Saída da Petrobras da Bacia de Campos provoca corte de bolsas na UENF

Desinvestimentos também provocam redução de recursos para compra de equipamentos para alunos


20 de Novembro de 2020 | 11h16

A saída da Petrobras da Bacia de Campos tem impacto direto nas instituições de ensino e pesquisa do Norte Fluminense. De acordo com o reitor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), Raul Palacio, o principal reflexo do desinvestimento está no corte de bolsas de Iniciação Científica, mestrado e doutorado, bem como na redução dos recursos para a compra de equipamentos que propiciam o desenvolvimento dos alunos em pesquisas sobre petróleo com foco em Geofísica, Geologia, Geoquímica, Petrofísica, Engenharia de Reservatório nas diversas bacias maduras no Brasil e no mundo, que atualmente estão em andamento na universidade.

Nesse contexto, a UENF registrou queda acentuada na demanda das empresas do setor de petróleo por estagiários. Por isso, explicou o reitor, a universidade precisou se readequar à falta de estágios e oferecer aos alunos treinamentos nos próprios laboratórios de Engenharia de Exploração e Produção de Petróleo da UENF. “De certa forma, tem sido bastante produtiva essa forma de conduzir o aluno voltado à rotina de pesquisa na universidade. Mas deixa a desejar a vivência de campo promovida pelos estágios em empresas da área de petróleo”, observou Palacio.

Além disso, a UENF vem sofrendo com o corte dos recursos destinados à pesquisa. “A política de contingenciamento de recursos destinados à pesquisa nos projetos vigentes na universidade até fevereiro de 2022 resultou em um considerável desestímulo na procura pelo curso de Engenharia de Exploração e Produção de Petróleo da UENF”, reclamou o reitor.

No total, a UENF possui hoje 5.200 alunos matriculados na Graduação e outros 1.023 na Pós-Graduação. Destes, 140 estão matriculados no curso de Engenharia de Exploração e Produção de Petróleo e outros 130 estão na Pós-Graduação de Engenharia de Reservatório e de Exploração.

IFF

Nos últimos quatro anos, o Instituto Federal Fluminense (IFF) registrou uma queda de 90% no volume de processos seletivos para estágios realizados por empresas ligadas ao setor de petróleo e gás, fornecedoras da Petrobrás.

“O IFF sempre foi muito procurado pelas empresas de petróleo e gás, com o objetivo de ‘arrematar’ os recém-formados para estágios. Hoje, os jovens saem com o diploma debaixo do braço e seguem para suas casas, sem perspectiva,” disse Jefferson Manhães. Os cursos mais procurados pela Petrobras, historicamente, são mecânica, eletrotécnica, automação e engenharia de controle e automação.

Dados da Agência de Oportunidade do IFF apontam que o volume de processos seletivos vem diminuindo ano a ano, gradativamente. Em 2014, eram feitos em média 20 processos seletivos por ano, o que refletia na contratação de aproximadamente 200 estudantes. Já em 2015 foram seis. Em 2019, apenas dois, que resultaram na contratação de 20 estudantes. Essa situação vem se agravando, desde que se iniciou a política de desinvestimento da estatal na Bacia de Campos. “Se a Petrobras sair da nossa região, vai zerar o campo de trabalho. Eu não vejo a nossa região sem a Petrobras”, diz Manhães.

De acordo com o reitor do IFF, uma vez que o estágio é obrigatório em muitos dos cursos oferecidos pelo instituto e devido à queda na oferta desses estágios, a instituição precisou baixar uma portaria para que trabalhos orientados fossem contados como pontuação para o término de curso.

Fonte: Ascom


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