Tempos Modernos

Tempos Modernos

10 de Abril de 2019 | 16h32

Governo estuda enviar Exército para a Amazônia


Nos últimos tempos tornou-se evidente a vontade da população, de modo geral, em viver num país melhor, com menos impostos, com menos corrupção, com mais empregos, com mais justiça, enfim... me parece que a sociedade acordou e percebeu que precisamos mudar.

Ocorre que, não obstante a todos os nossos desejos, parece que as vezes esquecemos que tais conquistas só serão sentidas na sociedade após a efetiva mudança de atitude, isto é, não basta sonhar, reclamar e sugerir, sentar em mesa de bar e opinar, é necessário fazer acontecer, e é aí, neste ponto, no “fazer acontecer”, que começamos a identificar quem gosta de falar e quem prefere fazer.

Nesse sentido, percebo que muitas vezes quem está no topo da pirâmide e tem a possibilidade de dar exemplo e de mostrar trabalho eficiente, em não raras oportunidades, opta pelo “princípio do menor esforço”, ou seja, com o pensamento específico de diminuir o próprio trabalho, em vez de se esmerar e determinar que se faça a coisa certa, faz algo genérico, “cumpre tabela” e prejudica o andamento comum.

Ontem, por exemplo, tivemos mais prejuízos causados pela prevalência do “princípio do menor esforço” onde devido às fortes chuvas ocorridas na cidade do Rio de Janeiro e região metropolitana, o Presidente do Tribunal de Justiça suspendeu o expediente forense em todo Estado.

Entendo a situação de emergência vivida nas áreas atingidas pelas fortes chuvas e concordo que naqueles locais não há nenhuma condição de trabalho, tanto por questões humanas quanto por questões práticas de locomoção e etc. Por isso, concordo que o Presidente do Tribunal de Justiça realmente deveria suspender o expediente nas áreas atingidas pelas fortes chuvas.

Ontem, dia nove de abril, fui a Conceição de Macabu para representar uma cliente em audiência. Ocorre que ao chegar lá fui informado que o expediente forense daquela Comarca também estava suspenso em decorrência das fortes chuvas que atingiram a cidade do Rio de Janeiro.

Caros leitores, suspender o expediente nas cidades atingidas pelas fortes chuvas não só é aceitável mas com também é justo e, muitas vezes, uma questão humanitária. Agora... suspender o expediente em Campos e em Conceição de Macabu, por exemplo, – cidades que não tiveram sequer um problema relacionado a chuvas – é mais que um absurdo, é um desrespeito com o cidadão de bem que precisa trabalhar e que está aguardando a meses uma solução para seu problema.

Lembra do “princípio do menor esforço”? Pois é! É muito mais fácil para ele – Presidente do Tribunal de Justiça – suspender o expediente de modo geral no Estado todo, do que pesquisar quais áreas foram atingidas pelas fortes chuvas e fazer o certo, ou seja, suspender o expediente apenas nas áreas atingidas pelas fostes chuvas.

Ainda que por ventura um ou outro funcionário do Tribunal trabalhe em cidade não afetada mas resida numa área que tenha sofrido com as chuvas, não é necessário suspender o expediente por completo, já que, após a devida justificação, pode-se abonar a falta daquele servidor. Isso também poderia servir para a revogação dos atos processuais cujo os advogados e partes estejam na mesma situação de impossibilidade.

O que se pretende aqui não é especificar o absurdo ato de suspender o expediente no Estado todo, mas sim chamar atenção para a existência do “princípio do menor esforço” que rotineiramente nos causa enormes prejuízos.

Com a experiência prática percebi que a primeira resposta que recebo, na maioria das vezes é algo que diminua o trabalho/esforço de quem deveria fazer o que foi pedido, como por exemplo, “não pode”, “tem que aguardar”, “vou passar para o colega fazer” e por aí vai.

Aprendi que para vencer o “princípio do menor esforço” tenho a obrigação de me esforçar para saber questionar o porquê não se pode, que não tem que aguardar e deixar bem claro que sei o que deve ser feito.

 

 

 

 

 

 


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