19 de Maio de 2017 | 09h16

"Quem decide tudo era ele": Beth Megafone sobre Garotinho.

Audiência foi realizada ontem (19), no Fórum de Campos. Gravações de áudio e vídeo foram disponibilizadas pela justiça.


Peça-chave da acusação do MPE sobre escândalo da operação chequinho, em Campos, Beth Megafone, ex-aliada do grupo de Anthony Garotinho, prestou depoimento no Fórum de Campos nesta quinta-feira (18) e fez graves acusações.

O NF Notícias separou alguns trechos por escrito da gravação em áudio e vídeo, diponibilizada pela justiça eleitoral. 

No início da audiência, o Juíz Ralph Manhães, passou a palavra para a testemunha de acusação, o promotor do ministério público eleitoral. 

Promotor: Esse processo tem como réus o senhor kellinho, Linda Mara, Thiago Virgílio e Jorge Rangel. A senhora conhece os réus? 

Beth: Todos.

Promotor: A senhora chegou a ajudar algum deles na campanha? 

Beth: Sim, fui uma das coordenadoras da campanha de Linda Mara. 

Promotor: A senhora trabalhou na prefeitura nos anos de 2015 e 2016?

Beth: Sim. 2015 e 2016.

Promotor: Trabalhou fazendo o que?

Beth: Eu trabalhava na Secretaria de Desenvolvimento Humano e Social... Trabalhava no atendimento comunitário, ao público e aos parlamentares. 

Promotor: Especificamente no ano de 2016, a senhora quando trabalhava na secretaria de promoção social, a senhora percebeu que no ano de 2016 houve um incremento repentino de pessoas interessadas no programa cheque cidadão? 

Beth: Sim, sim. Isso era nítido na secretaria. Apesar de todos os esforços para que isso não fosse nítido para a justiça, nem pra população. Dentro da secretaria as coisas funcionavam (pausa na fala)...Tanto que os digitadores que foram contratados para esse fim, pra receber "os" novos do cheque cidadão, as novas pessoas do cheque cidadão, se fosse uma coisa normal e que pudesse ser vista pela justiça, ficava na parte da frente da secretaria, quando na verdade, foram colocados os digitadores na parte dos fundos da secretaria. E tinha um turno especial. Trabalhavam feriados, finais de semana, a noite, pra que, durante o dia, a secretaria, entre aspas, parecesse normal. 

Promotor: A senhora viu essa movimentação diferenciada em 2016?

Beth: Sim, porque a sala que eu ocupava para atender a população, era uma sala muito próxima ao gabinete, no caso, de um pedaço do ano, do então secretário Thiago Ferrugem e depois da secretária Ana lice. 

Promotor: E essa decisão de incrementar o número de usuários beneficiados do programa cheque cidadão partiu de quem? 

Beth: De Anthony Garotinho.

Promotor: De mais alguém?

Beth: Não. Quem decide tudo "era" ele. Não tinha decisão de outra pessoa não.

Promotor: Essa determinação de Anthony Garotinho, ela conteplaria os réus desse processo? 

Beth: Sim.

Promotor: Eles receberiam pela, pelo...

Beth: Sim, sim. Todos. Ele (Garotinho) atendeu um por um na prefeitura pra que combinasse, individualmente, porque...é, nem todos receberam o mesmo número de cadastros. Então ele (Garotinho) que fazia a reunião individual e isso era escolhido de acordo com a zona eleitoral, com a capacidade de votos que o Garotinho imaginava que cada um teria. Tanto que isso foi, depois, aumentando por que?! Porque o Garotinho trabalha com pesquisas. Então, a medida que as pessoas foram se despontando na sua área eleitoral, elas foram ganhando um complemento ou um...um avanço, né, pra que seus votos realmente tivessem naquela área. 

Promotor: O que os candidatos deveriam fazer para incluir essas novas pessoas no programa? 

Beth: Eu vou falar do meu caso que eu acredito que tenha se estendido pros demais. No caso da Linda Mara, fez uma reunião pediu apenas que não entrasse em algumas áreas...No caso de alguns vereadores, eles tinham áreas específicas, vou explicar melhor...Seo Ozeias (vereador PMDB), ele tinha a área de Travessão. Então foi pedido pra gente...quando eu falo pra gente, é porque, naquele momento, eu também fazia parte da coordenação de campanha, de Linda Mara. Foi pedido pra gente não entrar, por exemplo, em Travessão. Lógico, se já tinha dado ao Ozéias (vereador PMDB), não entrasse naquela área...Só que tinham lugares, pela Linda Mara ser uma radialista, os votos dela eram muito pulverizados, eram na cidade toda, mas ou menos. Então tinha lugares que, exemplo, Guarus. Houve grandes problemas pra gente dentro do Parque Guarus, por exemplo, Parque Lebret, porque as lideranças, no caso de Magal fivacam...não é implicando, mas é...eles ficavam incomodados com a gente também estar naquela área alí oferecendo cheque em troca de voto. 

Por meio de nota o advogado Fernando Fernandes esclarece que,  "duas testemunhas arroladas pela própria acusação responderam que não receberam pedido de voto em razão da concessão do benefício social, o que afasta a tese de que teria havido o crime de corrupção eleitoral".

VÍDEO:

 

2 COMENTÁRIOS


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Fernando

19/05/2017 | 17h53
Nós campistas sabemos que esta compra de votos através do cheque cidadão, aconteceu em todos bairros de Campos dos Goytacazes e o que esperamos, é que a justiça faça o que pra nós é lógico. Dê a punição adequada a todos envolvidos nesta covardia popular! A punição deverá ser aplicada de uma forma severa, até porque a lei existe e cumprimento dela não é direito,mas sim obrigação!!! Que o juíz aplique a punição a cada um dos envolvidos neste escândalo em nossa cidade!!! Estes vereadores eleitos, deverão ser afastados,sem direito a recurso e a punição se estenda aos não eleitos também.

Silvio Pessanha

19/05/2017 | 15h58
Mas esse modo de operação, já não tinha acontecido na eleição de 2012? E ouve punição dos envolvidos?


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