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A política monetária brasileira sob os holofotes


  • Olhar Econômico
  • 02 de Fevereiro de 2022 | 07h07
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O Congresso Nacional volta com suas atividades - ainda que sem previsão de votação relevante - e os investidores aguardam a primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em 2022. Fevereiro chega com uma previsão de alta para a taxa Selic, levando-a para 10,75% ao ano. A decisão em si parece tomada, as sinalizações para o futuro, porém, incertas. Ocorre que o cenário econômico segue confuso, e não é possível entender com clareza o fim do ciclo de alta de juros no Brasil.

É bom lembrar: teremos uma Selic acima dos 10% ao ano pela primeira vez desde maio de 2017. Lembro, também, que a taxa básica de juros estava em 2% em janeiro de 2020 — portanto, tivemos uma forte elevação em um curto período. A rapidez deste movimento se fez necessário por causa da explosão da inflação — em 2021, o IPCA ficou acima dos 10%, muito além do teto da meta do Banco Central próximo aos 5%. A injeção de recursos na economia por causa da pandemia e a liquidez abundante no sistema financeiro foram úteis para impedir uma paralisia da atividade durante a crise da Covid, mas trouxe essa dinâmica no comportamento dos preços que não mostram sinais de arrefecimento.

Ocorre que, em paralelo, as projeções de crescimento de nosso PIB em 2022 continuam baixas — neste momento, o mercado é quase unânime de que a economia do país avançará perto de 0,5% neste ano. Pondera-se também que o Copom deve optar pelo mesmo caminho do Fed (Banco Central dos EUA), combatendo a inflação com toda a força. Entretanto é sabido que os efeitos da política monetária sempre possuem uma defasagem, ou seja, a inflação deve ceder apenas a partir do segundo semestre, em resposta à escalada dos juros.

Sendo assim, continuar elevando a taxa pode causar um efeito colateral grave: uma paralisia futura. Temos então um dilema — seguir com o pé no acelerador na alta dos juros e cortar a inflação pela raiz, ou aliviar a mão para evitar um impacto maior à economia no futuro? O governo atuará de forma estritamente técnica ou a política fará parte das decisões econômicas? Ora, estamos em ano eleitoral.

Diante das tensões com a Rússia no Conselho de Segurança da ONU, o mundo parece ter se lembrado que o Brasil apesar dos pesares, exporta commodities e tem histórico de evitar “tretas”. A boa notícia é que dinheiro novo entrou. Dólar caiu e bolsa subiu. Sem avanços sobre as reformas necessárias para que as contas públicas fechem no verde, melhor impossível.

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