Acordo para redução salarial no Fluminense envolve pagamento de premiações de 2019

Dívida é referente a 30% do recebido nas quartas de final da Sul-Americana; 10% da classificação para o torneio em 2020 e bichos por vitória no Brasileiro. Quantia gira em torno de R$ 2 milhões


17 de Maio de 2020 | 10h22

Um dos clubes que preferiu buscar o acordo com seus jogadores para redução salarial durante a pandemia, ao invés de impôr o corte na remuneração, o Fluminense teve que driblar a insatisfação por conta de atrasos para negociar. E uma das formas encontradas pelos dois lados como sinal de confiança um no outro foi colocar no papel as premiações pendentes de 2019. São elas:

  • 30% do valor recebido por ter chegado até as quartas de final da Copa Sul-Americana*;
  • 10% do valor pela classificação para a Copa Sul-Americana 2020 através do Brasileiro;
  • bicho pelas 12 vitórias conquistadas no Campeonato Brasileiro*;
    *premiações acertadas na gestão Pedro Abad

O valor somado gira em torno de R$ 2 milhões, que deverão ser quitados antes do final do ano, assim como os direitos de imagem e salários que estiverem atrasados até dezembro. Segundo a cláusula de inadimplência do acordo, se o clube não honrar os compromissos dentro do prazo, a redução salarial será cancelada, e a direção será obrigada a pagar a diferença que havia cortado dos jogadores.

– Eles aceitaram fazer o acordo quando tinham valores atrasados. A primeira conversa foi: "Presidente, e os atrasados, como vão ficar?" Falei: "Não consigo pagar agora. Se estou pedindo desconto é porque não tenho dinheiro nem para o salário. Se vocês me permitirem pagar os atrasados do jeito que eu puder..." E eles aceitaram de forma parcelada. Consegui jogar tudo dentro do acordo, fiz um grande parcelamento e ainda com redução. E vou me esforçar muito para tentar cumprir – explicou o presidente tricolor Mário Bittencourt ao GloboEsporte.com.

A cláusula de inadimplência, porém, deixou torcedores preocupados, afinal, o clube atravessa uma crise financeira que foi potencializada pela quarentena e pela paralisação dos campeonatos no país. Questionado se não foi assumir um risco muito grande com essa condição, Mário garantiu que não e tratou de apresentar a situação pelo lado positivo:

– Eu não me preocupo com a cláusula porque, em caso de não cumprimento, poderemos quitar ao longo do ano a diferença daquilo que eles abriram mão. O Fluminense não está tendo nenhuma penalidade. O acordo foi ótimo, maravilhoso. Estamos tendo um deságio bom nesse momento, importante para o clube, que está conseguindo manter os empregos também graças a isso e aos gerentes e diretores que abriram mão espontaneamente de parte de seus salários.

– Se por um acaso, em razão da enorme dificuldade que o clube atravessa, das penhoras que tem, se a pandemia continuar, aí vamos ter que rever o acordo. Pode repactuar até o meio do ano que vem, enfim... A gente vai se entender, tenho certeza. Mas se depois de tudo isso, de se entender de novo e não cumprir, pode ter certeza que mesmo assim o Fluminense saiu com algum tipo de resultado positivo porque não tem juros, correção... É o que deixei de pagar parcelado para frente.

Fonte: Globoesporte


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