Witzel cobrava 10% de valores repassados do Fundo Estadual de Saúde para sete municípios

Dinheiro recolhido era entregue ao próprio Torres ou ao Pastor Everaldo, preso em operação


21 de Setembro de 2020 | 15h31

A investigação contra o possível esquema de corrupção do governador afastado  Wilson Witzel (PSC), denunciado pelo Ministério Público Federal, encontrou indícios de que o governo do RJ cobrava um percentual de 10% para repassar verbas do Fundo Estadual de Saúde a sete municípios do estado.

O esquema, segundo a denúncia do MPF, foi revelado pelo empresário Edson Torres, em depoimento.

Segundo o MPF, 10% do valor repassado pelo Fundo teria que ser devolvido à organização criminosa, na qual o próprio Edson Torres era integrante do núcleo econômico.

De acordo com a delação, em setembro do ano passado o então secretário de Saúde, Edmar Santos, foi alertado sobre a dificuldade de cumprir o coeficiente mínimo de aplicação de recursos da Saúde.

A partir disso, o ex-secretário teria criado o esquema para distribuir R$ 600 milhões aos municípios através do Fundo Estadual de Saúde. O objetivo era conseguir que os recursos entrassem no cálculo dos valores a serem aplicados na área, como determina a Constituição.

Edson Torres admitiu participação nas negociações para divisão das verbas. E foi durante essa negociação que foi determinado que sete municípios repassassem 10% do valor recebido do Fundo.

O cálculo do repasse de valores, de acordo com Torres, não foi feito de acordo com a proporcionalidade de cada um dos municípios:

  1. Petrópolis
  2. São João de Meriti
  3. Paracambi
  4. Itaboraí
  5. Magé
  6. Saquarema
  7. São Gonçalo

Torres afirmou ainda que o dinheiro também ia para o Pastor Everaldo, figura importante no governo de Wilson Witzel.

Everaldo foi preso no dia 28 de agosto, na Operação Tris In Idem, da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República.

Witzel, desde então, está afastado do cargo por decisão do Superior Tribunal de Justiça. Após votação, o órgão manteve o afastamento  do governador.

Em sua rede social, o governador negou que estivesse envolvido no esquema de corrupção, e que tomou a decisão de repassar a verba porque, sem isso, a pandemia do coronavírus no Rio teria sido "muito pior":

"Tomei a decisão de repassar o limite constitucional de 12% para a Saúde e para os municípios. Não fosse essa ação, a pandemia teria sido muito pior no RJ! Infelizmente, Edmar e Edson Torres, bandidos confessos, se infiltraram no Governo e agora querem me incriminar", afirmou Witzel, acrescentando:

"Com eles foram encontrados milhões. Comigo, um centavo sequer! Tenho convicção de que voltarei a governar o RJ e continuarei implacável no combate à corrupção. Este é o temor das máfias que atuam no nosso Estado", finalizou.

Fonte: G1


SEJA O PRIMEIRO A COMENTAR


* Publicação sujeita a moderação;
** Evite a utilização de termos grosseiros e xingamentos através de palavras de baixo calão;
*** Comentários com conteúdo ofensivo e propagandas serão devidamente ignorados.