Vasco anuncia Marcelo Cabo como novo técnico

Conheça a história por trás da foto que viralizou nas redes sociais vascaínas pouco depois do anúncio do técnico para comandar o Gigante da Colina


28 de Fevereiro de 2021 | 12h31

Falar em fase semifinal do Brasileiro de 1997 adoça a boca de todo vascaíno. Logo vêm à cabeça as lembranças do 4 a 1 sobre o Flamengo, com três gols de Edmundo e muito "qual é, qual é, qual é" na arquibancada. Mas no mesmo ano e em outra semi com o arquirrival não foi o rebolado de um animal endiabrado que resolveu, mas sim um zagueirão de cadeira dura.

Quem decidiu a parada no salão, com a quadra de São Januário lotada, foi Marcelo Cabo. Não com dribles e golaços porque se tratava de um beque que chegava firme, mas por uma visão de treinador que talvez nem ele soubesse que já possuía. Conheça a história por trás da foto que viralizou nas redes sociais vascaínas pouco depois do anúncio do técnico para comandar o Gigante da Colina.

Contratado no início da temporada em um time de orçamento enxuto por conta das dificuldades financeiras que o Vasco enfrentava, Cabo chegava aos 30 anos, já em fim de carreira, para reforçar o time dirigido por Marco Bruno, que também acumulava a gerência do futebol de salão vascaíno.

Com um elenco barato, chegar à final do estadual contra o dominante Tio Sam, àquela época tetracampeão, era considerado um título. Para avançar à decisão, o Vasco tinha pela frente o rival Flamengo. Venceu por 5 a 3 na Gávea e no jogo de volta, com São Januário lotado, perdeu por 4 a 2 no tempo normal. Vieram duas prorrogações, e o Rubro-Negro chegou a pular na frente. Aí foi a hora de o beque Marcelo Cabo atacar de treinador e convencer seu comandante a repetir uma substituição que não havia dado certo minutos antes.

- Na quadra do Vasco, que era muito pequena em relação à que reformamos em 2000 para aquele timaço do Manoel Tobias, era impossível jogar pelo empate. E eu nunca tinha visto a quadra de São Januário tão cheia, abarrotada de gente. Não cabia ninguém. Foi para a prorrogação, mas na prorrogação a vantagem do empate era do Vasco. O Flamengo tinha um beque que chutava muito, o Ricardo Touro. Naquela quadrinha, era um terror - contou Marco Bruno, completando:

- O Touro virou goleiro-linha. Ficava difícil marcá-lo, e aí eu peguei um dos beques do meu time. Era um jogador que ainda era novo, o Luizinho. Peguei o Luizinho para marcar o goleiro-linha. Se a gente perde para o Flamengo, não saía vivo dali. Luizinho entrou, mas não adiantou. O Touro deu uma cacetada e fez o gol. Tirei Luizinho, botei um pivô e nós empatamos de novo. Eram dois tempos de três minutos.

Já veterano, Marcelo Cabo já não costumava mais jogar as partidas até o fim e estava no banco. Líder daquele grupo, chegou perto de Marco Bruno e sugeriu a repetição da estratégia que não havia prosperado: "Bota o Luizinho de novo, Marco". A resposta não foi das mais gentis.

- Com a vantagem no segundo tempo, o Flamengo colocou o Touro de novo, e o Marcelo, que estava no banco, chegou em mim e falou "bota de novo o Luizinho". Falei: "Marcelo, vai tomar no c..., vou botar p... nenhuma". Ele respondeu: "Bota porque vai dar certo". Chamei Luizinho e disse: "Olha o que ele (Marcelo) está falando aqui, entrar lá e não vai dar mole".

Com desarme decisivo e o dedo de Cabo, Luizinho decretou a vitória por 2 a 1 do Vasco na prorrogação.

- O Luizinho entrou, não só marcou o cara como tomou a bola do Touro e fez o gol. Nós ganhamos e classificamos para a final (risos). Decidimos com o Tio Sam, que ganhava tudo, e o vice-campeonato estadual foi como um título. Marcelo era muito importante já no final de carreira, sempre foi muito líder, inteligente taticamente e muito disciplinado em todos os sentidos. Embora ele estivesse terminando a carreira, aquela campanha foi muito importante para ele e para mim - resumiu Marco Bruno.

Marco e Marcelo Cabo se reencontraram no Flamengo em 2003, ano em que conquistou o estadual e o metropolitano no salão. Na ocasião, já se dividia como treinador do futsal do Fla e de categorias inferiores do Madureira no campo. Com os horários conflitantes, Marcelo teve de deixar o Rubro-Negro, e Marco mais uma vez acumulou as funções de gerente e técnico.

- Até hoje ele brinca comigo que eu o derrubei lá (risos). Marcelo é um cara muito querido, ele foi em uma das "lives" que fiz recentemente.

Fonte: GE


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