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Saiba como investir nos EUA


  • Olhar Econômico
  • 08 de Março de 2023 | 08h00
 Foto: Reprodução
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Se você já é um investidor e estuda com frequência o mercado financeiro, sabe que o investimento em um país desenvolvido, além de garantir diversificação de patrimônio, abre um leque de opções.

Mas antes de mostrar as opções de como investir nas empresas norte-americanas apresentarei as vantagens de aplicar o seu dinheiro suado na maior economia do planeta.

O mercado

Os Estados Unidos têm as duas maiores bolsas de valores do mundo, a NYSE (New York Stock Exchange) e a Nasdaq (National Association of Securities Dealers Automated Quotations), que somadas têm uma movimentação financeira diária de US$ 54,5 bilhões, cerca de R$ 287,69 bilhões.

Para quem quer investir por lá, para efeito de comparação, a B3, a bolsa brasileira, movimenta cerca de R$ 18 bilhões por dia com as negociações das ações.

Em relação ao número de empresas, enquanto a B3 tem um pouco mais de 400, a NYSE tem aproximadamente 2,4 mil e a Nasdaq 3,5 mil companhias.

Na última comparação sobre o tamanho de mercado entre os Estados Unidos e o Brasil, ao somar todas as empresas listadas da B3, o valor seria de US$ 980 bilhões (R$ 5,150 trilhões). Na Nasdaq, o valor é de US$ 7 trilhões (RS 36,94 trilhões). E na NYSE é de US$ 21 trilhões (R$ 110,83 trilhões).

Para entender o tamanho desses números, basta pensar que o PIB brasileiro em 2022 foi de R$ 9,9 trilhões. O valor de mercado da NYSE cabe mais de 11 Brasis dentro dele.

A dimensão do NYSE é tão grande que ela pode ser comparada até com o PIB dos Estados Unidos, o maior do mundo. Em 2022, a atividade econômica americana foi de US$ 25,46 trilhões (R$ 134,40 trilhões).

Índices para acompanhar a atividade econômica

Quem pensa em investir nos EUA, como em qualquer investimento, deve acompanhar os indicadores para saber se vale a pena investir e qual o momento de entrada/saída. Nos EUA, há três índices para acompanhar: Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq.

Dow Jones - índice de ações que reúne a cotação de 30 empresas dos Estados Unidos, empresas que são líderes setoriais e têm um grande peso na NYSE. Dessa forma, o indicador tem a função de representar o desempenho da economia americana.

Diante da sua importância, a rentabilidade do Dow Jones serve como base para direcionar investimentos em fundos ou mesmo para realização de comparativos com as demais bolsas de valores.

Algumas empresas que fazem parte do Dow Jones: Apple (AAPL34); Boeing (BOEI34); Coca-Cola (COCA34); Johnson & Johnson (JNJB34); McDonald’s (MCDC34); Microsoft (MSFT34); Nike (NIKE34); Procter & Gamble (PGCO34); Visa (VISA34); Walmart (WALM34).

S&P 500 - se o Dow Jones tem “apenas” 30 empresas, o S&P500 é um índice que mede o desempenho das 500 maiores empresas americanas de capital aberto. Ao somar o valor delas, o indicador representa quase 80% do capital social por capitalização de mercado.

Diferente do Dow Jones e Nasdaq, o S&P 500 tem uma cobertura bastante ampla, uma vez que ele não pega apenas as maiores empresas por setor. O índice conta com dados das empresas de tecnologia da informação, saúde e consumo discricionário, bem como, grandes empresas nos setores financeiro, energético, industrial e de bens de consumo duráveis.

Nasdaq - segunda maior bolsa de valores do mundo, atrás apenas da NYSE. Abriga mais de 3,5 mil empresas do setor de tecnologia, com destaque para gigantes como Apple, Amazon e Alphabet, dona da Google.

O índice Nasdaq é calculado a partir da performance somada de todas as empresas listadas na bolsa de tecnologia, sendo norte-americanas ou estrangeiras.

Agora, como investir por lá?  

BDRs - Brazilian Depositary Receipts é a opção mais fácil de investir diretamente nas companhias americanas. Negociados na própria B3, tratam-se de certificados de depósito de valores mobiliários emitidos no Brasil que representam ações de companhias abertas com sede no exterior.

Dessa forma, não é preciso criar uma conta fora do país, pois os ativos são comprados e vendidos aqui mesmo no Brasil.

Os BDRs acompanham a variação do dólar e das ações das companhias que representam, porém são emitidos e comercializados em reais. Logo, estão sujeitos à legislação brasileira para todos os fins, inclusive tributários.

Quem compra BDR está, indiretamente, investindo em uma companhia estrangeira. Nesse caso, passa a ter alguns direitos de sócios, como o recebimento de dividendos, se essa for a política da empresa lá fora.

ETFs - Outra forma de investir nas empresas dos EUA sem sair do Brasil é por meio dos Exchange Traded Fund. Os ETFs são fundos de investimento negociados na bolsa de valores, também chamados de “fundos de índices”. Isso porque o objetivo desse investimento é replicar determinado índice, como o S&P 500, por exemplo.

Diante disso, os ETFs têm desempenho semelhante ao seu índice de referência. Logo, a rentabilidade do IVVB11, por exemplo, acompanhará a evolução das ações que compõem o S&P500.

Assim como qualquer outro fundo, um Exchange Traded Fund é gerido por um profissional, que faz as operações de compra e venda. Logo, para aplicar em um ETF, é preciso apenas comprar as cotas.

Diretamente - se você prefere investir a partir de uma conta nos Estados Unidos, a recomendação é abrir uma conta em corretora por lá. Desta forma você consegue realizar o câmbio e comprar ações, títulos de renda fixa, além de fundos de investimentos americanos. 

Invista lá fora, sem deixar de observar as oportunidades locais

No entanto, é importante destacar que investir no exterior não significa abandonar completamente os investimentos no Brasil. Mesmo em momentos de instabilidade econômica, o país ainda apresenta oportunidades.

Dessa forma, uma estratégia de diversificação internacional pode ser incluída na sua carteira, mas nem por isso deve-se excluir completamente os investimentos locais.

Por fim, é fundamental que o investidor busque orientação profissional antes de realizar qualquer investimento, especialmente quando se trata de investimentos internacionais, que apresentam particularidades e riscos adicionais.

Um profissional de finanças pode ajudar a identificar as melhores opções de investimento para cada perfil de investidor e minimizar os riscos associados a essa estratégia.

Por Paulo Nascimento Filho, empresário, assessor de investimentos pela Ancord, influenciador e criador de conteúdo sobre finanças e educação financeira.

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