Tráfico monta base em cima de UPP e ameaça PMs

Relatório feito pela própria polícia mostra que criminosos ficam armados numa quadra instalada em cima da sede da unidade


21 de Fevereiro de 2021 | 12h29

Traficantes montaram uma base em cima da UPP do Andaraí, na Zona Norte do Rio. Os criminosos ficam literalmente sobre as cabeças dos PMs: a sede da unidade fica embaixo de uma quadra poliesportiva, onde os criminosos se instalaram e se revezam em plantões, monitorando a movimentação dos agentes. Fotografias que integram um relatório interno da unidade obtido pelo GLOBO mostram os traficantes — alguns deles foragidos — portando fuzis e usando drogas no local, poucos metros acima da porta de entrada da UPP.

O relatório, elaborado no início de fevereiro pelo comando da unidade com base em dados coletados pelo setor de inteligência, aponta que “a presença de meliantes fortemente armados logo em cima da base” tem como objetivo “ameaçar e afrontar os policiais que nela trabalham, representando uma séria ameaça à segurança orgânica do aquartelamento, bem como incremento da vulnerabilidade nos deslocamentos realizados pelo efetivo das atividades meio e fim para assunção e troca de serviço”.

O objetivo do documento é relatar à Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) o “fomento da vulnerabilidade” da sede, após uma série de ataques do tráfico, que começaram no segundo semestre do ano passado. O mais recente aconteceu na madrugada do último dia 3, quando traficantes atearam fogo a uma viatura estacionada na vaga do comandante da unidade em resposta à morte de um traficante horas antes num tiroteio com PMs da UPP. O veículo ficou completamente carbonizado.

Antes festejada como uma das UPPs “modelo” — a partir de sua inauguração, em julho de 2010, a do Andaraí ficou cinco anos sem registrar mortes de policiais na favela — a unidade passa por uma de suas maiores crises desde sua fundação. Um dos motivos é o aumento do poderio bélico dos traficantes locais promovido pelo novo chefe do tráfico da favela, Rodrigo Rosa Brasil, o Boneco, que foi alçado ao posto um ano depois de sair do Instituto Penal Edgard Costa, onde cumpria pena no regime semiaberto. Ele ganhou o direito de visitar a família, em março de 2019, e não voltou.

Seu antecessor, Gilson Brígido dos Santos, foi retirado da posição em meados de 2020 por uma ordem da cúpula da maior facção do tráfico do Rio, saída de dentro do Complexo de Gericinó. Os chefes estavam insatisfeitos com os baixos lucros provenientes de vendas de drogas e com as investidas de facções rivais na favela.

Fonte: OGLOBO


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