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Deu adeus à poupança? Cuidado com as "furadas" de investimento


  • Olhar Econômico
  • 14 de Setembro de 2022 | 07h54
 Foto: Reprodução
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A poupança, quem diria, sofreu seu maior revés no último mês. Nunca tanta gente tirou dinheiro da caderneta como em agosto. Mais precisamente: os brasileiros sacaram R$ 22,02 bilhões a mais do que depositaram, resultando na maior retirada líquida da aplicação, desde o início da série histórica medida pelo Banco Central, em 1995.

Além da difamação do investimento - que de fato é um dos piores do país em termos de rentabilidade - a inflação anda corroendo o poder de compra, além do alto endividamento das famílias. Muitos "investidores" que deixavam as economias na caderneta tiveram que resgatá-las para poder pagar as contas.

A taxa de juros elevada faz com que outras aplicações de renda fixa, sejam muito mais atrativas. Mas não se engane com todos os produtos por aí que prometem ser melhores do que a poupança. Alguns são verdadeiras “furadas” e cobram tantas taxas e impostos que talvez fosse até melhor mesmo deixar seu dinheiro na caderneta.

Com taxas incondizentes com suas estratégias, regime de tributação nada vantajoso, alocação mal feita e rentabilidade pífia (abaixo do CDI), esses produtos tem recebido o apelido de “fundos de perda fixa”, já que prestam um desserviço ao patrimônio do investidor. O pior é que milhares de pessoas alocaram suas reservas neles, achando que estão investindo em prol de um melhor futuro financeiro. Mas a realidade é bem diferente: elas estão deixando de ganhar.

Existem alguns fatores que levam um produto de renda fixa ser ruim e é importante entendê-los para não cair em ciladas quando for escolher onde investir.

Para quem sai da poupança e quer colocar o dinheiro da reserva de emergência ou de curto prazo em outra aplicação mais rentável e com alta liquidez, uma das opções mais buscadas são os chamados “fundos DI”. Eles rendem próximo a taxa Selic, sem muita pretensão de bater o custo de oportunidade do investidor. Em tese, esse tipo de fundo costuma aplicar apenas no Tesouro Selic, evitando riscos de crédito (debêntures e títulos bancários, como letras financeiras e CDBs) e riscos de mercado (juros prefixados e indexados à inflação).

Por causa dessa estratégia de investimento, eles não dão muito trabalho para o gestor e deveriam cobrar uma taxa baixa. O que acontece é que esses fundos ruins de “perda fixa” cobram taxas acima de 1% ao ano para entregar uma rentabilidade que o investidor facilmente encontraria investindo no próprio Tesouro Selic ou em produtos de outras instituições, com taxas mais baratas.

Outra classe de fundos de renda fixa são aqueles que investem em crédito privado: seja emprestando dinheiro a empresas (debêntures, bonds, FIDCs) ou a instituições financeiras (CDBs, letras financeiras, etc). Idealmente, fundos desta natureza devem ter um resgate longo, de pelo menos 30 dias. Por quê? Para proteger o fundo e, por tabela, o investidor, do impulso de outros investidores que possam vir a sacar recursos ao mesmo tempo; e evitar que a maior parte do patrimônio líquido esteja em caixa.

Só que esses produtos ruins vão na contramão disso: colocam resgates de um dia útil e alocam de até 50% do patrimônio em caixa ‒ para conseguir honrar eventuais resgates. A “cereja do bolo” é que eles ainda cobram taxas altas para isso. Por mais que um investidor prefira ativos mais líquidos, pagar uma taxa de 0,5% ao ano para ficar com metade do patrimônio em caixa não é uma decisão financeira inteligente. De fato, seria melhor colocar esses mesmos 50% em um fundo DI e os outros 50% num fundo mais arrojado.

Ainda que mais raros, existem os produtos de renda fixa que adotam uma classificação tributária cuja alíquota mínima de IR chega somente a até 20%, prejudicando a rentabilidade líquida do investidor. No caso da tributação de longo prazo, a alíquota mínima pode chegar a 15%. Ou seja, não há qualquer benefício em comprar um fundo com alíquota de IR maior.

A existência de tantos produtos ruins de investimentos prova mais uma vez que só sair da poupança não é suficiente para buscar maior rentabilidade. Nem todas as aplicações por aí vão te beneficiar tanto quanto você espera.

Muitos desses fundos de “perda fixa” se escondem atrás de nomes como “ágil” e “fácil”, fazendo o investidor pensar que está aplicando o dinheiro de forma inteligente, quando, na verdade, está deixando de ganhar a cada ano que deixa o patrimônio parado em algum desses produtos.

Mas isso não significa que você deve se frustrar e começar a guardar seu dinheiro debaixo do colchão ou voltar para a poupança. Você pode e deve mudar sua jornada financeira. O primeiro passo é descobrir se você está ou não com uma aplicação ruim em sua carteira de investimentos.

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