Novo Desenvolvimento Econômico

Novo Desenvolvimento Econômico

29 de Julho de 2019 | 10h00 - Atualizado em 26/07/2019 15h37

O PORTO DO AÇU CHEGOU PARA FICAR


Vamos começar a detalhar o Complexo Portuário do Açu no município de São João da Barra.

Em dezembro de 2006 Eike Batista lançou a pedra fundamental do Porto. Eu cheguei em meados de 2007 e tudo estava começando a fervilhar na região.

Vim com a missão de projetar e posteriormente construir o Centro de Visitantes, para que o Complexo tivesse uma “Casa” para receber toda gama de visitantes (de políticos a sociedade em geral). Isso muito me orgulha até hoje, pois é lá que tudo acontece em seu salão com a grande maquete do empreendimento e no seu auditório onde os convidados conseguem ter ciência da magnitude desse porto.

São João da Barra por mais de I século sobreviveu da Indústria de Bebidas Joaquim Thomás de Aquino Filho (Grupo Thoquino) e da sua agricultura familiar  de baixa escala de produção se comparando ao Agro- Negócio do Brasil; por causa das suas terras arenosas e pouco fértil. Na verdade os nossos agricultores sempre foram guerreiros e tiravam “Leite de Pedra” para sobreviver com a sua família.

As terras de pouco valor comercial até então, começaram a ter uma valorização acentuada pela perspectiva de se construir um porto ao seu redor.

Poucas pessoas acreditavam ser isso possível e entre elas o Eike Batista e a nossa prefeita Carla Machado. Foram motivos de chacota por parte de uma oposição política local e de algumas pessoas derrotistas que hoje são obrigadas a se renderem ao sucesso do empreendimento.

O Eike havia comprado a fazenda Caruara para fazer a sua área industrial, porém a Secretaria Estadual de Meio Ambiente não permitiu e exigiu a criação de uma grande área de amortecimento ambiental para o porto, surgindo a atual RPPN de Caruara (Reserva do Patrimônio Particular Natural).

Sem ter a sua área industrial, o porto ficaria deficitário perdendo o seu grande referencial de crescimento e então o Governo do Estado através da CODIN (Companhia de Desenvolvimento Industrial), partiu para adquirir as terras de pouca produtividade e pouco adensamento populacional.

Em um município com cerca de 35 mil habitantes nós estamos falando de pouco mais de 1 mil pessoas envolvidas nesse processo, ou, algo em torno de duzentas propriedades rurais de pequeno porte.

Começou um processo de desapropriações por se tratar de uma área de interesse público para o Município, Estado e até mesmo para o Brasil.

Independente disso a prefeita Carla Machado exigiu que o Estado avaliasse as terras com o mesmo valor que o Eike havia pago em outras propriedades e solicitou ao Grupo EBX que fosse criado a ¨VILA DA TERRA¨ para acolher aqueles agricultores que mesmo com o dinheiro recebido preferissem permanecer no seu local de origem. Cada proprietário recebeu um terreno para continuar plantando com uma casa nova e totalmente mobiliada.

Tinha-se uma ideia inicial de se criar uma nova cidade (com estimativa inicial de se construir em 10 anos) para atender as futuras necessidades do Porto e foi apelidada de ¨CIDADE X¨ que após a sua conclusão iria comportar 300 mil habitantes. Apesar de parecer absurda, ela foi projetada pelo segundo urbanista do mundo em uma eleição recente que é o arquiteto Jaime Lerner.

Não me canso de falar que considero o Eike Batista o novo Barão de Mauá da atualidade. Tudo foi planejado para um projeto se intercalar com o outro. Era fantástico.

Vou tentar explicar de forma sucinta.

Tudo começa na mina de minério de ferro em Conceição do Mato Dentro-MG e é transportado através do maior mineroduto do mundo com 525 quilômetros de extensão e atravessando 32 cidades nos dois estados. Tem uma capacidade de transportar 26,5 milhões de toneladas de minério de ferro por ano.

Esse minério teria a função de exportação (tendo como mercado principal as Siderúrgicas asiáticas) e de suprir as necessidades de duas Siderúrgicas que seriam aqui construídas. Seria também construída duas Termoelétricas para dar uma tranquilidade energética ao Complexo. Teríamos também uma Indústria Automobilística e um Estaleiro.

Se estudou também a construção de um sistema para se purificar o petróleo antes da sua exportação para aumentar o seu valor de mercado. Não seria uma Refinaria já que o Governo Federal já havia optado por se construir uma em Itaboraí- RJ.

As Termoelétricas seriam à Gás Natural para se aproveitar o excesso de gás das plataformas que hoje tem uma grande parcela queimada e a outra à Carvão Mineral de ótima qualidade e de pouca incidência de enxofre e viria da sua mina na Colômbia. Gostaria de lembrar que na Alemanha a maioria delas são movidas a carvão também.

A necessidade das duas Siderúrgicas é em função do Brasil não produzir em larga escala a Chapa fina de aço para a linha branca (fogão, geladeira, veículos, etc ) e a outra produziria a chapa grossa para fazer o casco dos navios do futuro Estaleiro que chegaria a reboque dessas construções energéticas e siderúrgicas. Como podem comprovar os projetos seriam intercalados de uma forma extraordinária.

Para mim o que começou a dar errado foi quando o Eike resolveu se aventurar na área do petróleo. Ele teve que ir buscar no mercado profissionais capacitados e conhecedores do assunto (quase todos da Petrobrás).

