Tempos Modernos

Tempos Modernos

07 de Agosto de 2019 | 18h33 - Atualizado em 07/08/2019 19h14

NÃO É SÓ PELOS ADICIONAIS


É fato público e notório que o sistema de saúde de Campos está beirando o colapso, que há décadas esta cidade é mal gerida, que muda-se a gestão, muda-se o legislativo, mantem-se os problemas, criam-se novas desculpas e culpados e a população continua sem ter a quem recorrer.

A Câmara de Vereadores, que ao menos na teoria, é a casa do povo, a casa que, ao menos na teoria, deveria brigar pelos interesses da população, há algumas legislaturas parece ter se transformado em um glamuroso balcão de negócios onde a velha máxima passou a ser “para rir, tem que fazer rir”. Prova disso é que é difícil lembrar de Vereadores que tenham, de fato, exercido com rigor seu poder de fiscal, que tenham transformado o modo com que a sociedade enxerga e pensa, que tenham mudado os paradigmas sociais e as condutas práticas, que tenham gerado valores e incentivado uma geração... em resumo, que tenham deixado um legado.

Dando a César o que é de César, excetuo Rafael Diniz e reconheço que enquanto Vereador, foi um excelente opositor que ao menos tentou fiscalizar. Digo isto pois foi aquela conduta enérgica que lhe alçou, ainda em primeiro turno, ao cargo de Prefeito. Como Prefeito, entretanto, ao que tange à saúde, faz um governo igual aos que passaram e também não deixará saudades.

Certo é que o que se tem no limbo entre o “como é” e o “como deve ser”, figura algo extremamente importante e que atribuímos o nome de “iniciativa”. Iniciativa que ninguém nunca tomou e que agora vem sendo tomada pelos profissionais de saúde e, ao meu ver, deve ser apoiada pela população, uma vez que as reivindicações, ainda que tardias e feitas somente após o Prefeito cortar seus adicionais (dos salários dos profissionais de saúde), são reivindicações sérias, que visam melhorias inclusive nas condições sanitárias e, consequentemente, melhorias no atendimento ao cidadão que hoje, muitas vezes, morre aguardando uma vaga em UTI.

Em breve parêntese, devo registar que defendo o ponto biométrico e o rigor na fiscalização do cumprimento do horário de expediente. Ora, se no meu escritório fiscalizo o horário do meu estagiário, por que com a coisa pública devo pensar diferente? Se nas clínicas particulares existe o controle de ponto dos funcionários, por que com a coisa pública deve ser diferente? Entretanto, apesar de defender o rigor em situações normais, acredito que os médicos, por exemplo, devem ser autorizados a justificar o não registro do ponto biométrico quando, comprovadamente, envolvidos em situações excepcionais, como em casos de estarem em meio a procedimentos cirúrgicos. Para isso, para que a teoria e a prática caminhem no mesmo sentido, há que se ter diálogo.

Por outro lado, quero ressaltar que ainda que seja aventado o argumento de que tudo isso seria só pelos valores que ainda não lhes foram pagos, há que ser salientado que os profissionais de saúde, assim como nós, são trabalhadores e fazem jus ao recebimento integral de seus vencimentos. Isto posto, ainda que fosse somente pela quitação da integralidade dos salários, ainda assim seria uma reivindicação digna.

Neste sentindo, ciente que a pauta é muito mais ampla, não só rendo minhas homenagens a todos os guerreiros profissionais de saúde que todos os dias “dão seus jeitos” para conseguirem macas, suportes para soros, remédios, respiradores, monitores e até mesmo espaços físicos nos “corredores de internação”, mas como também me solidarizo com as famílias que, mesmo diante dos esforços dos atendentes, perderam seus entes queridos pois o “inimigo tempo” não aguardou a desocupação do leito.

Por fim, agora que a precária situação do sistema de saúde campista foi de vez tornada pública, agora que o CREMERJ e a Vigilância Sanitária realizaram vistorias nas unidades e documentaram o caos, espero que as autoridades não finjam desconhecer os problemas, que as atitudes sejam tomadas, que as condições sejam normalizadas e que seja estabelecido diálogo entre os profissionais de saúde e a gestão.

  


SEJA O PRIMEIRO A COMENTAR


* Publicação sujeita a moderação;
** Evite a utilização de termos grosseiros e xingamentos através de palavras de baixo calão;
*** Comentários com conteúdo ofensivo e propagandas serão devidamente ignorados.