Novo Desenvolvimento Econômico

Novo Desenvolvimento Econômico

02 de Dezembro de 2019 | 10h07

A ECONOMIA MUNDIAL OSCILA


Em meio a um cenário de baixo crescimento da economia global, em que a demanda por commodities não deve crescer, o melhor que se pode esperar para o PIB brasileiro é uma expansão de 2% a 3% nos próximos 2 anos. A não ser que o governo consiga fazer a reforma tributária e mudanças microeconômicas capazes de aumentar a produtividade e melhorar o ambiente de negócios.

Essa avaliação foi feita por Jim Barrineau, head do mercado de dívida de países emergentes da Schroders. Especialista em mercados emergentes há mais de 20 anos, Barrineau acredita que os juros baixos no Brasil vieram para ficar e que há sinais de que a equipe econômica do governo pode tolerar um REAL mais desvalorizado.

A redução dos juros é uma mudança estrutural. A taxa real (descontada a inflação), que ficou em torno de 6% ao ano por muito tempo, está perto de 2% o que é bastante positivo, porque reduz o custo de financiamento da dívida e ajuda o crescimento econômico.

Parece que a inflação e a necessidade de manter juros altos para atrair capital estrangeiro são coisas do passado. Isso se deve em parte à reforma da Previdência e à crença de que haverá outras reformas. Se a situação fiscal de longo prazo está ficando melhor, não há por que manter juros mais altos que na maioria dos países emergentes.

Depois de um período de estabilidade, o câmbio passou a oscilar mais no Brasil que em outros países emergentes. A pergunta que muitos analistas fazem é se o Brasil está disposto a ter uma moeda mais fraca, se isso for ajudar no crescimento econômico, já que um câmbio desvalorizado torna as exportações mais competitivas.

Há indícios que sim, de que há uma mudança no pensamento econômico em relação ao câmbio. Tomou-se a decisão de reduzir de forma significativa as reservas internacionais, que custam caro, já que o estoque de dívida externa não é alto. Além disso o Banco Central parece confortável com a trajetória da inflação e parece não acreditar que a alta do dólar terá um grande impacto nos preços. Diante desse cenário o nosso país pode vir a ter uma moeda mais fraca e mais volátil daqui para frente.

Os maiores riscos que corremos é que o ambiente externo não é dos mais favoráveis. A China está crescendo menos o que reduz a demanda por commodities. Além disso, a América Latina está num momento complicado. A Argentina que é um parceiro comercial relevante, deve voltar à recessão.

 

E A GUERRA COMERCIAL?

Deve gerar impactos opostos para o Brasil.

Por um lado, é ruim, porque deve reduzir o crescimento mundial, por outro, pode levar países como a China a procurar por commodities em outros países além dos Estados Unidos, que beneficiaria o Brasil.

Segundo alguns especialistas, a nossa economia já está crescendo quase o dobro do PIB médio desse ano e deverá chegar no final de 2020 rodando na casa de 2,6%. Conclusão: embora 2019 seja o terceiro ano de PIB 1%, o fim do ano vai entregar um ritmo de 2% a 2,5% para 2020, e se tudo der certo (como espero), no fim de 2020, o legado será ainda mais promissor, proporcionando um cenário de 2,5% a 3% para 2021.

O comércio espera o melhor Natal dos últimos 6 anos, apesar de ressalvar que a base de comparação é fraca, já que as vendas de Natal têm sido decepcionantes desde 2014, quando eclodiu a crise. É inequívoco que a recuperação já começou e que o crédito relativamente mais barato (embora ainda muito caro no Brasil) será um dos protagonistas.

Toda essa perspectiva de cenário positivo pode ser frustrada de novo se a economia tornar a empacar em 2020, principalmente se a bagunça política do Congresso e Senado persistir e o clima internacional azedar muito. Por isso é tão importante acompanharmos os desdobramentos da guerra comercial entre Estados Unidos e China.

O que nos deixa mais otimista é ver o setor privado dando menos importância para o noticiário de Bolsonaro e Lula (que deveria estar preso se o Brasil fosse sério), e focando cada vez mais nos seus negócios. Está na hora da nossa economia voltar a crescer e se tornar mais importante que a política. Como preconiza o slogan da equipe do nosso Mago da economia o ministro Paulo Guedes, é hora de “Mais Brasil, menos Brasília”.

 

Forte Abraço, e até a próxima semana, VICTOR AQUINO.


SEJA O PRIMEIRO A COMENTAR


* Publicação sujeita a moderação;
** Evite a utilização de termos grosseiros e xingamentos através de palavras de baixo calão;
*** Comentários com conteúdo ofensivo e propagandas serão devidamente ignorados.