Tempos Modernos

Tempos Modernos

29 de Agosto de 2019 | 09h03 - Atualizado em 29/08/2019 09h47

NÃO TÁ TUDO BEM, MAS VAI FICAR


Estamos há poucos dias do início de setembro. Mundialmente conhecido como Setembro Amarelo, o mês recebeu este atributo uma vez que os mais diversos tipos de organizações dão maior ênfase ao combate a um grande problema atual: o suicídio.

Por conta disso, o artigo desta semana segue subscrito por Bruno Alves, advogado e Larissa Gonçalves, psicóloga. Isto porque a questão deve ser tratada com muita cautela e responsabilidade, não apenas pelos profissionais do ramo de Psicologia e Psiquiatria, mas por toda a sociedade.

Ao adentrar o assunto, primeiramente, devemos entender que o suicídio é, em grande parte das vezes, uma consequência de um problema primário, que é a depressão. Não raras as vezes, a depressão acomete pessoas extremamente próximas a nós e que sequer sabemos que ela padece do mal e que precisa de ajuda.

A depressão é considerada um transtorno mental e que acomete grande parte da população brasileira. Ressalta-se que, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão será o maior motivo de afastamento das atividades laborais, tornando-se, assim, a doença mais incapacitante da sociedade atual e que, em casos mais graves, pode levar ao suicídio.

A depressão não vê cor, gênero, classe social, religião, tampouco orientação sexual. Trata-se de um problema que pode ser identificado com a ajuda profissional, o que necessariamente precisa da aceitação daquele que sofre do problema. Os sintomas mais comuns e perceptíveis são:

  • Humor triste, irritabilidade, angústia;
  • Desânimo, cansaço fácil, necessidade de maior esforço para fazer as mais diversas atividades do dia a dia;
  • Diminuição ou incapacidade de sentir alegria e prazer;
  • Desinteresse, falta de motivação e apatia;
  • Baixa autoestima;
  • Perda ou aumento do apetite e do peso;
  • Insônia ou despertar matinal precoce;

 

Por outro lado, o que não se pode haver é a banalização das pessoas que possuem tais sintomas de formas eventuais, dizendo que possuem depressão. A doença se caracteriza pela existência desses sentimentos de forma frequente, o que carece de atenção por parte da própria pessoa e de seus entes queridos. Aliás, as pessoas que convivem com alguém depressivo exercem um papel fundamental e crucial no incentivo à busca por tratamento e também na recuperação.

O auxílio muitas vezes não é só ouvir a pessoa e dar o seu apoio, mas sim incentivar o seu tratamento, conscientizando-a que a doença é grave e que, ignorá-la, não a fará desaparecer. Você pode ligar, fazer visitas, chamar para fazer atividades diárias e prazerosas e, mesmo que inicialmente receba um não, insista! Pode também recomendar a visita a um psicólogo e a um psiquiatra, sempre buscando profissionais de confiança (disponibilize-se para acompanha-la até o consultório). Não menos importante, disponha-se sempre a dizer à pessoa que ela não está sozinha nessa luta.

O que jamais podemos fazer é usar palavras como: você não tem motivos para estar assim; os seus problemas são bobos demais; a sua felicidade é uma escolha; isso é falta de Deus; é só não pensar nisso; isso é uma fase, logo passa. Ou seja, jamais menospreze os sentimentos do depressivo e procure sempre compreendê-lo e ajudá-lo.

Vale lembrar também que, desde 1962, existe uma organização não governamental chamada Centro de Valorização da Vida (www.cvv.org.br), que atua no apoio emocional do cidadão e na prevenção do suicídio, por meio do telefone 188, via e-mail e até chat 24 horas, todos os dias. Tudo é gratuito e garante total sigilo.

Já no campo jurídico, sabemos que o Ministério Público possui ampla legitimidade para propor medidas para a maior conscientização a respeito da depressão, bem como o combate à prática do suicídio, podendo promover palestras, propagandas, bem como cobrando do poder público local a criação e maior efetividade na prestação de serviços de psicoterapia à sociedade em geral, inclusive aos cidadãos de baixa renda.

É de suma importância a colaboração da sociedade, como um todo, para que jamais publiquem ou divulguem fotos e informações que em nada colaborarão para o combate à depressão e à prática do suicídio.

Trata-se de um problema que todos nós devemos combater, sabendo que uma palavra pode significar o fim de uma vida, mas também a recuperação de alguém que tanto amamos.


3 COMENTÁRIOS


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Kátia Lemos Oliveira

30/09/2019 | 17h41
Muito lindo oq tem escrito, vc está de parabens. Sou leitora semanal da sua coluna.

Carlos Martins

30/09/2019 | 17h39
Um excelente blog!!! Deveria ter uma regularidade para escrever, os assuntos são muito bons.

Ellen Rocha

29/08/2019 | 10h50
Feliz em ler um artigo com tanta empatia! Um mal que tem acometido tanta gente precisa ser visto de maneira clara por todos nós! Obrigada, mesmo, por este artigo.