Empresário afirma que governador recebeu R$ 1 milhão para "sustento" antes das eleições de 2018

Witzel nega ter recebido "qualquer valor indevido"


13 de Janeiro de 2021 | 16h52

O empresário Edson Torres, que já havia confessado participação no esquema de corrupção na Saúde do estado, reforçou, em depoimento ao Tribunal Especial Misto (TEM) nesta quarta-feira (13), que Wilson Witzel recebeu quase R$ 1 milhão antes da eleição para 'sustento', caso o então juiz federal não vencesse o pleito de 2018. Em nota, o governador afastado negou: "Jamais recebi qualquer valor indevido de quem quer que seja, antes ou depois de eleito".

Em depoimento, Edson Torres disse que o valor de R$ 980 mil seria uma facilitação para que suas empresas voltassem a ter contratos com o estado, caso Witzel fosse eleito, o que aconteceu. Caso não fosse, serviria para 'sustento', já que o então juiz federal precisou largar a magistratura para se candidatar.

"Os recursos que foram por nós aportados, parte deles foi antes [das eleições de 2018], enquanto Wilson era juiz federal. Se ele ganhasse a eleição, o dinheiro era para [fazer] o que ele bem entendesse. Se ele não gahasse a eleição, era para sustento dele. Ele estaria desempregado", explicou Torres, que é dono de empresas de prestadores de serviço. Ele reafirmou ao presidente do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), Cláudio de Mello Tavares, a versão de que a 'caixinha da propina' que arrecadou entre R$ 50 milhões e R$ 55 milhões funcionou já com o governador Wilson Witzel eleito.

O empresário afirmou também que o Pastor Everaldo, presidente do PSC, partido de Witzel, e apontado como líder do esquema com as Organizações Sociais, recebia a maior parte do dinheiro. Everaldo, hoje preso, era o responsável por distribuir os valores à "estrutura do governo".

"Quem arrecadava o dinheiro (dos contratos com as Organizações Sociais) prestava conta e dividia proporcionalmente: 15% comigo, 15% com o Victor Hugo Barroso (doleiro), 30% com Edmar (Santos, ex-secretário de Saúde), 40% ia para Everaldo (presidente do PSC) e governo", disse Torres. Perguntado se Witzel também se beneficiava da caixinha da propina, o empresário disse que "sim", apesar de não tratar diretamente com ele no esquema.

Torres afirmou que o primeiro encontro para 'sustentar' a trajetória de Witzel aconteceu ainda em 2017, antes do início da campanha para o governo do estado em 2018. As primeiras tratativas aconteceram na Avenida Rio Branco, 109, endereço da empresa EDP Corretora de Seguros, que tem Pastor Everaldo como sócio. Perguntado se ainda confiava em Everaldo, Torres disse que "plenamente, até agosto de 2020", mês em que o presidente do PSC foi preso.

Fonte: ODIA


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