Após ter 90% dos pulmões comprometidos pela Covid-19, músico se recupera e volta a cantar

Durante o período em que ficou internado, ele ficava mexendo os dedos porque tinha medo de não conseguir mais tocar o piano


26 de Outubro de 2021 | 11h03

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O Espírito Santo já atingiu a marca de quase 580 mil curados da Covid-19. Por trás desses números há inúmeras histórias de luta e força como a do músico Marcus Trancoso, de 51 anos, morador de Vila Velha, na Grande Vitória. 

Trancoso também é produtor musical, professor universitário e defensor de animais. Ele teve Covid-19 duas vezes, a primeira em março de 2020 - logo no começo da pandemia - e a segunda no início de 2021.

Foi na segunda vez que Marcus foi atingido pela forma mais grave da doença. Com 90% dos pulmões comprometidos, ele teve duas paradas cardíacas e ficou 45 dias internado, sendo 30 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), 15 dias entubado e ainda precisou ser traqueostomizado. Ele explicou que isso aconteceu porque ficou muitos dias entubado.

Durante o período em que ficou internado, ele ficava mexendo os dedos porque tinha medo de não conseguir mais tocar o piano. 

"Eu ficava no hospital com as mãos amarradas. Eles amarram você por causa da quantidade de remédio e drogas que eles injetam. Você tem alucinações e pode arrancar o tubo. Eu tinha muito medo de perder o movimento dos dedos e ficava o tempo todo articulando os dedos como se estivesse tocando piano. Isso com as mãos amarradas na cama. Eu não parava. Quando lembrava eu continuava fazendo essa espécie de terapia", contou. 

De acordo com a médica intensivista e pneumologista Dyanne Moyses Dalcomune, quanto maior a área comprometida dos pulmões, maior a possibilidade do quadro de um paciente com Covid-19 como Marcus evoluir de forma grave.

"Quanto maior a lesão, maior a chance de complicações e de desenvolver problemas em outros órgãos. É um paciente que vai demandar mais tempo para se recuperar. É uma evolução de riscos aumentados", disse.

Desde a alta do hospital, em maio deste ano, ele continua a luta pela total recuperação e já superou o desafio de voltar a comer sozinho, andar e fazer o que tanto ama: tocar e cantar. Além de cuidar dos animais que resgata.

"Saí do hospital em 13 de maio e vim para casa. Perdi 25 quilos, toda a massa muscular e mais tarde fiz um exame que detectou 30% perda óssea. Para levantar o braço era uma dificuldade. Para comer eu tinha que aproximar o prato. Até hoje tenho dificuldade de andar", disse.

Um mês após a alta da UTI, ele pôde se vacinar e tomou as duas doses da vacina AstraZeneca, logo nos primeiros meses de início da vacinação no estado.

Três meses após a alta, Marcus voltou a se apresentar. Seu retorno ao mundo da música foi na inauguração de um restaurante em Vila Velha e contou com a presença de amigos e familiares.

"Meu organismo estava há 36 anos habituado a fazer isso [tocar piano]. A memória muscular voltou na hora certa. Eu sabia que tinha muita gente comigo, com o pensamento positivo. Foram tantas correntes de oração, tanta gente mobilizada para gerar boas energias pela minha recuperação. Minha irmã Ana Paula Trancoso passava os boletins médicos para todos. Ela e minha mãe foram muito importantes na minha recuperação", explicou.

Sobre os planos para o futuro, ele contou que aprendeu que o importante é viver o presente e seu foco agora é a recuperação total.

"Sou muito mais forte do que eu pensava. A barra lá é pesadíssima. Eu poderia viver 200 anos eu eu nunca passaria um negócio tão tenebroso. Não dá para descrever em palavras o quão horroroso é passar por aquela situação", disse. Meu caso foi gravíssimo e meus planos para o futuro são me curar das sequelas. Elas são terríveis. Se eu voltar a 90% do que eu era antes da doença ficarei contente", disse.

Fonte: G1


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