Eles se valorizaram vendendo como se diz no mercado “GATO POR LEBRE” e diziam saber quais seriam a capacidade de extração dos futuros poços que seriam leiloados e perfurados.

As ações da nova empresa foram à Bolsa de Valores (como faz toda grande empresa) e se buscaria parceiros para a nova empreitada através da venda de suas ações.

Os estudos da previsão futura de extrações foram aprovados pela Comissão de Valores Mobiliários e as vendas foram um grande sucesso. E o que deu errado? Deu errado quando os poços começaram a ser perfurados e o volume do óleo retirado não era compatível aos estudos elaborados e divulgados anteriormente pelos técnicos. Isso veio ocasionar na queda dos valores das ações e a corrida para a venda fizeram os papéis caírem até virarem pó.

O mesmo iria ocorrer hoje se anunciasse que o Itaú ou o Bradesco (dois dos maiores bancos privados do país) estariam quebrando e todos corressem para vender as suas ações, afinal os seus recursos estão aplicados nos empréstimos concedidos, nos veículos e imóveis financiados e com certeza eles não teriam capital líquido disponível para recomprarem as suas ações e quebrariam. Assim funciona o mercado financeiro.

Outro problema se deu por acusarem o Eike de corrupção. Eu não posso dizer que ele agiu correto perante a lei vigente, mas nas circunstâncias reais do nosso Brasil, eu  não tenho como negar que faria o mesmo.

A corrupção que se instalou no País e nos seus órgãos de governo, favorecendo políticos corruptos (nem todos é claro) que ajudam a criar dificuldades para obterem facilidades, fica difícil trabalhar nesse país.

Obras superfaturadas e fraudulentas com o nosso dinheiro  como as financiadas no exterior pelo BNDES em um passado recente) se espalharam de Norte a Sul do Brasil. Parte desses recursos voltavam para partidos políticos ou até mesmo para políticos influentes dos mesmos ; se multiplicaram .

No caso do Eike ele estaria até hoje esperando a licença ambiental para poder iniciar as obras e as instalações do Porto do Açu. O próprio Lula teve problemas com o Ministério do Meio Ambiente para liberar a licença de  construção  da hidrelétrica de Belo Monte. O presidente Bolsonaro também tem questionado bastante nossos órgãos ambientais.

Tenho amigos apanhando muito para conseguir aprovar loteamentos e condomínios fechados aqui em São João da Barra; em locais já impactados e já urbanizados e sem nenhum valor ambiental que justificasse esse excesso de exigências. Na verdade esses órgãos estão acima do bem e do mal e isso é muito ruim para o desenvolvimento do País e em especial para os nossos municípios que tem que se estruturarem para poder acompanhar o crescimento industrial local, afim de se evitar a favelização.

Sou a favor de se fiscalizar, pois o homem muitas vezes olha só para o seu bolso em detrimento ao nosso meio ambiente, mas não se pode demorar para se obter uma simples licença. Isso vale para todos os órgãos públicos que tem que se profissionalizarem para acompanhar a demanda de crescimento que já começou e só vai aumentar na próxima década. O país tem pressa, pois ficou paralisado na última década e temos que recuperar o tempo perdido.

Voltando ao Porto do Açu, o Eike não se utilizou de recursos públicos e sim do seu para poder obter as licenças. Se não desse, nós estaríamos até hoje esperando o Complexo Logístico e Portuário. Coisas de um Brasil burocrático e muita das vezes corrupto.

Por isso que eu falo que sou contra a corrupção, mas nesse caso eu faria o mesmo, afinal ou você dá e realiza o seu empreendimento criando empregos e aumentando o desenvolvimento,  ou engaveta o seu projeto e esquece. Espero que no Novo Brasil que se inicia; essa corrupção acabe e o Brasil seja mais ágil para competir de igual para igual com o resto do mundo.

O nosso presidente em pouco tempo já se mostrou preocupado com esses fatores e tem criado mecanismos para se efetuar as mudanças necessárias, mas ele sozinho não vai conseguir. O Congresso junto com o Senado tem um papel preponderante nesse processo de crescimento do país. Vamos precisar da ajuda de todos e na minha opinião o que está faltando é mais amor ao Brasil. Sim ; falta PATRIOTISMO  em uma parcela da população que só sabe criticar e torce para o presidente errar mesmo que venha prejudicar o nosso país.

Enfim assim se deu a implantação do maior Porto das Américas e que tem um calado que somente uns 5 portos em todo o mundo tem igual.

Isso nos dá um grande orgulho e uma tranquilidade que nos apresenta uma certeza que no dia que o petróleo começar a escassear, o Complexo Portuário do Açu irá sustentar não só São João da Barra como toda a região do Norte Fluminense. O porto é o maior empreendimento privado do Estado do Rio e está sem dúvida alguma como um dos 5 maiores empreendimentos privados do Brasil.

No próximo bate papo vou detalhar um pouco mais o Porto do Açu na atualidade.

Forte Abraço e até a próxima semana, VICTOR AQUINO.


SEJA O PRIMEIRO A COMENTAR


* Publicação sujeita a moderação;
** Evite a utilização de termos grosseiros e xingamentos através de palavras de baixo calão;
*** Comentários com conteúdo ofensivo e propagandas serão devidamente ignorados.