerários e horários programados e com a confiança de que não vão tomar prejuízo. Imaginem um van passando no mesmo horário de pico do ônibus, concordam que já reduziria a superlotação? Está na hora de valorizar o sanjoanense de verdade. 

Transporte universitário

Outra queixa que tem chegado muito para mim é sobre a superlotação no transporte universitário. Vejam imagens dos alunos sentados nos descansos de braço das poltronas:

Transporte intermunicipal

“Que saudade da Campostur”. Essa é a frase mais dita desde que ir para Campos, seja para qual for o motivo, virou uma missão quase impossível. Voltar, então, salve-se quem puder. Nesse caso, precisamos de maior preocupação e pressão política dos nossos representantes.

Transporte Professores

Além dos transportes mencionados acima, alguns professores entraram em contato para falar da superlotação no transporte que leva boa parte destes para Campos. Com a péssima situação do transporte intermunicipal, a Prefeitura disponibilizou um ônibus para levar e trazer os professores que trabalham na rede municipal de educação e moram em na cidade vizinha. Não é porque tem ônibus, que tem que ser de qualquer jeito. Imaginem dar aula em pé o dia inteiro e na hora de ir embora levar cerca de duas horas em pé no ônibus indo pra campos? Não tem cabimento. 

Queria trazer mais dados e valores aqui para vocês que me acompanham, mas infelizmente o Portal da Transparência está fora do ar. Será por quê? Precisamos urgentemente de um olhar com carinho para o transporte em todos os âmbitos em nossa cidade. Não existe cidade integrada sem transporte público que possibilite a integração. 

VÍDEO 

 

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